Medianeras, Buenos Aires na Era do Amor Virtual

-por , em 13/02 -
Medianeras, Buenos Aires na Era do Amor Virtual

Olá, pessoas! Inspirada no post do nosso querido colaborador Heavy, que falou do filme 500 dias com ela, resolvi escrever sobre um filme, também, e creio que posso dizer que também não é uma história de amor! Mesmo que acabe com um encontro amoroso. Já assistiram ou ouviram falar em “Medianeiras, Buenos Aires na Era do Amor Virtual”?! Não?! Vem comigo que eu te conto.

“Mas, espera aí?! Você está me falando que é Buenos Aires na era do AMOR Virtual e vem me falar que não é um filme de amor?!” Muitos de vocês podem questionar, mas eu me arrisco a dizer que o enredo é tão profundo e tão bem estruturado, que o amor encontrado ao final do filme (não vou contar, porque seria spoiler, embora esteja com muita vontade, porque é interessantíssimo), se torna muito mais um complemento do que o que realmente o filme quis passar.

Sinceramente virei fã do filme, desde a primeira vez que eu o vi, pois acredito que nos enxergamos muito nele. Ele conta a história de duas pessoas, Martin e Mariana, que sempre se encontram nos seus desencontros, mas nunca se enxergam. Eles vivem na cidade de Buenos Aires, e, na minha interpretação, não se encaixam perfeitamente nela.

Ele, web designer, neurótico, deprimido, passa a maior parte da sua existência (e não vida) na frente do computador. Como ele mesmo diz, ele compra pelo computador, joga pelo computador, procura companhia (inclusive de mulheres) pelo computador e trabalha com computador, ou seja, a vida dele é o computador. Não se conforma com o crescimento da cidade e como foi construída, deduz que isso faz com que as pessoas se isolem cada vez mais.

Martin

Ela, montadora de vitrine, desiludida, terminou há pouco tempo um relacionamento de longa data, se refugia na bagunça de seu apartamento, não usa o elevador (mesmo que se for pra subir 21 andares), seu livro favorito é “Onde está o Wally?”, e o encontrou em todos os lugares, menos na cidade! Tenta descontar todas as suas necessidades e frustrações nos manequins. Sempre é olhada, mas nunca é vista.

Mariana

E os dois vivem no mesmo quarteirão. Estão em busca do mesmo objetivo, um refúgio da solidão, uma companhia mais real, se esbarram, topam, várias vezes durante o filme, mas não se enxergam. É nítido o vazio que ambos sentem, a sensação de que algo falta, a superficialidade das relações com as demais pessoas de seus convívios, a insatisfação, e a promessa de que um dia eu mudo, mas esse dia nunca chega.

É por isso que eu acho que a história de amor que finaliza o filme, é tão secundária, porque o filme conta, nada mais, que a falta de relações fortes e estruturadas que a era virtual nos proporciona, e não consigo não deixar de enxergar a nossa vida moderna (solitária), retratada nos 95 minutos de filme, muito bem arquitetados. E como a felicidade que tanto procuramos, está em coisas muito mais simples que tendemos a pensar que é justamente o que não nos fará bem.

Desencontros e Encontros

E para quem está se perguntando, medianeras são as partes laterais dos prédios, as que não tem janelas e que vira espaço para propagandas. E o filme acabou ficando com o título, para fazer alusão à arquitetura desordenada e de crescimento desenfreado que a modernidade proporciona, já que é uma parte que não tem janelas, é mais um artefato para nos isolar, não só à Buenos Aires, mas para todas as cidades modernas, o que inclui as nossas capitais, também.

Martin Mariana Wally

Então, não deixem de conferir, a história de amor, sim, de Martin e Mariana, sim, mas acima de tudo, a crítica que se estabelece em cima da vida moderna, e como tudo culmina em um estado de isolamento, em um mundo cada vez mais globalizado. Aproximando pessoas distantes, mas afastando da proximidade mais necessária para vida, para as relações, a amizade e por que não falar, do amor!

Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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