Dica de livro: Caro Morrissey…

-por , em 09/07 -
Dica de livro: Caro Morrissey…

É extremamente interessante a leitura do romance britânico de fino humor Caro Morrissey…, de Willy Russell. O escritor nasceu e vive em Liverpool e trilha uma carreira de sucesso, sendo o autor, entre outros, de dois best-sellers adaptados para o cinema, O Despertar de Rita e Shirley Valentine. Russell cria o fascinante personagem Raymond Marks, que, como ele próprio, é fã devoto de Morrissey desde os primórdios dos Smiths. O livro se constrói por cartas dirigidas ao ídolo, nas quais o jovem Raymond confidencia as poucas sortes e muitas pequenas misérias do cotidiano que vive de um inglês comum de cidade pequena.

Um incidente na adolescência, envolvendo colegas de classe, transformou o rapaz no pervertido local. Isso dá início a uma jornada não muito feliz em uma escola especial e depois, em um trabalho braçal. Corre então o ano de 1991. Raymond escreve cartas a mão no diário ou à máquina. No meio disso, Morrissey lança Kill Uncle, o segundo álbum de estúdio. A história de Raymond constrói-se aos poucos, em idas e vindas no tempo e paralelos e referências a canções dos Smiths. Mesmo sendo uma coleção de situações constrangedoras, esta jornada de maturidade é escrita de forma bem-humorada, com leitura fluida e instigante. Se o leitor também for fã de Morrissey e era jovem nas décadas de 80/90, vai gostar ainda mais do livro.

Um pouquinho de história para vocês: Em 1991 a banda inglesa The Smiths permanece na memória de muitos jovens, e o protagonista desse livro é um deles. Raymond Marks é um garoto como qualquer outro de sua idade; pertence a um grupo familiar convencional, da região norte da Inglaterra, apesar de o pai ter deixado o lar quando ele ainda era uma criança.

the smiths

A herança paterna é a paixão pela música; ele colecionava instrumentos que jamais soube tocar, mas que drenavam todos os recursos financeiros da família, a qual já tinha pouco, pois pertencia à classe trabalhadora. Raymond foi educado por sua mãe, que trabalha muito para sustentá-lo, e pela avó determinada que adora o filósofo Jean-Paul Sartre. Sua rotina não era muito atraente, mas poderia ser promissora. Se não fosse a mudança brutal em sua vida, que entrou em estágio de decadência terrível, porém divertido, justamente na adolescência. Nunca mais sua existência e a da mãe entrariam novamente nos eixos.

Aos onze anos, à beira do Canal de Rochdale, ele e um companheiro de escola estavam jogando o inofensivo jogo do caça-moscas quando seu colega começou a se afogar. Ele impediu sua morte, mas foi responsabilizado pela iniciativa da diversão quando descobriram que os dois estavam no local para a realização desse passatempo. Este incidente o converte no depravado do lugarejo. Como consequência, ele é excluído do colégio e vai para uma escola especial. No futuro, seguindo a orientação dos tios Jason e Paula, que só pensam em tirar vantagem dele e de sua mãe, é enviado para realizar trabalho braçal na apavorante Grimsby, empresa do ramo de construções.

Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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