13 de julho de 2013.

No dia de hoje, há exatos 7 anos, o mundo se despediu precocemente de Cory Monteith. O protagonista de Glee sofreu uma overdose de heroína e levou consigo o amor e a saudade dos fãs, arrasados com a perda do ator. Finn morreu na série e a verdade precisa ser dita: depois disso, Glee foi por água abaixo e arrastou duas temporadas que estavam ali pelo simples fato de Ryan Murphy não ter sabido a hora de parar.

Diferente dos outros 13 de julho, o de hoje veio carregado de uma tristeza ainda maior. Possivelmente perdemos mais um membro do elenco de uma série que aprendemos a amar. O que aconteceu com Naya ainda é um mistério agoniante e as buscas seguem, esperançosas, por um final feliz.

Cory, Mark

A morte de Cory chocou a todos ao redor do mundo. Para os fãs, ver a série sem vê-lo não funcionou e até hoje seguimos saudosos de uma das vozes mais bonitas que Glee já teve. Infelizmente, essa não foi a única despedida. Cinco anos depois, os admiradores de Puck deram adeus a Mark Salling, que com apenas 36 anos, escolheu acabar com a própria vida.

O ator aguardava julgamento, após pornografia infantil ter sido descoberta em seu computador. As mensagens de “Pedófilo” bombardeavam suas redes sociais e o homem que fez um dos personagens mais complexos de Glee, não aguentou. Mark se enforcou na beira de um lago e foi se juntar a Cory em um outro multiverso. Foi a primeira vez que o termo “Maldição de Glee” começou a circular pela internet. E precisamos falar dele.

Naya

Com os recentes acontecimentos envolvendo Naya Rivera, intérprete de Santana na série, muitos fãs apontaram o seriado como sendo o grande responsável. Alguns ainda mais tóxicos e não empáticos, jogaram pedras em Lea Michele através de redes sociais. A atriz precisou desativar o Twitter diante de tanto ódio e mensagens negativas.

Até que ponto a dor pela perda de uma pessoa justifica a propagação do ódio para outra? Lea não é santa e provas recentes de seu passado nas gravações, onde foi acusada de racismo, mostram que personagens e atores são pessoas completamente diferentes. Mas acima de tudo, estamos falando de seres humanos. Nada dá o direito a ninguém e nem mesmo a você, fã, de espalhar desejos de morte, ofensas e xingamentos a uma pessoa que você nem ao menos conhece.

Glee

Culpar Ryan Murphy, Lea ou qualquer outra pessoa pelo desaparecimento de Naya é não apenas absurdo, como nocivo e devastador. Culpar Glee pela morte de Cory ou de Mark é imaturo e sem sentido. Não há uma maldição. Há seres humanos, lidando com seus próprios monstros da forma que julgaram necessário. Não foi um seriado que levou embora a vida de provavelmente três pessoas. A infeliz coincidência de terem dividido palco apenas mostra que eram humanos, trabalhando e fazendo aquilo que mais gostavam.

Mark era um pedófilo e merecia ser julgado e preso, mas será que você precisa desejar a morte dele? Como Puck, ele ganhou fãs, que ainda sentem sua falta e respeitam a memória do ator. Cory foi taxado de drogado e muitos disseram ter merecido o final que teve no espetáculo da vida. Cory, assim como Mark, era um filho, um irmão, um amigo…e chorar a morte deles não te torna um ser humano pior.

O fandom

Há uma linha muito tênue entre o fã e a pessoa que se julga dona do direito de propagar informações, apenas pelo fato de ter assistido ao filme ou a série. Você, que desejou a morte de Lea Michele diante do que aconteceu com Naya; você, que disse ser merecida a morte de Mark ou Cory; você, que culpa a série e seu diretor, pelo clima tóxico nos bastidores e por consequência, pelas mortes trágicas que se sucederam; você, que acredita na maldição de Glee…você não é um fã.

Quando escolhe espalhar o ódio, você não está sendo fã, você está sendo uma pessoa baixa, vil e ruim.

Glee trouxe muitas coisas boas e a legião de admiradores da produção é a maior prova disso. A série foi uma das primeiras a abordar temas como preconceito, bullying, racismo e intolerância. A série foi uma das primeiras a ter personagens homossexuais assumidos e encorajou muitos a fãs a assumirem para si mesmos, o que são, o que sentem. Glee tornou-se eterna, principalmente por seus personagens. Puck, Santana, Cory, Rachel foram alguns dos nomes que aprendemos a admirar. São personagens, não pessoas. E admirá-los, não te torna um ser humano pior.

Caso queira chorar pela morte de seus ídolos, chore. Ninguém tem o direito de apontar quem devemos ou não admirar, é uma escolha nossa e precisamos lidar com as consequências. Não deseje a morte de ninguém apenas porque o seu ídolo não está mais aqui, isso é cruel. Respeite os artistas e o legado que deixaram. Você pode não gostar, mas respeitar quem o faz é o mínimo de cidadania e empatia que podemos praticar.

Glee estreou em 2009 e ficou no ar até março de 2015.

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