O final de Lost mexeu com o emocional de muitos fãs 10 anos atrás. A série acabou em 23 de maio de 2010 e trouxe um desfecho um tanto polêmico. Até hoje há quem odeie e quem ame, mas acima de tudo, há quem busque explicações. Em um reencontro que aconteceu em comemoração aos 10 anos, o co-criador da série, Damon Lindelof, e um dos roteiristas, Carlton Cuse, explicaram alguns dos mistérios. 

O que muitos concluíram após o final de Lost é que todos os personagens estavam mortos durante toda a série. Em uma pegada estilo Caverna do Dragão, cujo final nunca foi ao ar, a série teria dado a entender que o reencontro final foi uma forma dos personagens seguirem, enfim, em frente. Mas Cuse negou a teoria.

“Não, eles não estavam mortos o tempo todo. A cena era para servir como um “tampão” entre a imagem final e o intervalo comercial. Eles [os espectadores] viam as imagens do avião sem ninguém lá dentro, o que só aumentou o problema. Lost era um programa sobre gente em uma ilha no meio do nada, mas metaforicamente eles estavam perdidos em suas vidas, [e precisando de] propósito e redenção. [O final] tinha de ser algo espiritual”.

Os personagens

Jack (Matthew Fox) deveria ter morrido ainda no piloto. Lindelof ainda confessou que o rosto de Jack aparecia muito nos comerciais para enganar o público. Ele seria morto no início da trama e todos ficariam chocados. A mudança foi feita por medo do público se importar com a morte de Jack e ficar receoso de criar vínculo com qualquer outro personagem.

Quando todos os personagens se encontram dentro de uma igreja no último episódio, pensamos que eles estavam mortos e iriam “para luz” juntos, após passar pelo purgatório da ilha. Com isso, os eventos na ilha não teriam sido reais, correto? Na verdade não! Segundo os autores, a ilha existiu e todos os momentos vividos nela foram reais. O vôo Oceanic 815 realmente caiu e os seis personagens que conseguiram sair da ilha voltaram para lá três anos depois. Mas há um pouco de viagem sim, afinal, os que ficaram na ilha viajaram no tempo até chegarem ao presente, situado no ano de 2007. Eles se reencontram com os que tinham ido embora e é esse momento que presenciamos.

Purgatório?

Não, a ilha não era o purgatório. Ela representava algo bastante contrário a ideia de punição. A ilha simbolizava uma espécie de coração do planeta. O lugar emanava uma luz no coração de cada pessoa que passsava por lá e ela precisava de um protetor. Jacob assumiu esse papel após a morte de sua mãe e seu trabalho foi assumido por Jack.

Um paradoxo da luz é explicado através do “Lostzilla”. A fumaça negra representa tudo o que há de ruim dentro das pessoas e seu maior objetivo era apagar a luz do bem que cada um trazia. Quem impede que ela saia de lá e espalhe o mal pelo mundo é Jacob, mas seu trabalho não foi tão bem feito, afinal, vidas foram perdidas para a fumaça.

O pós vida

As cenas em que vemos os personagens tendo pequenos flashbacks serviram para mostrar a realidade individual após a morte de cada um. Era uma espécie de além-vida. O local escolhido foi apenas um lugar onde eles precisavam se encontrar. Apenas após enfrentar os problemas do passado, durante o tempo na ilha, poderiam seguir seus caminhos. A igreja simbolizava o ato de esquecer e conseguir seguir em frente, sem as mágoas.

Não houve um tempo específico no momento da igreja. Era uma junção de passado, presente e futuro, pois os personagens morreram em épocas diferentes, lugares diferentes, momentos diferentes. O encontro acontece em uma espécie de brecha no espaço tempo, em que todos já encontraram o desfecho na vida e agora precisam se despedir. Laços importantes foram criados em vida.

Lost foi ao ar em 2004 e teve 6 temporadas.

LEIA MAIS SOBRE SÉRIES