“CLAIRE ERA O SEU CORAÇÃO” – IAN MURRAY

Seis anos se passaram em Lallybroch desde que Jamie voltou após a Batalha de Culloden. Jamie é procurado pela Coroa Inglesa e tem um preço pela sua cabeça. Ian (Steven Cree) e Jenny (Laura Donnelly) junto com a sua família sobrevivem com a recorrente ameaça de soldados ingleses invadindo a sua casa, com Ian sendo levado à prisão e com a certeza de que esconder um traidor do Rei George será algo terrível, onde ninguém será poupado sendo homem, mulher ou criança.

E onde está Jamie? Sozinho. Barbudo, cabeludo e com uma boina marrom para esconder quem ele foi ou é vivendo em uma caverna. James Fraser não está lá. Ele realmente se deixou ir e não apenas fisicamente. O trabalho de Sam Heughan está tão maravilhoso que ele impôs a Jamie um olhar vazio, uma voz fraca e quase ausente, um passo lento e titubeante, como se não existisse mais vida nele e durante o episódio eu tive a impressão até de que ele havia encolhido de tamanho. E a sua irmã coloca muito bem isso quando fala para ele que não precisa mentir para os soldados ingleses, porque James Fraser realmente não está ali, aliás, ele nunca voltou de Culloden.

Jamie não quer sentir, porque sentir dói demais, então ele vive uma falta de conexão de emoção com as pessoas que o amam. E isso é nítido não apenas em seu relacionamento com Jenny, mas também com Fergus (Romann Berrux), que continua a enxergar no seu Milorde, o seu herói. Em um dialogo entre eles, Fergus chama Jamie de covarde e não sem razão.

Fergus foi encontrado em um bordel de Paris por Jamie, enquanto roubava de alguns clientes. Mesmo sendo uma criança, Jamie o contratou para roubar cartas e assim poder espionar a correspondência do Príncipe Charles Stuart.

Depois Jamie levou esse mesmo garoto para morar com ele e com Claire criando um vínculo familiar. Fergus foi à guerra e lutou a sua batalha em Prestopans matando inclusive um soldado inimigo. Para Fergus, Jamie sempre foi a figura de heroísmo e coragem, e essa nova realidade de Jamie o revolta e decepciona muito.

Jenny está mais uma vez grávida e Jamie chega para ajudar na contabilidade já que Ian encontra-se preso. É muito triste ver Jamie segurando o seu sobrinho recém-nascido no colo e lembrando-se que Claire partiu carregando o seu filho em seu ventre e que ele jamais poderá ver ou segurar o seu filho algum dia.

Sua irmã diz o quanto ele fica bem segurando uma criança nos braços e como é triste que ele não tenha os seus filhos. Jenny diz que faz seis anos que Jamie não tem uma mulher em sua cama, que quando ele voltou disse apenas que Claire estava morta.

Que a empregada da casa, Mary McNab (Emma Campbell-Jones), era uma boa mulher e que cuidava bem do seu filho, poderia ainda engravidar e dar filhos a Jamie. Jamie pede para que ela pare e diz que jamais se casará novamente. Jenny diz que só quer ver ele feliz novamente.

Fergus junto com os outros meninos usa uma pistola que Ian escondeu da guarda inglesa no pombal e mata um corvo por acharem que a ave pode trazer má sorte para o bebê que vai nascer. Os soldados ouvem o tiro e vão até a propriedade procurar pela arma e quem a usou, pois era um crime ter uma arma em casa.

Os soldados chegam no momento em que Jamie está com o bebê no colo, com Jenny que acabou de dar a luz na cama e começam a procurar pela arma. Até que o capitão inglês percebe os panos e objetos usados durante o parto e pergunta onde está a criança.

Jenny diz que teve um parto difícil e a criança nasceu morta, o capitão pede para ver o corpo do bebê quando Mary McNab chega e entrega a arma falando que ela pertencia ao seu marido morto e que tê-la era uma forma de ter algo dele, que a senhora não sabia disso e quando Jenny estava com problemas no parto ela viu um corvo e como ela acredita que seja uma ave que traz azar atirou nela para salvar o bebê, mas infelizmente chegou tarde.

Eles vão embora e Jamie percebe que enquanto ele estiver em Lallybroch todos estarão em perigo constante. Foram momentos de muita tensão e medo vendo os soldados revirando tudo, ameaçando Jenny que acabara de dar a luz e tendo que mentir falando que o seu filho nasceu morto para salvar a todos ali.

Jenny Fraser Murray é uma personagem que me traz vários sentimentos, já senti raiva, antipatia e revolta muitas vezes, mas é impossível não ver a força dela e o imenso amor que ela tem pelo irmão, mesmo tomando atitudes que eu não concorde.

Fergus vai ao encontro de Jamie e percebe que está sendo seguido por dois soldados, inclusive o odioso cabo McGregor, um escocês das terras baixas que agora serve os ingleses. Fergus os faz andar em círculos, os provoca e insulta.

Jamie que está caçando vê e ouve o que está acontecendo, mas sente-se impotente e murmura como em uma oração para que o pequeno tolo corra. Aparecem mais dois soldados, Fergus é pego e o pior acontece quando o maldito cabo McGregor corta a mão de Fergus e o deixa ali para morrer. Ah, Fergus meu Deus!!!

Neste momento Jamie começa a regressar, corre e o socorre como havia visto Claire fazer tantas vezes antes. Ele leva Fergus para casa que é tratado por Jenny que fala que a rapidez dele fez com que o menino ficasse vivo. Ele fala para Jenny que deveria ter feito algo, mas ela argumenta que se ele fizesse seria morto e todos ali também. Então nesse momento Jamie desaba e chora nos braços de sua irmã. Posso confessar que eu também desabei junto com ele?

A conversa entre Jamie e Fergus é muito bonita e sensível onde Jamie diz que por causa dele agora ele tem por quem lutar. Fergus diz que tem sorte e lembra do acordo feito anos atrás entre eles em Paris, que se ele fosse preso ou executado Jamie mandaria rezar missas para ele por um ano, mas se ele perdesse uma orelha ou uma mão Jamie cuidaria dele para o resto de sua vida.

Jamie resolve voltar para a ação, depois de uma conversa com o seu cunhado e amigo Ian, onde ele fala que ainda sente a sua perna que está faltando como se fosse um fantasma e inclusive com muita dor no lugar, sabe que Fergus também se sentirá assim, mas saberá viver sem essa parte e Ian lembrou que Claire era o coração dele, ou seja, Jamie havia perdido mais do que uma perna ou uma mão. Jamie decide se entregar aos soldados ingleses para manter Jenny, Ian, Fergus e o resto de sua família seguros.

Mary vai até a caverna e se oferece a ele. É um momento interessante, que interpreta essa definição mais ampla e mais diversificada de sexo. Ela diz a Jamie que nem todo sexo tem que ser apaixonado, como o sexo que unia dois amantes épicos, como o sexo era com ele e Claire. Às vezes, ele é só sobre duas pessoas que necessitam de uma conexão humana para sentir que estão vivos.

A cena é muito triste, triste mesmo, porque Jamie estava sozinho por tanto tempo vivendo naquela caverna preso as suas lembranças e dores. Sem nenhum contato ou conexão humana. O sexo para eles foi um momento de carinho, consolo e tristeza.

No dia seguinte Jamie aparece em Lallybroch como combinado com Jenny. Ele decide transformar a irmã em uma delatora que o entrega como o traidor da Coroa Inglesa, é claro que Jenny discorda desse plano. Durante a encenação feita na frente dos soldados ingleses, em que os irmãos discutiam, Jenny insistia de que ela nunca iria perdoar o seu irmão por isso. Ele sai preso e ela recebe o dinheiro da recompensa.

Este foi um momento de quebrar corações. Onde Jenny mostra toda a dor, angústia e aceitação em perder o seu irmão mais uma vez.

O episódio foi quase todo voltado a Jamie e sua vida em Lallybroch. No episódio anterior tivemos a história de Jamie sendo vista em horas antes, durante e logo após a Batalha de Culloden, já a de Claire foi passada em meses desde a sua chegada em Boston até o nascimento de Brianna. Neste episódio a vida deles foi apresentada de forma contrária, com o passar de anos para Jamie e com os meses de Claire se adaptando a sua nova vida.

Claire tentou continuar a viver depois do nascimento da sua filha, ela viveu com o coração partido pela perda de Jamie, a tristeza e o luto sempre esteve lá, presente em seus olhos. Há a cena onde ela se masturba recorrendo a memória de Jamie, pois essa é a única forma de estar com ele. E é um prazer triste, onde ela percebe que só isso não é suficiente. Claire não quer somente sexo, mas procura desesperadamente por intimidade, então ela busca Frank.

Até parece que tudo está indo bem, afinal, eles já possuíam intimidade, foram casados e houve amor. E eles são parceiros bem sucedidos na criação de Brianna. Mas quando Claire está com Frank no calor da paixão, ela não consegue olhar para ele.

Frank percebe isso dizendo que antes ela nunca fez amor assim com ele, e que quando ele estava com ela, ele estava por inteiro, já ela estava com outro, Jamie. Confesso que fiquei com pena do Frank da série, da Claire e dessa terrível situação deles.

Claire e Frank podem ser parceiros criando a filha e em outras formas de amor como a amizade. Mas não são parceiros de vida e isso é mostrado quando eles aparecem dividindo o mesmo quarto, mas em camas separadas. E este é um movimento decisivo, que fala muito sobre como o sexo para Jamie e Claire é sim uma forma de intimidade.

Claire toma a decisão de matricular-se em uma Faculdade de Medicina, ela admite que fez parte de algo maior em sua vida com Jamie, mas que isso foi perdido. Para mim, essa foi a parte mais forte da história de Claire e também a mais interessante. Para ela, fazer parte de algo maior não era somente amar, ter uma vida sexual ativa ou ser uma mãe, mas ajudar as pessoas com aquilo que ela sabe fazer de melhor, praticando as suas habilidades médicas.

E não é porque foi a decisão correta para Claire, que será algo fácil de ser feito. Claire percebe isso assim que entra para a sua primeira aula, onde ela é vista como uma pária e sente-se como a indesejável não apenas pelos seus companheiros de turma, mas também pelo seu professor. Ela encontra um aliado em outro indesejável, o único aluno negro no curso de medicina Joe Abernathy (Wil Johnson).

Eles logo se tornam amigos, e outro sinal de que, mesmo que Claire não tenha a intimidade emocional do sexo, ela pode ter outras formas igualmente válidas de intimidade emocional. Como amizade.

A primeira vez que ouvi Claire narrando neste episódio é quando ela decide voltar a estudar e encontrando uma nova saída para ela. Durante algum tempo Claire perdeu a sua voz, lutando para lembrar quem ela era ou quem ela seria agora. Foi muito bom tê-la de volta.

O episódio termina com Jamie sendo levado acorrentado e com Claire caminhando frente a sua nova jornada, parando para dar dinheiro para um músico que tocava gaita de fole. Como no momento em que Jamie volta e tem a visão de Claire cuidando da sua horta, Claire vê Jamie em cada sorriso ou olhar de sua filha, ou seja, os dois estão vivos e são inesquecíveis.

Vinte anos de separação e sofrimento, onde eles estão lutando para sobreviver. Um episódio triste e escrito com muita sensibilidade. Falta muito para o reencontro? Realmente está difícil ver o sofrimento de Jamie e a tristeza de Claire. Eles com certeza não nasceram para ficar separados.

Out¹: Personagem mais odiado até agora nesta temporada o maldito cabo Mc Gregor, jamais o perdoarei por cortar a mão de Fergus e o deixar para morrer.

Out²: Caitriona Balfe, Tobias Menzies e principalmente Sam Heughan estão perfeitos (o que foi aquela única lágrima escorrendo pelo rosto de Sam?), mas tanto Romann Berrux e Laura Donnelly arrasaram nas interpretações deste episódio.

Out³: O que foi a cena de Jamie aparecendo para Claire com a sua bela retaguarda pro jogo? A igreja glorifica de pé! Sinto muito Frank e sou até solidária com você, mas entendo Claire quando não consegue tirar Jamie da sua cabeça.

Out4: Obrigada Claire Fraser e a tantas outras mulheres que lutaram com muita coragem pelo direito de serem ouvidas, poder escolher a carreira e ter o controle de suas vidas.

Texto: Mari Barros

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