Eu não sou muito de novela, mas acabei assistindo ao Encontro com Silvio de Abreu na Casa do Autor Roteirista da FLIP no sábado, dia 02 de agosto. Ele é um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira, autor de inúmeros sucessos, como Guerra dos Sexos A Próxima Vítima. A mesa me surpreendeu demais, Silvio é um homem prático e livre das amarras da TV Globo, claro, com todo o limite que uma chefia nos permite ter no dia a dia do trabalho. Ele é um homem extremamente inteligente, objetivo e racional, mesmo quando escreve cheio de emoção. Silvio disse alguns de seus truques para escrever novelas bem humoradas com fundo dramático, leia um pouquinho abaixo.

Silvio já começou a mesa dizendo que sua novela Guerra dos Sexos foi quase que um divisor de águas na história das novelas das 7. Ele, com assistência de Jorge Fernando, criou o modelo de novela engraçada, super bem humorada, para todas as idades. O autor contou como começou sua carreira, desde a entrada na TV Tupi, passando pelas iniciais experiências na TV Globo, até hoje. Ele é considerado um dos maiores roteiristas da TV brasileira, e tem sucesso escrevendo, supervisionando e renovando a lista de novos roteiristas de novela.

Achei legal que ele falou bastante sobre supervisão de novos roteiristas, ele acha que é importante demais você saber supervisionar os novos a partir da ideia da própria pessoa e não a partir do que está na mente do supervisor. A pessoa precisa se renovar e estar aberta a enxergar o que o autor tem de melhor para utilizar e refinar, até o ponto final de uma história. Achei essa definição de supervisão, aos olhos de Silvio, simplesmente fantástica. Acho que teríamos ótimos novos profissionais em diversas áreas se, todos os mais experientes, tivessem essa humildade de supervisionar sem alterar o raciocínio único do novato!

silvio de abreu

Silvio relembrou o infarto de Paulo Autran durante a gravação de Guerra dos Sexos. De acordo com ele, esta foi a primeira grande provação que ele teve durante uma novela – ele teve que, simplesmente, remanejar todo o roteiro  para um rumo de história que não havia sido planejado. Outro exemplo foi em Belíssima, a Glória Pires teve hepatite e ficou cinco semanas afastada das gravações, desta forma, ele precisou preencher o roteiro com outros detalhes pensados de última hora, mas que fizeram com que a audiência aumentasse exponencialmente.

De acordo com o autor, novela é entretenimento e mesmo podendo trazer reflexões e assuntos racionais, ela precisa, obrigatoriamente, se comunicar com o público de forma emocional. Ele acha que novelas que se utilizam de temas racionais demais, não pegam público e acabam por não ser um sucesso completo. “As pessoas acham que fazer comédia é fazer bagunça…”, disse ele, “…mas não é!”. Silvio falou sobre o embasamento que uma comédia precisa ter, de acordo com ele, o drama precisa ser palpável pelo espectador, somente com uma história crível é que conseguimos fazer comédia que agarra o público como um todo!

Foi uma conversa incrível, uma mesa que nos fez rir e meditar sobre a qualidade da comédia brasileira, realmente. Será que a comédia bagunçada vai perder espaço cada vez mais para aquela comédia mais profunda e que toda nossos corações de uma forma diferente?