Já se passaram 12 anos desde que conhecemos a história dos Jogos Vorazes pela primeira vez. Em 2008, Suzanne Collins nos apresentou ao conceito dos distritos, ao poder da Capital e aos protagonistas que aprendemos a amar (ou odiar). Quando lemos suas palavras pela primeira vez, certamente não imaginaríamos o sucesso que a história de Collins faria, rendendo 4 filmes de gigantescas bilheterias e um novo livro, 12 anos depois.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes pode parecer um nome improvável. Agora, depois de ler todas as quase 500 páginas, entendemos a poesia por trás do título. E se forçarmos ainda um pouco, comparando a versão atual que conhecemos de seu protagonista, o significado das serpentes se torna ainda maior. Mas afinal, vale a pena ler uma história baseada em outra que já encontrou o seu fim? A resposta é sim.

Snow

Chega a ser cômico pensar que o protagonista da nova história de Suzanne Collins é ninguém menos do que o vilão de sua trilogia original. Corionalus Snow causou muito ódio nos fãs quando ainda o conhecíamos como Presidente Snow, o homem por trás dos primeiros problemas enfrentados por Katniss e seus amigos. Ele ainda não existia em seus 18 anos, quando ingressou nesse universo dos jogos pela primeira vez. Ao longo das páginas, porém, um pouco da psicopatia de Snow é explicada, embora não justificada. Os traumas do passado o transformam no homem amargo que conhecemos no futuro e agora sabemos quais são.

Na história atual, Coriolanus tem 18 anos e vem de uma família tradicional na Capital. Muitos ainda não sabem, mas os Snow estão falidos e sobrevivendo de sobras de comida e repolho azedo. Ele é estudante da Academia, uma das escolas mais importantes de Panem e busca ali a esperança de tirar sua família da miséria. Snow perdeu os pais na guerra entre distritos, que acabou há 10 anos no momento em que o livro se passa. Agora órfão, ele é criado pela avó e pela prima, Tigris, que você conheceu no último filme de Jogos Vorazes no cinema.

O amor

A sorte de Coriolanus muda quando a Capital o escolhe para ser um dos 24 mentores que irão estrear nos Jogos daquele ano. Ganhar os jogos significa garantir sua ida para a Universidade e tirar sua família das dificuldades que passa. Não é dificíl imaginar qual o distrito que recai no colo do jovem Snow. O karma já existia naquela época e ele acaba como mentor de uma jovem cantora do Distrito 12, de nome Lucy Gray Baird. Pensar que uma cantora magricela do 12 irá ganhar dos carreiristas do 1 e do 2 parece impossível…mas ele precisa dar um jeito.

Corionalus não contava com um pequeno detalhe: que ele fosse se apaixonar por ela.

O livro

Embora muito previsível em diversos momentos, o livro responde perguntas deixadas pela primeira trilogia. Todas as pontas do universo de Katniss foram atadas, mas o passado ficou em branco. Em quase 500 páginas, Suzanne Collins conseguiu responder perguntas nunca antes respondidas. Descobrimos, por exemplo, que os jogos não foram sempre aceitos pela Capital, pelo contrário. Botar crianças em uma arena não era algo muito aceito por todos, principalmente por Snow.

Diferente da trilogia original, o foco aqui não são os jogos em si, mas a relação dos personagens. Conhecemos o lado humano de Snow, apaixonado e preocupado com a família. Conhecemos pessoas sem escrúpulos da Capital, como a chefe idealizadora dos jogos, mas também conhecemos bons corações, como o do jovem Sejanus Plinth. Mas acima de tudo, conhecemos Lucy Gray. A menina é o pássaro e a serpente ao mesmo tempo. Ela é ingênua, mas traz o fogo e a coragem de Katniss, disposta a mudar tudo aquilo que não lhe agrada.

Lucy

O ponto chave do livro é a forma como o Snow é mostrado. Ele é um protagonista chato e que se ganha destaque em suas cenas com Lucy Gray. Não podia ser diferente, afinal, sabemos o monstro que irá se criar ali dentro do menino de 18 anos. A autora não podia nos apresentar a um príncipe, visando o que acontece no futuro e ela não o faz. Snow ainda é romântico e puro no livro, mas percebemos em suas palavras e diálogos que há toda uma amargura ali dentro. Momentos chave, como a cena em que Lucy canta a famosa canção de Katniss, The Hanging Tree, são verdadeiros plots criados pela autora, que se encaixam muito bem.

Não sabíamos que precisávamos de A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes até enfim conhecermos. Certamente uma ótima maneira de, enfim, concluir uma das melhores séries literárias dos últimos anos.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes já está disponível na Amazon.

LEIA MAIS SOBRE LIVROS