UM FILME QUE DEIXOU TODO MUNDO PERDIDO E REALIZADO ATÉ O FIM!

Mãe! (Mother!) é um daqueles filmes que se estendem muito além da sala de cinema, e já se tornou a produção mais controversa do ano. De um lado os que amam e de outro os que odeiam, de uma forma ou outra “Mãe!” mexe com as estruturas do público.

Já fazia muito tempo que não sentia uma agonia tão grande em um filme como experimentei assistindo Mãe! Fui ao cinema sem nenhuma expectativa e sabendo muito pouco sobre a produção. Queria apenas conferir o novo trabalho de Darren Aronofsky, responsável por títulos como O Cisne Negro, Réquiem para um Sonho e Fonte da Vida, e que tem como protagonistas Jennifer Lawrence e Javier Bardem, mas acabei sendo recebido por uma obra intensa e que quase um mês depois ainda me faz refletir sobre ela.

É difícil contar sobre do que se trata o filme, tudo é muito subjetivo, apesar de ter um tema que salta mais aos olhos, se envolver e pensar sobre a trama faz parte dessa experiência. O começo nos apresenta uma mulher (Lawrence) que vive em uma casa isolada com o Marido (Bardem). Lawrence é completamente submissa ao esposo e devotada a casa onde vive, pois está sempre arrumando alguma coisa, pintando alguma parede, enquanto Bardem é um escritor que se encontra com um bloqueio e nada consegue criar, depois do grande sucesso de sua ultima obra. Logo chega à casa um homem misterioso (Ed Harris) que parece tirar a paz daquele lugar, e no outro dia sua mulher (Michelle Pfeiffer), depois seus filhos e dali pra frente nada mais é o mesmo, toda situação começa a sair do controle e o desespero toma conta da mulher e do espectador que a segue a todo o momento.

Aronofsky te leva para dentro do drama com sua direção, a câmera parece estar a todo o momento colocado no ombro de Jennifer Lawrence, a intenção do diretor é colocar o público no olhar da protagonista, e isso só se quebra quando o ângulo muda e temos closes na mulher que conforme o filme avança ficam cada vez mais intensos. Ela nunca sai de casa, e pouco se vê do lado de fora, enquanto Bardem vai e volta, mas não sabemos pra onde e como, já que a casa não parece ter uma saída na sua volta, tudo para te mostrar que aquele é o mundo dela, ao mesmo tempo em que mantém a sensação de claustrofobia para quem assiste ao filme. Ele raramente pede a opinião dela ou parece se importar em fazer o que quer mesmo que isso a contrarie, ele constantemente sai e a deixa sozinha, parece que sempre dá mais importância aos outros.

O filme em seu segundo ato vai ficando cada vez mais angustiante, as situações a que aquela mulher começa a ser exposta vão ficando cada vez mais tensas, e ela reage completamente passiva aquilo tudo, indefesa, implorando que o marido acabe com aquilo tudo, enquanto ele apenas diz que não pode. Já no ato final o filme chega a ser visceral, as cenas ficam cada vez mais fortes e o desespero toma conta, tudo nesse ponto é muito absurdo, a reação do espectador que constrói o filme, as ideias são colocadas em uma segunda camada por Aronofsky, cabe a cada um reagir ao filme, assim como a protagonista.

As atuações ajudam a comandar o longa, Lawrence e Bardem estão fantásticos, e servem como a porta de entrada para história, e são completados por Ed Harris e Michelle Pfeiffer que ajudam a história entrar na loucura que está por vir. Eles não têm personagens definidos, são descritos como o Homem, ou a Mulher, Ele ou Ela, mas eles são cheios de significado, a ideia do que representam é muito mais importante que um nome, e eles são o catalizador para que o espectador se envolva na história.

Mãe! não é um filme fácil, tanto de assistir, como de se conectar com ele, mas para aqueles que estiverem abertos a experiência, ela será inesquecível.

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