Nos Estados Unidos, a Black Friday é um famoso evento de liquidação anual, as maiores lojas do país aproveitam este momento para fazer suas renovações de estoque e escoar aquelas mercadorias que ficaram um pouquinho encalhadas. Há uns dois anos que algumas poucas lojas no Brasil tentam fazer o mesmo épico evento, mas porque será que muito tem se falado sobre a incapacidade de obter sucesso aqui no nosso país? Bom, para começar, quem acompanhou de perto toda a situação, como eu, na noite de ontem, pôde observar que todo o planejamento e divulgação das liquidações deram um grande resultado: sites fora do ar, muitas reclamações em redes sociais e principalmente, inúmeros, milhares, zilhões de clientes insatisfeitos.

Não somos conhecidos como um povo muito organizado economicamente, por isso é de se estranhar que tanta gente estivesse tão determinada assim a comprar muitas coisas em uma data que nem o pagamento saiu ainda. Mas diga-se de passagem, temos a mania de agir como fãs número 01 dos Estados Unidos, e esta é mais uma de nossas atitudes de tietes. Não quero que pensem que sou contra a Black Friday, gosto, acompanho, compro mesmo, faço a festa como a maioria das pessoas, mas não gosto de ser tratada como gado – e é isso que está acontecendo aqui, assim como acontece por lá.

A situação acima aconteceu na Black Friday do ano passado, nos Estados Unidos e vocês podem observar bem o tratamento que as pessoas recebem. Não é porque o país é de primeiro mundo, que tudo é uma maravilha perfeita – vemos isso diariamente nos jornais. As lojas fazem a liquidação e se utilizam de produtos que chamam a atenção das pessoas desde sempre – para os jovens, uma apelação em eletrônicos e games é o melhor caminho. As pessoas se machucam, se agridem, se maltratam por um simples objeto de desejo – depois dizem que foram os Maias que previram o fim do mundo, o caos já se instalou e ninguém percebeu.

Aqui no Brasil, durante todo o dia de ontem, o site oficial da Black Friday, patrocinado pelo Busca Descontos [um dos mais famosos sites de busca por preços de produtos aqui no Brasil] fez contagem regressiva a partir de um reloginho em sua página principal. Eu acompanhei os últimos minutos da contagem e os primeiros minutos do evento. Quando faltava exatamente 01 minuto para a meia noite, o site simplesmente saiu do ar e só retornou depois de 01 hora da manhã. O site da Loja Americana que também colocou um reloginho contando o tempo para a grande promoção, simplesmente truncou e ficou assim por todo o dia de hoje. Eu tentei realizar algumas muitas compras no site, mas nunca conseguia passar da página do produto. A mensagem de erro pipocava a todo momento em minha tela.

Uma historinha legal que aconteceu comigo hoje foi a seguinte: eu queria comprar o livro Dona Benta: Edição Especial Completa de receitas. O livro, para os que não sabem, custa R$ 129,00 nas lojas americanas. Bom, quando começou o dia, por causa da Black Friday, meu querido livro estava custando apenas R$ 15,00. Durante toda a manhã tentei comprá-lo, mas a única coisa que eu conseguia era a mensagem de Bad Request. Depois do almoço, continuei tentando, a página do produto ainda abria, mas o botão de compra não funcionava de jeito nenhum. Para a minha surpresa, depois de algumas horas de promoção, o livro já estava custando R$ 19,00. “Tudo bem”, eu pensei, “o livro custa R$ 129,00, ainda é uma ótima promoção”. Continuei tentando e nada. Agora a noite fui tentar novamente minha compra e para minha surpresa o livro está custando R$ 24,00. Ainda é um preço bom? Claro que é, mas porque diabos as empresas acham que somos idiotas? Que esta pergunta fique no ar.

Bom, neste momento faltam as tais cinco horas [acima] para acabar a grande super promoção brasileira copiosamente intitulada como Black Friday, tudo bem que quase ninguém conseguiu comprar nada, mas a promoção a gente teve. Acho que aqui no Brasil as coisas funcionam assim mesmo né? Se não conseguimos fazer algo tão bom quanto outros países, nos dão um produto meia boca, cobram um preço alto por isso e ainda ficamos com um largo sorriso no rosto. E o pior, ano que vem tem mais, porque, por incrível que pareça, as lojas vão dizer que a experiência de 2012 foi fantástica!

Compartilhe: