Outer Banks é o retrato da Netflix em apostar em séries cuja temática envolva adolescentes e mistérios, mas diferente de recentes apostas,esse show, realmente surpreende.

Mesmo envolvendo os elementos clichês tradicionais, adiciona uma caçada ao tesouro como narrativa central, repleta de adrenalina… Que acarretará em mortes, segredos, conspirações… Elementos que nos prendem do início ao fim, mediante as desventuras do protagonista.

Mas, mais que isso a série nos traz muitas referências à shows dos anos 80/90, tais como The OC, Dawson’s Creek e por que não Os Goonies, que inclusive é referenciado logo no primeiro episódio com a frase: “Os Pogues nunca morrem!”

Criado por Jonas Pate conta, Outer Banks acompanha um grupo de amigos “Pogues”, que logo após um furacão chegar à região, e atrapalhar a temporada e desencadeando uma sequência de eventos, precisarão tomar decisões transformadoras. A busca pelo pai desaparecido de John B., romances proibidos, uma caça ao tesouro e conflitos entre o grupo e seus rivais marcam dias cheios de mistérios e aventuras de que eles nunca se esquecerão.

Se você busca originalidade, já te digo que não há, afinal a própria série é descrito pelo diretor como uma mistura de Friday Night Lights, Dawson’s Creek e Ozark, mas é a fórmula perfeita para o espectador que aprecia o gênero.

Os núcleos divididos entre Pogues (os menos favorecidos financeiramente) e os Kooks (Os milionários) enfatiza a divisão de classes abordada na trama, e o preconceito. No entanto, os personagens considerados Kooks, são praticamente esquecíveis, servindo somente de ponte entre os núcleos, ou para os plots narrativos.

O elenco é realmente muito bom, Charles Esten e Drew Starkey que interpretam Draw e Rave respectivamente dão um show de atuação, vivendo pai e filho, um com a ganância a flor da pele e transpondo tudo e todos para alcançar seus objetivos; o outro, inconsequente, viciado, que busca a todo custo o reconhecimento que precisa para ser feliz. Quando falamos dos Pogues, o quarteto é muito bom, mas o destaque sem dúvida é Rudy Pankow (JJ), que vive marginalizado por um pai abusivo. O casal protagonista vivido por Chase Stokes (John B.) e Madelyn Cline (Sarah) possuem uma química incrível, nos fazendo questionar se não seria real.

A fotografia de Outer Banks é um show a parte, e é indescritível com inúmeros “Sunsets” e cenas em alto mar, o filtro pastel é quase que imperceptível, reforçando o clima litorâneo em meio a uma tempestade, que pode ter passado, mas que para os personagens as consequências persistem.

Existem, obviamente muitos pontos questionáveis, a passagem de tempo é um deles. Não sabemos de fato, quanto tempo foi gasto na temporada, mas nos leva a crer que apenas alguns dias; além disso, o núcleo dos Kooks é praticamente esquecível, no entanto, houveram cenas dignas de ganchos e que deixaram pontas soltas, para quem sabe um possível segundo ano da produção. Pessoalmente, algo que para mim, causou incomodo, foi o número de episódios, 8 seriam suficientes e corrigiriam, talvez, algumas -possíveis- falhas de roteiro.

No mais se busca algo para passar o tempo, de maneira despretenciosa e distrair a mente em meio a quarentena, Outer banks certamente é uma ótima pedida.

Outer Banks já está disponível na Netflix.