Love, Simon chegou aos cinemas em março de 2018 e conquistou o público rapidamente. A história protagonizada por Nick Robinson e baseada no livro de Becky Albertalli foi a responsável pelo mais novo sucesso do Hulu. O streaming ainda não chegou no Brasil, mas é a casa de Love, Victor, uma espécie de spin-off da trama de Simon. O protagonista aqui é Victor, vivido pelo jovem ator Michael Cimino.

Embora muitos pensem que a série trará o mesmo do filme original, apenas contando a história de um personagem diferente, o caminho não segue por aí. Victor Salazar acaba de mudar para Creekwood e é um novo aluno em Creekwood High, a mesma escola de Simon. O que aconteceu no filme tornou-se uma espécie na lenda na escola e Simon, um dos alunos mais queridos. Descobrimos logo nos primeiros episódios que Spier agora está formado e morando em Nova York com o namorado, Bram (Keiynan Lonsdale). Mas não falaremos dele, por agora.

Victor

Victor está se descobrindo, mas sabe quais são seus principais interesses. Ele logo revela sentir uma leve inveja do conto de fadas vivido por Simon, que não apenas conseguiu se assumir e arrumar um namorado, como também foi bem aceito por toda a escola e teve todo o apoio da família. Victor é descendente de colombianos extremamente conservadores e religiosos, ou seja, ser gay é algo que nunca passou pela sua cabeça…até ele conhecer Benji (George Sear).

Sua chegada na escola causa alvoroço nos jovens do ensino médio. Buscando se enturmar e tentar lutar contra si mesmo, Victor logo se envolve em um relacionamento com Mia (Rachel Hilson), uma das jovens mais populares. Ele também se junta ao time de basquete e começa a ganhar mais destaque que Andrew (Mason Gooding), considerado como o melhor jogador. O menino também é apaixonado por Mia, então não é difícil imaginar a implicância que ele toma por Victor.

O novato

Ser o aluno novo não é fácil, principalmente com todas as questões tradicionais que o ensino médio já provoca. Além disso, Victor precisa lidar com questões sérias em casa. Os pais estão passando pela pior fase do casamento e uma antiga traição é descoberta. Como se tudo não fosse suficiente, o menino precisa lutar com os sentimentos que começam por Benji. Ele nega, mas não exita em pedir um emprego na cafeteria onde o menino trabalha.

Diante de tudo isso, Victor precisa de um melhor amigo e encontra em Felix (Anthony Turpel) uma companhia. Mas são os conselhos de um ex-aluno do Creekwood que ajudam Victor nesse momento difícil de sua vida. Não é difícil adivinhar de quem estamos falando não é. Uma dica, ele assina seus emails sempre Com Amor.

A série

O principal destaque da série são os contrastes com a produção original. O contato estabelecido em todos os episódios entre Victor e Simon logo deixa bem claro que o objetivo dos diretores não foi imitar. Simon viveu uma vida maravilhosa e teve o privilégio de ser aceito pela família, emocionalmente estável. A família de Victor está lidando com questões internas sérias, que acabam provocando um distanciamento entre eles. Não há grande apoio emocional como vimos com os Spier e muito menos um ambiente acolhedor para Victor se sentir confortável de contar seu segredo.

Os Salazar são extremamente religiosos, o que fica ainda mais claro quando os avós de Victor aparecem para seu aniversário. Homens nasceram para ficar com mulheres e não com outros homens. Esse é o tipo de comentário que o menino precisa ouvir dentro de casa, no exato momento em que seus sentimentos por Benji começam a surgir. Ele luta contra isso, nega para si mesmo e se força a gostar de Mia. Victor está de longe de viver o conto de fadas da roda gigante que seu conselheiro virtual experimentou.

Love, Victor

Já com uma segunda temporada confirmada, a série termina com um gancho previsível, porém, incrível. É provável que o público se canse um pouco ao longo dos 10 episódios. O casal vivido por Felix e Lake (Bebe Wood) é forçado e dura muito mais do que deveria. Mas o cansaço é também necessário, pois todos os momentos da série são fundamentais para entendermos a complexidade da vida de Victor. Seu relacionamento com Mia, por exemplo, deixa claro o quanto o protagonista precisa enfrentar para conseguir admitir para si mesmo: eu sou gay. E quando ele finalmente o faz, faltam poucos minutos para acabar a temporada. Segure as emoções, pois ainda precisaremos esperar mais um pouco.

Diferente de Simon, Victor não é um personagem tão carismático. Não criamos o vínculo deixado com o protagonista de Nick Robinson. Michael Cimino não convence no papel principal e suas melhores cenas são aquelas em que está com Benji. O casal funciona até mesmo nos momentos em que ambos estão com seus respectivos namorados. É possível ver a química surgindo ali e a falta de expressão de Michael atrapalha um pouco. Gostaríamos de ver mais emoção na tela e isso o seriado deixa um pouco a desejar.

Por fim, Love, Victor é um grande destaque do Hulu e certamente precisa ser vista. Com episódios de 30 minutos e produção de Nick Robinson, os 10 capítulos passam voando e antes que percebamos, acabou. Assim como a história inspiradora, é o tipo de produção que abraça o coração do público e nos deixa ansiosos para saber sobre o futuro, de Victor, Benji, Simon, Felix e todos os outros.

Love, Victor já está disponível no Hulu e não tem previsão de chegar ao Brasil.

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