M.U.R.S. – Um smartshow e uma reflexão!

-por , em 16/11 -
M.U.R.S. – Um smartshow e uma reflexão!

O grupo catalão La Fura dels Baus é conhecido por ter performances ousadas, onde o público é levado a interagir constantemente e, das quais, não é possível sair sem “alguma coisa” se agitando por dentro da sua mente. Só essas características já tornam esses espetáculos incríveis! Mas, pude participar da nova performance, que está de passagem pelo Brasil – M.U.R.S. – e fiquei “pilhada” por horas! kkkkkk

Comentada como um tipo de versão física da série “Black Mirror”, o espetáculo desta vez não só nos exigiu participar fisicamente, como também virtualmente! Conectados a um APP (gratuito e próprio), por meio de nossos smartphones, fomos imergidos em um mundo “incomodamente” similar ao nosso. Como assim? Bem, deixe-me tentar explicar…

Todo o espetáculo está dividido em quatro ambientes, classificados por cores. Num primeiro momento, fomos convidados à, todos juntos, conhecer cada um e testar sua interação com o app, que neste momento nos dava um resumo do que era cada sala. Após isso, fomos misturados e separados! Cada aparelho emitia a cor de uma sala e nos dizia que agora eramos a população daquela cor. Eu fui classificada como amarelo, e minha sala primava pelas regras e segurança. Lá fomos saudados por “nosso lideres”, que nos diziam o quanto devíamos seguir as regras e nos ajustar. Mas também nos incentivaram a um jogo e a desejar ser o vencedor dele, a ser uma “pessoa especial” (o que apenas um do grupo poderia ser).

Depois fomos estimulados a ir para a sala seguinte, azul,  que nos separou em “corpos perfeitos” e “corpos imperfeitos”. Novamente fomos incentivados a tentar ser o vencedor ali. E eu me incomodei por ser taxativamente apontada como “imperfeita” e posta de lado, já que uso óculos e sou gordinha (mas fui a única no meu pedaço a fazer o medidor de atividade física que o app apresentou ficar completamente azul, ao contrário dos “perfeitos” selecionados, kkkkkkk).

A sala seguinte foi a vermelha, onde “apostávamos” na bolsa de valores (esse foi o jogo) e tentávamos ganhar mais que todos. Foi engraçado ver a “ostentação” dos privilégios do dinheiro. E então, chegou para mim, a vez da sala verde, onde pudemos ter experiencias de realidade virtual aumentada, vendo flores, frutos e árvores crescerem em nossa telas e diante de nossos olhos (adorei ter de apontar o celular pra cima, para ver a copa da árvore que eu “plantei”). E em meio a todo esse percurso, nossos celulares nos faziam pedidos aleatórios – grite, pule, bata palmas – seguidos de elogios de “você é máximo” quando cumpridos.

E após esse “momento relax”, tudo mudou! Uma grande explosão! Gritos! Pessoas sendo acusadas de estarem infectadas! Um grupo acusando o outro de ser o causador daquilo, mas especialmente o vermelho! Minha tela me dizia para ir a cores diferentes o tempo todo, para me proteger, para voltar ao meu ponto de partida e para correr para outro lugar outra vez! Para fugir dos “infectados”! Para seguir meus lideres! No fim disso tudo, eu fui instruída a voltar a minha cor, mas não consegui… Presa no grupo verde, um discurso forte de que eu não era como eles foi proferido. Fui levada a mudar a cor do meu grupo, aceitar aquela nova realidade ou a ser condenada. Aqueles que se opuseram, foram castigados. Aqueles que se mantiveram e gritaram contra (atores, eu sei), foram arrastados e fuzilados. No fim, alguém tentou nos dar “alguma verdade”, mas foi calado. Uma canção que dizia “Sem você eles não são nada. Sem eles, você é você”, ecoou. E meu celular me disse: “Eu sou o seu smartphone, e você acaba de descobrir que eu posso mentir…”

O que foi isso tudo? O que “cutucou” minha mente? Tudo representou nossa sociedade: os certinhos, donos da razão e do deve ser assim, porque “é mais seguro”. Os que cultuam o corpo. Os que cultuam o poder e o dinheiro. Os “naturebas” e ecológicos. Todos se achando uns melhores que os outros. E todos buscando ser “alguém especial” acima de todos, o Vencedor. Os nossos “lideres”, tentando nos dizer o que “é melhor para todos” e, acima de tudo, a mídia, representada especialmente por nossos próprios aparelhos! Nos levando a nos acharmos “o máximo” por fazermos algo que nos dizem que devemos fazer, a acreditar em verdades passadas pelo outros!

A Reflexão final? Busque equilíbrio! Você não é o dono da verdade absoluta! A sua verdade pode não ser a do outro! E a mídia pode mentir pra você! Então, busque a verdade pelo seu entendimento, e não pelo que te dizem ser a verdade, ok? Beijinhos e até a próxima!

Luciana Fogo
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Luciana Fogo

Chocólatra assumida, sou também uma viciada em livros e totalmente capaz de virar a noite com uma boa história! Mas o meu maior amor é ter INFORMAÇÃO! Pergunte que eu descubro!

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