Parece que foi ontem que eu estava indo para o estágio na faculdade e meu professor de Tecnologia da Informação (na época, orientador), me parou no corredor e disse: Vai lá no laboratório de informática abrir seu e-mail que te enviei um convite para uma rede social. Você sabe o que é isso?. Várias coisas mudaram depois disso: Eu não preciso mais ir ao laboratório e nem a um computador para ver meus e-mails, rede social virou a primeira palavra que aprendem os nenéns e aquela famosa primeira rede social está prestes a morrer, considerada antiquada demais. Impressionante como as coisas mudam depois de 10 anos. A ciência ganhou espaço, a tecnologia invadiu nossas vidas e ficamos radicais com relação ao que é antigo.

Todo esse saudosismo disfarçado de introdução de texto aconteceu, como a maioria de vocês já sabe, pois o Google anunciou a morte oficial do Orkut, primeira rede social a ganhar o mundo inteiro e revolucionar o caminho da tecnologia em nossas vidas. A partir desta semana, nenhum usuário pode criar novas contas e, no dia 30 de setembro deste ano, 2014, ele será retirado totalmente do ar. A empresa disponibilizou uma ferramenta para aqueles que ainda utilizam a rede possam retirar suas informações como mensagens e fotos! Veja esta pequena declaração de amor do Mário Lemes, autor do Traz do Armário, para a rede social mais vintage de todos os tempos (confesso que saiu uma lagriminha):

fica orkut

Bom né? Pois é, textos assim nos colocam para pensar em como nos tornamos radicais com relação ao passado. Já vi gente falando muito mal do Orkut, dos Fotologs e até da Legião Urbana (não sei porque lembrei disso agora, mas me irrita quando falam mal da Legião). Os ditos novos-hypsters (isso existe?) são aqueles que odeiam tudo o que era moda ano passado e só admiram o que está em processo de lançamento – porque eles são capazes de detestar também o que viralizou (é muito rápido gente, o ódio nasce rápido demais hoje em dia).

Para preservar a memória do site que ajudou a alçar o Google à liderança da internet brasileira, parte do conteúdo das tradicionais comunidades será preservado, mantido de forma estática, como uma espécie de museu do serviço, a partir da data de morte anunciada. Um dos maiores blogueiros da atualidade, o Não Salvo, conhecido por seus momentos cômicos em redes sociais e eventos, começou sua carreira de dominação mundial através da zoeira nas pequeninas comunidades do Orkut. O nome de seu blog nasceu a partir de suas trocentas comunidades apagadas da noite para o dia – Ele não tinha nada salvo. Legal saber que a internet que hoje vicia tanta gente, nasceu de pessoas assim, cheias de vontade de entreter, criando conteúdos divertidos e diferentes!

orkut cris

Eu parei de utilizar o Orkut em 2010, por motivos extremamente pessoais. Mas ainda me pego lembrando, as vezes, de algumas coisinhas que faziam, desta agora saudosista rede social, uma das melhores coisas de todos os tempos. Os depoimentos tornavam a coisa extremamente íntima, por mais que já estivéssemos públicos além da conta. Os scraps começaram e terminaram relacionamentos e as comunidades eram uma forma desesperada de gritar ao mundo inteiro o que realmente pensávamos. Com o “advento do Facebook”, realmente, o Orkut virou o limbo da internet. Mas fizemos questão de transformar nossa nova timeline em tudo o que era o Orkut. Nos aniversários escrevemos depoimentos, compartilhamos imagens de cachorrinhos fofos com corações e mensagens clichês e ainda tem os pequenos vídeos de 15 segundos do instagram que são, agora, um gif animado bem mais elaborado!

Incrível pensar como repetimos os mesmos erros de antes, com mais tecnologia em mãos! Incrível pensar que a maioria das pessoas reclama exatamente do que faz de novo e de novo. Eu sei que, não chorarei a morte do Orkut, ele já está morto em meu dia a dia há pelo menos quatro anos, mas sempre lembrarei de tudo de bom que ele me proporcionou – e foram inúmeras coisas. Bom, de hoje até setembro, ainda veremos muito conteúdo divertido e saudosista, acho que podemos até ver gente marcando festa para o dia D. Vamos curtir essa coisa pós-moderna de matar rede social. Vamos lembrar o quanto amamos batata frita, pipoca, coca cola e brigadeiro, pois com a morte do Orkut, não sei mais se poderemos gritar revelações assim aos quatro ventos.

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