DEPOIS DE SÉCULOS OS ARCTIC MONKEYS ESTÃO DE VOLTA!

Desde o lançamento do álbum AM (2013) Arctic Monkeys não lançava nada. Os anos passaram, os projetos solos avançaram e nada do grupo britânico voltar à ativa. Até que 2017, mais especificamente o meio de 2017, chegou e os boatos do possível retorno foram surgindo com cada vez mais força. Após alguns shows anunciados entre o fim de 2017 e o começo de 2018, a banda anunciou o lançamento do sexto álbum de estúdio.

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Tranquility Base Hotel & Casino acabou de ser lançado e é diferente de tudo que os Arctic Monkeys já produziram em toda a existência da banda. É muito bom e cheio de conceitos, o que pode torná-lo difícil de agradar ao passo que deve agradar aos fãs de paladar mais apurado. O álbum é todo feito sob a influência de clássicos do cinema distópico como No Mundo de 2020 (de 1973), 1984 (1984) e 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968).

Abaixo trago a minha famosa breve review sobre o álbum:

  • Star Treatment:

A música que abre o álbum já nos pega de jeito. A sua sonoridade, o uso baixo de guitarras e uma leve (quase imperceptível) pincelada em Do I Wanna Know? deixa a música gostosa de ouvir. Em sua letra, Alex Turner deixa claro seu desejo por ser da banda The Strokes, uma das maiores inspirações do Arctic Monkeys, além de algumas referencias distópicas como o livro de George Orwell1984.

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“I just wanted to be one of The Strokes
Now look at the mess you made me make
Hitchhiking with a monogrammed suitcase
Miles away from any half-useful imaginary highway
I’m a big name in deep space
Ask your mates but golden boy’s in bad shape
I found out the hard way that here ain’t no place for dolls like you and me
Everybody’s on a barge floating down the endless stream of great TV
1984, 2019.”

  • One Point Perspective:

A voz de Alex Turner quando colocada de forma evidente em uma música a transforma. A doçura que o cantor traz às canções é algo digno de ter um texto todo apenas para falar disso. Voltando à One Point Perspective, a música tem a presença também de piano e em sua letra traz a melancolia que nos invade quando percebemos que nossos sonhos de criança não vão ser todos realizados.

“Just as the apocalypse finally gets prioritized
And you cry some of the hottest tears you ever cried
Multiplied by five
I suppose a singer must die.”

  • American Sports:

American Sports é uma narrativa distópica sobre as pessoas e seus hábitos comparados aos habitantes fictícios da Lua. Uma viagem muito bem contada com uma trilha sonora leve até certo ponto, mas bastante sombria. Uma das melhores músicas do álbum.

“And I never thought, not in a million year
That I’d meet so many Lola’s
Can I please have my money back?
My virtual reality mask is stuck on ‘Parliament Brawl’
Emergency battery pack just in time for my weekly chat with God on videocall.”

  • Tranquility Base Hotel & Casino:

A música homônima ao álbum, Tranquility Base Hotel & Casino, fala sobre um hotel e casino (obviamente?). Não! A ideia do casino não é necessariamente falar do estabelecimento, que novamente refere-se à Lua, mas é uma observação política. A quarta canção do álbum tem o uso de piano, porém de forma mais forte, mas não tão agudo.

“Good afternoon
Tranquility Base Hotel and Casino
Mark speaking
Please tell me how may I direct your call?.”

  • Golden Trunks:

De toda a exploração de Alex Turner e cia no álbum, Golden Trunks é a mais “sem identidade”. Não parece com nenhum álbum antigo, não parece com nada do The Last Shadow Puppets, muito menos segue a ideia do novo álbum… Lendo isso você deve estar pensando “Como assim, miga?”. O uso dos instrumentos está mais grave nesta canção, além da voz de Turner estar um tanto sobreposta e baixa. Em sua letra, porém, a ideia segue inalterada: mentiras inalcançáveis.

“The leader of the free world reminds you of a wrestler wearing tight golden trunks
He’s got himself a theme tune
They play it for him as he makes his way to the ring

And in response to what you whispered in my ear
I must admit sometimes I fantasize about you too.”

  • Four Out Of Five:

Four Out Of Five é uma das músicas que já haviam sido apresentadas em shows recentes do Arctic Monkeys e deve ser uma das mais amadas pelo público. Em sua letra traz uma forma de lamentação bastante sincera, quase que um apelo para que as coisas não acabem ou caiam no esquecimento.

“Take it easy for a little while
Come and stay with us
It’s such an easy flight
Cute new places keep on popping up
Since the exodus it’s all getting gentrified
I put a taqueria on the roof
It was well reviewed
Four stars out of five
And that’s unheard of.”

  • The World’s First Ever Monster Truck Front Flip:

A forma com que o piano é tocado no começo da música se assemelha ao grupo Foster The People e esta é a diferença desta canção. A música não fala de um caminhão ou um caminhão-monstro, mas sim de um armazenamento de informações tão grande (celular, computador, etc.) que as pessoas acabam se prendendo à ele e se tornando dependente.

“You and Lizzy in the summertime
Wrapping my tiny mind around a lullaby

There are things that I just cannot explain to you
And those that I hope I don’t ever have to.”

  • Science Fiction:

Talvez o título mais condizente com o que é a obra por inteiro, Science Fiction é totalmente baseado no filme O Mundo Por Um Fio (1973). Alex Turner contou em entrevista que ele e seus amigos estavam assistindo ao filme e ele resolveu escrever algo com base nele. A melodia e arranjos instrumentais são bastante melancólicos e soam muito como aqueles sons para representar alienígenas em filmes.

“Religious iconography giving you the creeps?
I feel rougher than a disco lizard tongue along your cheek
The rise of the machines
I must admit you gave me something momentarily
In which I could believe
But the hand of harsh reality’s un-gloved
And it’s on its way back in to scoop you up
But not on my watch.”

  • She Looks Like Fun:

Apesar do nome, She Looks Like Fun é sobre a internet. É através dela que compartilhamos nossas ideias, criações e mensagens, tal qual estou fazendo agora. Mas, é também através dela que podemos ser enganados por conta das milhões de possibilidades que ela nos trás. O alerta da canção fica para com os anônimos e para a pergunta Até que ponto somos idiotas na internet?.

“Smile like you’ve got a straw in something tropical
I’ve got the party plugged right into my skull
Wayne Manor, what a memorable N.Y.E

(She looks like fun)
Good morning
(She looks like fun)
Cheeseburger
(She looks like fun)
Snowboarding.”

  • Batphone:

A penúltima música do álbum trata-se do Batman, obviamente. Negativo! Mais um título que nos parece óbvio, mas na verdade é uma metáfora. Batphone é sobre o uso excessivo ou obsessivo das tecnologias e das mídias nelas contidas. Esse álbum é, definitivamente, um álbum crítico ao mundo tecnológico e aos seus impactos na vida das pessoas.

“I’ve recognized the glow of your low beams numerous times
I’ll be by the Batphone if you need to get a hold
Making a selection
Opening credits roll
Panoramic windows looking out across your soul.”

  • The Ultracheese:

E é na última música que Alex Turner mostra de forma explícita o quão contra (ou cheio d)essas tecnologias ele é (está). Ele relembra do tempo que não existiam essas tecnologias todas de hoje em dia e revela alguns hábitos antigos. Não, ele não é um velho, muito menos um velho chato. Eu concordo com ele em várias das críticas que ele fez, principalmente quando ele fala sobre o uso excessivo de tecnologia.

“Still got pictures of friends on the wall
Suppose we aren’t really friends anymore
Maybe I shouldn’t ever have called that thing friendly at all
Get freaked out from a knock at the door
When I haven’t been expecting one
Didn’t that used to be part of the fun, once upon a time?
We’ll be there at the back of the bar
In a booth like we usually were
Every time there was a rocket launch or some big event.”

Ouça abaixo:

De forma geral eu amei muito o álbum. Sua sonoridade, criatividade e inovação me trouxeram sentimentos indescritíveis. Além disso, o uso das distopias me fez colocar a mente em prática novamente para pensar nos excessos que temos para com algumas coisas. A busca pelo real sentido de alternativo e indie fica explícita já que não há nenhum hit ou foi feito para se destacar no mainstream. É um álbum bem feito, calculado e sincero.

Não sei nem qual é a minha música favorita. Genial, Alex Turner. Genial, Arctic Monkeys.

Observação: as letras e algumas bases para explicação foram retiradas do site Genius. 

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