Li esta reportagem no blog da Super Interessante hoje, e mesmo sabendo que muitos o acessam, preciso compartilhar com vocês sem tirar e nem pôr, porque quem é nerd hoje em dia sabe da importância deste setor na economia mundial. Os nerds dão dinheiro, fazem dinheiro e rendem dinheiro. Leiam, compreendam e assimilem a quantidade de conteúdo importante que podemos fazer para este mundo nerd-mente globalizado! É simplesmente, incrível! Vamos à matéria:

“Deve ter sido em 2010 que o Maurício Mota da empresa The Alchenists veio falar aqui na Editora Abril sobre transmídia e conteúdo 360° à convite da revista Superinteressante. Maurício é um dos maiores nomes em storytelling. Fundou sua empresa com Mark Warshaw, um dos responsáveis pelas estratégias por trás do conteúdo 360° da série Heroes. Maurício está por trás de diversas ações publicitárias de empresas como Petrobrás, Coca Cola e Rede Globo. Mais do que tudo, ele se considera um bom contador de histórias.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção na fala dele foi o fato de que ter jogado RPG na adolescência se tornou um grande diferencial em sua carreira vitoriosa. Uma carreira que começou quando ele tinha só 15 anos. Nessa época, Maurício criou um kit de ensino baseado em RPG. Ele ia a escolas e feiras vender o jogo Autorias e assim começou sua primeira empresa. O que nos faz lembrar do já batiddo webhit da banda Seminovos “Escolha já seu nerd”.

Você sabe o que é RPG? Se você sabe, pule para o próximo tópico. Caso contrário, vale a pena ler esse parágrafo. RPG é a sigla em inglês para Role-Playing ou “jogo de interpretação de papéis”. A coisa foi criada “oficialmente” nos Estados Unidos por volta de 1974, com o jogo “Dungeons & Dragons”. Nesse estilo de jogo, os participantes criam os personagens que vão interpretar e com os quais vão desenvolver histórias coletivamente. Cada seção de RPG é como um episódio de uma série que pode durar uma semana e ser um fracasso de audiência ou ficar anos no ar. Tudo depende do índice de diversão bruta que aquele grupo de pessoas vai extrair da história jogada. O responsável por criar o roteiro básico da narrativa e por interpretar os personagens secundários é o “mestre” ou “narrador”.

u joguei RPG na adolescência. Muito. Pelo menos dos 10 aos 17 anos. Mais ainda, eu li dezenas de livros de RPG que basicamente te ensinavam como criar uma boa história (e se sua história fosse ruim, seus amigos desistiam do jogo, iam assistir TV e nunca mais voltavam), como desenvolver um personagem (quais suas características principais, suas motivações, seus pontos fortes e fracos) e também te familiarizavam com “mecânicas de jogo”. As mecânicas de cara RPG (GURPSs, AD & D, Desafio dos Bandeirantes, etc) eram a física daquele universo. As regras da vida.

Acho que é por isso que anos depois eu vim parar aqui na Editora Abril e me dei bem criando jogos e narrando histórias multimídia. Mesmo que eu não fosse um gamer tão dedicado como os amigos e designers Diego Sanches e Juliana Moreira, eu tinha varado madrugadas inventando desafios e pensando histórias jogáveis.

Em 1994 jogar RPG não era lá muito sexy ou popular. Palavras como crowdsourcing, transmídia, storytelling e conteúdo colaborativo não estavam na boca de todos os publicitários, gurus e empreendedores. E não havia santo que convencesse os coleguinhas de colégio de que ser nerd (esse negócio de geek não tinha sido inventado ainda) era ultra descolado. Também por isso, é legal perceber que o RPG me deu liberdade para criar, ao mesmo tempo que me obrigou a lidar com regras rígidas que determinariam quais eram os limites daquele universo fantástico onde os jogadores buscavam solucionar desafios.”

Só tenho a acrescentar que, ser nerd não é modismo, é estilo de vida. Somos uma geração antenada, que gosta de ler, pesquisar e entender os “porquês” da vida. Se desta forma, seremos profissionais de sucesso e dedicados, só temos a agradecer nosso gene nerd que se fez presente tão cedo em nossas vidas. Vida longa e próspera aos nerds!

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