Era a estréia de A sociedade do Anel e eu, cara do interior, tinha juntado dinheiro há alguns meses com a finalidade de comprar o quase recém-lançado Livro do Mestre de d&d 3.0. Fui à capital assistir o filme no cinema, coisa que não existia na minha cidade e, logo após o mesmo, tive a desagradável surpresa de não encontrar meu objeto de desejo na livraria.

 

Como não sabia quando voltaria à cidade, resolvi torrar os quase R$50,00 (bons tempos, hein?!) com outros livros de RPG. Na estante, três opções: GURPS, Vampiro e Castelo Falkenstein. Um amigo tinha o primeiro, outro tinha o segundo e eu não tinha ideia do que era esse tal Castelo. Mas foi como uma daquelas propagandas utópicas da Pepsi, só que em um cenário fantástico. Um ser feérico parou na minha frente e perguntou: pode ser Castelo Falkenstein?! Como não tinha outra opção, peguei aquele livro de capa estranha e nada promissor.

 

Voltei para o interior e, em tal viagem, li mais da metade do livro, completando o feito assim que pisei na rua mal pavimentada da cidade em que morava. Poderia ter sido bom. Mas foi mais que isso: foi a melhor decisão que tomei ao encontrar uma encruzilhada totalmente desconhecida. E explicarei por que.

 

Castelo Falkenstein possui um sistema diferente de todos os outros jogos que conheci na vida. O fator aleatório não é obtido a partir de um dado, mas de cartas de baralho. O que isto muda?! Na prática, quase nada. Continuamos tendo um pequeno fator sorte interferindo na habilidade pessoal de cada um.

 

O cenário é a era Vitoriana, que por si só já é interessantíssima. Se o mestre tiver um pouco de conhecimento de história, pode trabalhar ainda melhor as aventuras. Afinal, é uma era pouco após algumas das mais importantes revoluções da humanidade e pouco antes das grandes guerras mundiais. Os personagens estão, simplesmente, no melhor local para se estar nesta época: a Europa central (no auge dos movimentos de unificação da Alemanha e da Itália). Em um tempo onde as novidades pulavam na sua cabeça em todo momento. É a época das grandes invenções, o uso do vapor como energia, grandes descobertas, enfim, uma revolução cultural e industrial constante. Sim, possui criaturas fantásticas. Todas ligadas à cultura da região, indo do Leprechaum ao Dragão, que neste caso não são aquelas criaturas bélicas da maior parte dos livros de aventura medieval, mas seres extremamente civilizados e agradáveis.

 

gurps

 

Para completar, Castelo Falkenstein me ensinou a realmente interpretar um personagem. Desde que conheci o sistema, incluindo sua maneira singular de fazer buscas, adaptei minha forma de jogar. Deixei de lado as “falas escritas” de cada NPC e passei a interpretar de acordo com o comportamento individual de cada um. Percebi que não é necessário ter uma fala específica para cada coisa, mas apenas entender o comportamento de um NPC para agir, em jogo, como ele agiria na realidade. Nunca mais escrevi uma fala de personagem na minha vida. Passei a fazer tudo como, a meu ver, deve ser: interpretando de improviso cada situação.

 

Em suma, Castelo Falkenstein é meu RPG preferido. Quem gosta só de pancadaria, XP e “upar” infinitamente, provavelmente, não vai gostar. Mas quem gosta de interpretação irá, certamente, adorá-lo. A mensagem que deixo, além de “conheçam Castelo Falkenstein”, é “não tenham preconceito em relação a materiais novos porque eles podem ser muito bons”!

 

Perfil Gest Post

Guest Post

Participação especial na Coxinha Nerd!
Rafael Badia, ex colaborador Coxinha Nerd!
Encontre Rafael Badia!