A fórmula engessada de grandes estúdios tem feito com que muitas produções recorram a streamings para lançar suas novidades. A liberdade de criação oferecida já é algo que vem sendo comentado e podemos perceber em certos lançamentos que chegam toda semana. Project Power, ou Power, como foi lançado, é um claro exemplo de conteúdo exótico e bizarro, que certamente não faria um grande lançamento nos cinemas. O filme chega hoje a Netflix e conta uma história repleta de potencial para uma possível franquia no futuro.

A história introduz uma espécie de novo universo de super-heróis, diferentes dos tradicionais da Marvel ou DC Comics. A principal diferença aqui está no fato de que ninguém nasceu com poderes, pelo contrário, são humanos comuns. O personagem de Joseph Gordon-Levitt, por exemplo, é um policial, cansado de não conseguir prender muitos dos criminosos que cruzam seu caminho. Vítima do esquema corrupto da polícia, ele recorre a uma nova droga que circula pela cidade, cujo nome da título ao filme. Corrupção, preconceito racial e diferenças de classes são apenas algumas das temáticas abordadas no drama ficcional lançado pela Netflix.

O Filme

Um poderoso traficante chegou a cidade e resolveu compartilhar uma nova droga. O personagem de Rodrigo Santoro é o que podemos chamar de vilão aqui, responsável por distribuir a pílula amarela brilhante pelos jovens viciados do lugar. Quem a consome, da forma certa, ganha 5 minutos de pura adrenalina e se torna praticamente imortal. O problema está no tempo. Por ter uma duração tão curta, Power estimula seus usuários a consumirem mais e mais, de forma descontrolada. E é aí que as coisas dão errado.

Jamie Foxx sofreu perdas no passado devido a droga e agora busca ir atrás do responsável por acabar com sua vida. As pílulas de “superpoderes” são produzidas e comercializadas clandestinamente, vendidas nos becos e em comunidades mais pobres da cidade. O personagem de Foxx, Art, sabe das consequências do uso da droga. A substância se mistura ao material genético da pessoa e seu conteúdo é proveniente de diversos materiais genéticos de animais exóticos. Quem a consome passa a ter alguns de seus dons (velocidade, camuflagem, força e muitos outros). Ao longo do tempo e do uso, quem a consome descobre seu poder ou enfrenta a principal consequência, explodir e morrer.

Power

O ritmo do filme é frenético e um pouco forçado. A trama de ação demora a engrenar e só depois de quase 1 hora conseguimos entender o que estamos assistindo. A estética combina com o ritmo que a produção busca mostrar ao público. São luzes de neon contrastando com a escuridão dos becos e carros modernos passando em alta velocidade, no maior estilo Velozes e Furiosos. Mattson Tomlin assina o roteiro, que pode ser considerado o maior ponto fraco aqui. Não há uma história, apenas diálogos e muitas cenas de ação. O roteiro é raso e pouco explica, deixando o público confuso e um pouco entediado no começo.

Além dos veteranos de atuação, precisamos dar destaque a Dominique Fishback, que vive a protagonista Robin. Ela começa como mais uma das traficantes de Power, mas logo se vê envolvida em uma trama muito mais complicada do que imaginava. Ela sonha em ser rapper e sabe que por ser negra, moradora de comunidade, encontrará muitos desafios pela frente. Assim como muitos, Robin recorre a venda ilegal das drogas para conseguir dinheiro. Ela vive sob a proteção de Frank (Gordon-Levitt) e em troca lhe fornece algumas pílulas.

Robin cria uma relação paternal com Art, que está procurando a filha. Juntos, eles começam uma missão suicida de tentar encontrar o fornecedor original da droga. A inocência da nova atriz, somada com o estilo badboy já conhecido de Foxx entregam uma mistura interessante e ansiamos por mais.

Power tem potencial para virar uma franquia, mas precisa urgentemente acertar pontos no roteiro. Como filme de ação é um prato cheio, mas para por aí.

Power está disponível na Netflix.

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