Hoje os video games são uma das formas de entretenimento mais comuns que existem. E não é apenas uma das mais comuns: é uma das mais lucrativas também. Em 2009, a ESRB (entidade reguladora da indústria nos Estados Unidos), informou que o mercado de games rendeu 10 bilhões de dólares ao longo do ano. A IGN, por sua vez, reportou recentemente que os gamers ao redor do mundo gastam 3 bilhões de horas por semana com esse tipo de diversão.

 

Hoje o mercado está absurdamente diversificado: jogos de pokerjogos de tiro, jogos de esporte e muitos outros nichos são explorados e funcionam como um entretenimento eficaz para muitos. De toda sorte, houve uma crise que poderia ter acabado com essa realidade como conhecemos hoje. A chamada crise de 1983 da indústria dos videogames teve vários fatores; o game de hoje foi um deles. Para se ter ideia, as vendas em 1983 foram de 3,2 bilhões de dólares. Em 1985, chegou à cifra de apenas 100 milhões de dólares – mais de 10 vezes menos. Apenas ao final do ano, com o lançamento do NES nos Estados Unidos.

 

O jogo? ET, o Extraterrestre. Você deve se perguntar: como um filme tão bem sucedido, obra prima de Steven Spielberg, pode ter sido uma das causas da pior crise que a indústria do videogame (que estava no seu início, vale lembrar), sofreu? Vejamos.

 

ET

 

O game foi lançado numa data especial, as festas de fim de ano de 1982. Em apenas cinco semanas após o lançamento as críticas já chegaram – e a demanda foi a zero, com oferta constante. Embora existissem altas expectativas, o jogo vendeu apenas 1,5 milhões de cópias – nem perto das 5 milhões esperadas pela Atari. Para piorar a situação, um sem número de cartuchos foi enviada de volta para a Atari porque muitos consumidores consideravam o jogo como impossível de se divertir com. Alegadamente – e essa é uma das lendas urbanas mais conhecidas da indústria dos games – vários caminhões contendo cartuchos foram em aterros sanitários no meio do deserto do Novo México (e tais cartuchos lá foram enterrados).

 

O que aconteceu então? Simples, o jogo era “não jogável”. O conceito do jogo era o seguinte: ET estava num buraco o jogo todo. As missões eram repetitivas e a lógica era simples: você tinha que coletar itens para ajudar ET a voltar para casa. A questão é que, para coletar esses itens, você deveria desviar de buracos – e acredite, você caia neles a cada 30 segundos. Não era para menos: o jogo foi desenvolvido em apenas 2 dias. Sim, você leu certo, em apenas dois dias um jogo de videogame (enredo, game play e conexos) foi realizado. Não é a toa que ninguém queria jogar mais o game – e menos a toa ainda que vários cartuchos foram devolvidos à empresa.

 

Como o jogo era terrível e produzido pela própria Atari, a imagem da empresa ficou severamente afetada. No final das contas, a empresa sofreu tanto com as péssimas vendas que… Faliu em 1983. Como dito acima, o mercado apenas se recuperaria dois anos depois graças a um encanador que tirou, literalmente, a indústria do buraco. Mario salvou o que ET destruiu.

 

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