“Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se concede, e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro.” (José Saramago)

Impressionante como o ser humano consegue ter memória seletiva para assuntos sérios. Nos últimos tempos, temos ouvido muito sobre o Bullying… Mas esse não é um tema novo, esse é um termo novo para um assunto muito antigo da humanidade.
Você realmente consegue se lembrar de ter vivido alguma época em que não existiu preconceito? Em que não existiu exclusão social ou racial? Você se lembra de ter estudado, quando era criança, que a maioria das guerras da humanidade foi travada em conseqüência de discordância de opiniões?Pois é…

Fácil demais passar a defender uma teoria de “sociedade igualitária” de forma repressora como está se fazendo. Repreender e expor socialmente as crianças que criticam seus colegas em conseqüência de diferenças raciais ou sociais não ensina, castiga, revolta e muitas das vezes, traumatiza mais do que o próprio Bullying praticado.

Para os que realmente acreditam que essa seja a melhor opção para resolver nossos problemas sociais, lembro-lhes do “Bullying adulto”. Muito mais agressivo e traumático do que o Bullying infantil.

O problema é sério e não é somente caracterizado por um ataque repentino de raiva. O Bullying adulto é uma intimidação regular e persistente, geralmente apoiada pela cultura organizacional (quando em empresas) ou cultura regional.

Indo mais além, existem outros tipos freqüentes de Bullying, ainda não comentados pela mídia ou pela população: Bullying de vizinhança (intimidação em conseqüência a comportamentos considerados inconvenientes), Bullying político (imposição da vontade de uma nação sobre a outra, intimidando hábitos culturais já instalados) e Bullying militar (uso de força física ou autoridade para intimidar ou vitimizar outros).

O Bullying está muito mais presente na vida dos adultos do que na vida das crianças, somos nós, pais, amigos, tios, professores, avós, padrinhos, madrinhas (e etc.) que ensinamos às crianças (consciente ou inconscientemente) a forma errada de viver em sociedade.

Não critiquem, olhem para dentro de si.

Não rotulem, se olhem no espelho.

Não bata em seus filhos, isso ensina que problemas se resolvem na agressividade.

Não exija que gostem de você, viva e espere conhecer pessoas que se unam aos seus ideais.

Não somos todos iguais, não somos todos amigos e não somos todos felizes. Mas somos todos humanos, e isso deve significar um pouquinho mais do que qualquer outra característica que queiram nos definir…

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