Acredita-se hoje, que o Terror chama tanto a atenção do público e crítica não somente em filmes e séries, mas também em livros, por se tratar de um reflexo dos pesadelos sociais. A evolução do Terror passou de monstros aterrorizantes e brinquedos do mal, para algo muito mais sombrio: O nosso psicológico.

Antropologicamente, o Terror é qualificado como biocultural. Que quer dizer, basicamente que ele expõe nossos medos. E por sermos biologicamente evoluídos, acabam absorvendo a influência do meio em que vivemos. Ou seja, acabamos associando o que vemos, com nossa realidade e isso se torna mais profundo para nós.

Historicamente o terror, nem sempre foi ficção. Muito foi fundamentado no folclore e na teologia. Ainda hoje, se pararmos para analisar. “Histórias baseadas em fatos reais”, são muito mais atrativas. Isso porque isso está enraizado na origem do gênero.

Outra vertente, também presente nas raízes do gênero é a que envolve misticismo: Seitas, espíritos, rituais. Isso porque, por mais cético que pessoas possam se intitular, há sempre algo no que acreditar.

Quem nunca amou, contar histórias de terror com os amigos, no escuro?

A sensação de medo nos dá prazer e é por isso que fazemos. Isso é o que afirma a psicóloga Cleise Cinira Porto:

“O sobrenatural orbita na ordem do mistério. Isso faz com que as pessoas queiram desvendar. Elas pagam, assistem e vão até naquele cinema que tem todas as sensações”.

O medo libera no nosso corpo, uma substância química chamada de Dopamina, tal substância é capaz de trazer sensações como o prazer, após a tensão. Como por exemplo o êxtase após uma montanha russa.

Se pararmos para pensar, de tempos em tempo vivemos um pesadelo descrito como moderno, que auxilia na construção de histórias verdadeiramente assustadoras. Um grande exemplo foi a sétima temporada de American Horror Story, que abordou as consequências psicológicas de uma sociedade dividida entre o medo da ascensão ao poder de um extremista e de cultos a este.

EXISTE UMA FÓRMULA?
O escritor André Vianco explica que não há fórmula, mas sim ter a sensibilidade de instigar o leitor a visitar, dentro de si certos lugares obscuros e até mesmo assim, fazê-lo trabalhar seus medos.

É preciso se levar em consideração quando se fala sobre medo, que este é atemporal e que “o medo maior e mais antigo de todos: o do desconhecido.” – diz Lovecraft.

O medo é uma das principais habilidades da evolução humana, e independente do próximo passo que o gênero de terror dê, é preciso ter coragem, pois cada vez mais estará mais perto da nossa realidade e dos nossos pesadelos.

E isso é que faz o gênero ter tanto sucesso, não só o fato de explorar tudo que há de mais profundo na mente humana, mas o fato de evoluir e se adaptar assim como nós.

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