“Há hotéis que incorporam o glamour de uma cidade, mantendo viva a sua história. O Copacabana Palace é um deles. basta um rápido passeio pelas páginas do Livro de Ouro do Copacabana Palace para confirmar o status do hotel, dentre os maiores hotéis do mundo”. [Site do Copa]

 

A Copacabana semi deserta, um imenso areal ocupado aqui e ali por casas de veraneio, deixou de existir há muito tempo. Mas ao atravessar a porta giratória de freijó e vidros curvos do número 1702 da Avenida Alântica encontra-se, intacto, um pedaço da história do Rio. Aos 90 anos, o Copacabana Palace conseguiu sobreviver à deterioração do entorno, à despersonalização do turismo de massa e ao desprezo nacional por edificações que tem a charmosa pátina do tempo.

 

Não existe mais o glamour da era em que Ava Gardner, Marlene Dietrich e Rita Hayorth circulavam por seus salões, mas o velho Copa continua lá, como um enclave de resistência à feiura e à mesmice. O hall de entrada recende a um delicioso aroma de capim-limão – fragrância feita exclusivamente para o hotel. Enquanto se registram, os hóspedes recebem uma toalhinha aromatizada por rodelas de laranja-lima. Ninguém mais fuma nos ambientes fechados, mas o emblema da casa continua a ser rigorosamente impresso no pó de mármore dos cinzeiros de pé de ferro.

 

 

Pequenos requintes desse símbolo da hotelaria carioca, erguido pela família Guinle em 1923 e comprado pela companhia Orient-Express em 1989 por 23 milhões de dólares. Desde então, a empresa já investiu quatro vezes mais em melhorias. Em 2007 foram gastos mais 12 milhões de dólares na criação de 22 novos quartos no anexo e um elegante bar à beira da piscina.

 

Destino de chefes de governo, reis, rainhas, estrelas do cinema e astros da música por sucessivas décadas, ele se mantém na rota das celebridades. Há alguns anos, o presidente francês e sua esposa reservaram um lugarzinho no 6º andar para passar o natal. Este andar possui atrações desconhecidas até por frequentadores habituais, como a piscina de pastilhas negras.

 

Como a história de certos países, o Copa teve de mudar para continuar o mesmo. Desde a venda, os 222 apartamentos do hotel, condensados num terreno relativamente pequeno, de 10.000 metros quadrados, foram reformados, numa daquelas obras que parecem eternas. As camas, no modelo boxe, feitas sob medida por uma firma americana, são tão confortáveis que Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, convenceu a gerência a lhe vender uma em 2006.

 

 

Receber os hóspedes do sexto andar é a função da inglesa Anne Philips, exímia nos protocolos da realeza e em atender a excentricidade dos VIPs. “Discrição e pontualidade britânica”, diz a inglesa sobre sua tarefa. O jornalista Roberto D’Ávila, hóspede-morador disse: “Ele não é só um guardião da memória do Rio, mas do passado político e cultural do país”.

 

Um hotel de estirpe é como uma mulher bonita já na fase pós-quarenta: exige manutenção constante. No Copa, existe uma funcionária só para tirar as marcas de dedo dos corrimãos de latão dourado. Outro tem como missão afugentar os pombos que tentam pousar junto à piscina semi-olímpica – aquecida a 30 graus no inverno, se é que se pode usar esta palavra no Rio de Janeiro. Hoje, existem 55 pessoas com o cartão piscina do Copa – gente que paga entre R$ 7.500,00 e R$ 10.000,00 por ano para nadar lá. No verão, esses frequentadores são brindados, de hora em hora, com fatias de frutas e toalhinhas geladas para o rosto. “Criamos novidades o tempo todo”, explica a gerente-geral. “O hóspede tem de sair encantado”. Isso vale para um rei árabe, um roqueiro e um menino de férias.

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