O costume não é nosso e a mitologia das bruxas passa longe do Brasil, mas mesmo assim vestimos a camisa anualmente desta festividade anglo-saxã extremamente criativa. Se buscar pela internet, encontrará inúmeras definições para esta celebração, e realmente não se têm certeza de onde ela nasceu, mas segue aqui algumas pequenas explicações sobre o famoso Dia das Bruxas. Originalmente, diz-se que o Halloween não possui relação alguma com bruxas, a data era na realidade um festival no calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de outubro e 02 de novembro e marcava o oficial fim do verão – Samhain significa literalmente “fim do verão”. A celebração do Halloween tem duas origens famosas e ambas foram se misturando ao longo dos anos.

A origem pagã – A celebração do Samhain tinha como objetivo cultuar os mortos. A invasão das ilhas britânicas pelos Romanos acabou mesclando a cultura latina com a celta, sendo que esta última acabou minguando com o tempo. No final do século II, com a evangelização dos territórios, a religião dos Celtas – o druidismo – já havia desaparecido na maioria das comunidades. Pouco se sabe sobre a religião dos druidas, pois não existem muitas evidências escritas sobre ela, tudo era transmitido oralmente de geração para geração. Sabe-se, por exemplo, que as festividades do Samhain eram celebradas muito possivelmente entre os dias 05 e 07 de novembro e que duravam uma semana, dando início ao ano novo Celta. A “festa dos mortos” era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para nós atualmente seriam “o céu e a terra”. Para os Celtas, o lugar dos mortos era de felicidade plena, onde não havia fome e nem dor. A festa era celebrada por ritos presididos pelos sacerdotes druidas, que atuavam como médiuns entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se que os espíritos dos mortos voltavam nesta data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.

Origem Católica – Desde o século IV a Igreja da Síria consagrava um dia para festejar “Todos os Mártires”. Séculos depois o Papa Bonifácio IV transformou um tempo romano dedicado a todos os deuses (Panteão) num tempo cristão e dedicou a “Todos os Santos”, a todos os que nos precederam na fé. A festa em honra de Todos os Santos, inicialmente era celebrada no dia 13 de maio, mas o Papa Gregório III mudou a data para 1º de novembro, dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Mais algum tempo depois e o Papa Gregório IV ordenou que a data fosse comemorada universalmente. Por tradição católica, a festa se inicia com vigília no dia 31 de outubro, passando depois pelas formas “All Hallowed Eve” e “All Hallow Een” até chegar a palavra atual “Halloween”.

A celebração do 31 de outubro, muito possivelmente em virtude da sua origem como festa dos druidas, vem sendo ultimamente promovida por diversos grupos neo-pagãos, e em alguns casos assume o caráter de celebração ocultista. Hollywood já produziu diversos filmes, entre os quais se destaca a série Halloween, na qual violência e assassinatos acabam sendo vistos por crianças, gerando medo e uma ideia errônea da realidade. Porém, não existe ligação desta festa com o mal. Na celebração atual do Halloween, podemos notar a presença de muitos elementos ligados ao folclore em torno da bruxaria. As fantasias, enfeites e outros itens comercializados por ocasião desta festa estão repletos de bruxas, gatos pretos, vampiros, fantasmas e monstros, no entanto isso não reflete a realidade pagã.