Para começar, é uma série original da Netflix, dirigida por José Padilha, estrelada por Wagner Moura e que conta uma história real sobre um dos maiores traficantes do mundo: Pablo Escobar. Se você ainda não se convenceu com esses fatos, vem comigo que vou te dar mais motivos! 🙂 Eu sou uma apaixonada por qualquer filme, série ou documentário histórico. Acho que, conhecer o passado, nos leva a um estado de espírito muito mais elevado para viver o futuro. Eu explico: a história é cíclica e, mesmo que já existam novas tecnologias, que o mundo tenha mudado demais nos últimos 100 anos, a humanidade em si, nós, pessoinhas que habitamos este planeta, somos constituídos de memória genética e ela vai muito além da medicina.

De tempos em tempos, vivemos situações que já aconteceram em outros momentos da história, até mesmo com civilizações que já estão extintas. Isso é super normal! As histórias são passadas de geração em geração e o que muda são os meios, os formatos, os personagens, mas o contexto, basicamente, é sempre o mesmo. Por isso, quando paramos para assistir uma série sobre um homem como Pablo Escobar, um dos maiores traficantes da história da humanidade, na situação atual de violência do Brasil e do mundo, nos deparamos com uma identificação muito verdadeira. Pablo criou seu império entre as décadas de 1980 e 1990, mas sua história não é uma novidade e nem a única.

Para os que acham que Narcos é uma série brasileira, podem tirar essa ansiedade do coração porque não é. Ela é uma série americana, ou seja, de produção americana, dirigida por José Padilha (de Tropa de Elite) e estrelado por Wagner Moura (sim, o Capitão Nascimento de Tropa de Elite). O problema começa aí! Tem gente achando que vai ver Tropa de Elite na série. A história não tem nada a ver com o que vimos nos filmes de Padilha, até porque, o país é outro, a cultura é completamente diferente e, claro, Pablo Escobar não é um personagem da ficção, ele existiu e sua história é mais real do que a da sua vida, por exemplo. Para assistir uma série documental que conta a história de uma pessoa que fez história com as próprias mãos, você precisa abrir sua mente e deixar seus preconceitos de lado!

os atores e os personagens de narcos

Muito tem se falado, e reclamado, com relação aos atores que estão atuando na série. Vamos parar de palhaçada hein? Todos os atores americanos que interpretam policiais, profissionais da CIA, da embaixada americana e diversos outros, são ótimos. Achei a escolha super caricata, sem dar destaque demais aos atores e personagens e mais ao contexto da história. Vou explicar: quando você mostra uma série documental sobre um país verdadeiramente latino, como a Colômbia das décadas de 1980/1990 (entenda verdadeiramente como uma época que não existia a globalização e a influência da internet, todos éramos mais isolados do mundo), você precisa mostrar os choques culturais. Naquela época, um americano morando em um país latino, chamava muita atenção, muito mais do que hoje.

Por isso, trazer atores com uma cara bem “americanizada” mesmo, com um trejeito bem marcante, uma dicção bem puxada e uma característica física bem marcante, faz total diferença na história. José Padilha faz isso muito bem. Claro que o Wagner Moura enfrentou preconceitos de colombianos. Pablo Escobar é um Deus em muitos locais na Colômbia, até hoje, e eles acharam um absurdo que um brasileiro foi escolhido para o papel. Mas, o problema, é quando brasileiros começam a caçar pelo em ovo para reclamar do sotaque de Wagner Moura como colombiano. A série é documental, conta uma história verdadeira, mas é entretenimento, ou seja, não tem obrigação alguma de ser fiel à sotaques e afins. Parem de reclamar de coisa desnecessária, apenas parem!

Pablo Escobar

Pablo Emilio Escobar Gaviria nasceu em 1949 em Medellín, Colômbia e morreu em dezembro de 1993, em sua cidade natal, com o título de maior, mais poderoso e mais ambicioso traficante de cocaína da história. Ele começou o que viria a ser uma das mais bem-sucedidas carreiras criminosas da história na adolescência como ladrão de carros na cidade de Medellín, Colômbia. Ele entrou no negócio da cocaína e começou a construir seu poderoso império das drogas na década de 1970. Durante os anos mais prósperos, ele chegou a faturar cerca de um milhão de dólares por dia de seus revendedores.

Na década de 1980, Escobar tornou-se conhecido internacionalmente e sua rede de distribuição de drogas ganhou notoriedade. Dizem que o Cartel de Medellín era responsável pela maior parte das drogas que entravam no México, Porto Rico e República Dominicana, com cocaína comprada principalmente do Peru e da Bolívia, já que a cocaína colombiana era de qualidade inferior. O produto de Escobar chegou a muitos outros países, principalmente nas Américas, embora há quem diga que ele conseguiu chegar até mesmo à Ásia.

No auge de seu império, a revista Forbes estimou Pablo Escobar como o sétimo homem mais rico do mundo, com seu Cartel de Medellín controlando 80% do mercado mundial de cocaína. Sua organização tinha aviões, lanchas e veículos caros. Vastas propriedades e terras eram controladas por Escobar durante esse período, onde ele ganhava uma soma de dinheiro quase incalculável. Estima-se que o Cartel de Medellín chegou a faturar cerca de 30 bilhões de dólares por ano.

A guerra contra Escobar terminou quando ele tentava iludir mais uma vez o Search Bloc. Usando uma tecnologia de triangulação de rádio fornecida pelos Estados Unidos, um time de especialistas em eletrônica colombianos o encontrou em um bairro de classe média de Medellín. Um tiroteio entre Escobar e o Search Bloc então ocorreu. Alguns acreditam que atiradores de elite participaram da operação. A forma como Escobar foi morto neste confronto foi bastante questionada, mas sabe-se que ele foi encurralado num telhado e levou tiros na perna, nas costas e, o tiro fatal, perto do ouvido. Mais tarde, o filho revelou que Pablo Escobar matou-se com um tiro na cabeça para não se deixar capturar pelas autoridades.

Pablo Escobar Netflix

Wagner Moura já voltou para a Colômbia e deve aproveitar o tempo antes das gravações para aprofundar seu espanhol e se reconectar com Medellín, cenário da história. Parece que ele está muito preocupado com as críticas com relação ao seu sotaque já que, inevitavelmente, seu nome ficou muito mais evidente no entretenimento mundial. Vale lembrar que o ator chegou a morar por um ano no país e fez um curso na Universidad Bolivariana para tentar dominar a língua. Eu achei o espanhol dele bem OK para quem nunca havia feito nenhum trabalho latino, achei a atuação fantástica e a caracterização do personagem impressionante! Wagner, pode continuar que tá maneiro! 🙂

Para os ansiosos que não estão se aguentando, como nós, saibam que as gravações da segunda temporada começam agora em outubro de 2015 e que não se sabe qual será o destino da série. A morte de Escobar está muito próxima no ponto da história que a primeira temporada terminou, por isso, espero que eles continuem contando histórias pós-Pablo a partir da terceira temporada. O histórico do narcotráfico na Colômbia e em outros países latinos é incrível, intenso e cheio de conteúdo para o seriado. O que você acha? Deve continuar pós-Pablo ou não?

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