“Apagaram tudo. Pintaram tudo de cinza! A palavra do muro, ficou coberta de tinta.”. Quem é apreciador do bom e velho MPB, já deve ter escutado esta frase, na voz de Marisa Monte. Eu admito que sempre ouvira, sempre quis saber do que se tratava, mas nunca parei para dar atenção. Até que um dia decidi pesquisar. Esta música, que tem como título, Gentileza, fala de um senhor, um missionário, um andarilho, que resolveu espalhar pela cidade do Rio Janeiro, palavras gentis, de amor e bondade. Conhecem a história do Profeta Gentileza?! Faço então o convite para conhecê-la, então!

“Quem é esse cavaleiro andante, em plena cidade contemporânea, a conduzir seu estandarte cheio de apliques, metendo-se pelos lugares, a levar sua palavra? De início, chega-nos sua estranheza, seu deslocamento, antes até de sua gentileza. Vê-lo com sua bata branca pela rua é ter contato com uma figura que nos parece extemporânea. Não de futuro, mas de uma voz que ecoa, bizarramente, um sagrado que não se mostra mais.”

Este era José Datrino, mais conhecido como o Profeta Gentileza, que acreditava ter como missão, espalhar por entre as pessoas, o amor, a bondade, a gentileza. Anteriormente, ele era um grande empresário, dono de uma transportadora de cargas no Rio de Janeiro, e que ficou muito tocado por um incêndio, muito trágico, que teve em um circo em Niterói, e alguns dias depois, teve um chamado divino que dizia que ele precisaria mudar de identidade, assim como espalhar todos esses bons sentimentos já citados acima.

Mudara completamente de vida, passara a ser taxado de louco, demente, chegando até mesmo a ser internado, se apresentava como um representante de Deus e anunciador de um novo tempo. Com o passar do tempo, ele se tornou uma personagem popular, criava provérbios e dizeres procurando ensinar às pessoas, principalmente a gentileza, tendo até uma maneira peculiar de escrever, usando o número de “Rs” por exemplo para diferenciar de que tipo de AMOR ele travava, como por exemplo, o AMORRR, em que cara R representava, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Queria acabar com os vícios dos homens.

Gentileza gera Gentileza

Não aceitava dinheiro de quem o oferecia, na verdade, era contra à prática e denunciava quem o fazia. Foi até tomado por comunista. E pode-se dizer que tinha um discurso anti-capitalista. O que fazia aumentar a sua popularidade. Ele, como eu disse, era um andarilho, caminhava incessantemente, e que estendeu a sua caminhada, por vários bairros do Rio de Janeiro. E o que ele fazia?! Para perpetuar a sua missão, a sua mensagem interferiu na paisagem urbana com seus dizeres proféticos, suas palavras gentis.

Carregado de uma simbologia religiosa, despertava a curiosidade das pessoas, por muitas vezes dobrar o número de letras, como em AMORRR, já explicado acima, pois acreditava que todos esses termos inventados por ele, representava a gentileza. GENTILEZA GERA GENTILEZA, era sua principal mensagem, o que ele acha que, como Profeta, deveria passar.

Profeta Gentileza

Gentileza pintava pilastras e paredes das avenidas. Aparentemente, não fazendo diferença para ninguém, até que decidiram pintar tudo de cinza (as autoridades, claro). As pessoas perceberam que já não existia as belas frases que todos costumavam ler. Se comoveram! Descobriram o que aconteceram, e se mobilizaram. Conseguiram que o profeta virasse nome de praça, ao lado de sua obra, restaurada, criou-se ONG, criou-se samba enredo, criou-se música….  Criou-se até teses de faculdade.

Isso tudo para mostrar que pequenos gestos de Gentileza, às vezes não fazem diferença nenhuma, nem percebemos, para falar a verdade, até que o percamos, aí sim, percebemos o que tínhamos e não temos mais. Espero que tenham gostado da história, resumida, sim, que escrevi, mas que me comoveu de alguma maneira. Que de algum modo, absorvemos, e de nossa maneira, sigamos os dizeres de alguém que, de repente, poderia até ser um louco, mas que por seus escritos, tentou passar o amor, a GENTILEZA… Enfim, a paz!

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