Um banho na alma do Brasil! O povo brasileiro, os jogadores, os políticos, os famosos, os importantes, os menos importantes (se é que tem alguém assim) e o resto do mundo: todos precisavam e levaram o banho. Futebol é uma paixão brasileira sim, isso todo mundo sempre soube. Mas sabe o que aprendemos nos filmes românticos de Hollywood? Que nenhuma paixão faz um relacionamento durar, que precisa amor, racionalidade, organização e estratégia. A seleção brasileira não é o reflexo da política do nosso país, sou extremamente contra quem faz esse tipo de comparação, mas somos o reflexo de um povo sem foco, sem objetivo e sem estrutura para seguir em frente. Uma vergonha.

Dificilmente eu gosto de falar de política por aqui porque as opiniões são muito pessoais e não acho, realmente, que eu deva discutir meus pensamentos e nem os pensamentos dos outros. Mas, depois de assistir ao maior vexame da seleção brasileira em copas (sim, eu disse copas) do mundo, me sinto quase que na obrigação de colocar para fora o que eu penso. Desde o ano passado que tenho ouvido e lido muito a respeito da política brasileira, da economia, dos hospitais públicos e escolas. Tudo isso tem sido amparado pelo movimento #nãovaitercopa. Bom, politicamente falando, uma coisa nunca teve nada a ver com a outra. Se o brasileiro estivesse mesmo preocupado, desde sempre, não teria comemorado junto com todos os políticos envolvidos, a escolha do nosso país como sede há muitos anos. Mas enfim… Falta foco, como eu sempre falo.

brasil derrota

Essa falta de foco fez com que oportunistas se aproveitassem de um movimento sem muita força para fazer crescer a revolta do nosso povo. Realmente, um povo revoltado com as injustiças consegue fazer a diferença, foi assim na França, foi assim nos Estados Unidos, foi assim em diversas grandes potências. Mas qual a diferença desses países para o nosso? Eles criaram uma estratégia, eles trabalharam e correram atrás da mudança. O que falta em nosso país não são escolas e sim pessoas que queiram estudar. O que nos falta não são hospitais, mas sim médicos que queiram atender seus pacientes. O que falta não são políticos decentes e sim um povo que saiba escolher seus representantes. Não culpe os outros como está sendo feito com a ausência do Neymar, olhe para dentro de si mesmo e tome melhores decisões.

brasileiros

A Espanha voltou para casa e era uma das maiores favoritas ao título, a Itália passou pela mesma coisa, a Colômbia e a Costa Rica foram recebidas em festa pela linda campanha. Quer ver a descrição do que somos para o mundo? Um povo mimado, que não sabe perder e muito menos ganhar. Não fomos expulsos da Copa, fomos para a final, para concorrer ao terceiro lugar. Mas não comemoramos nada disso, sabe porque? Porque somos elitistas, mimados e preconceituosos. Somos um povo mal acostumado, um povo que se vale de um rótulo, um povo que mistura política com futebol, que mistura racismo com educação, que mistura hospitais com festas. Somos um povo confuso por natureza, lindo, alegre e festeiro, mas sem prioridades e boas escolhas. 

Agora só nos resta ver muita gente reclamando mais ainda, mas sem pesquisar sobre quem irá votar. Só nos resta ver mais vaias nos estádios no final de semana, mal perdemos para a Alemanha e já estávamos dizendo que venceríamos a Argentina sem nem pestanejar, assumindo que a rival perderá amanhã também. Isso não é certo, isso não é bonito e, com toda certeza, isso reflete a nossa péssima educação, a nossa péssima estratégia e o nosso tenebroso patriotismo. Bandeira, hino, aplausos, vaias, tudo isso mostra que temos tudo, mas não sabemos utilizar quase nada. Uma vergonha. Não é a política, a educação, a saúde ou a seleção, é o povo que é uma vergonha.

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