Dica de leitura: Adormecer do fogo!

-por , em 17/09 -
Dica de leitura: Adormecer do fogo!

Nada como poder indicar aos Coxinhos uma ótima leitura nacional, fantasiosa e cheia de mistérios e suspenses. Estamos falando do livro Adormecer do Fogo do autor Ben Green. O autor é carioca, tem 30 anos e é engenheiro por profissão. Segundo o próprio, sua inspiração para escrever partiu de sua paixão por quadrinhos, RPG e Senhor dos Anéis! Tem como não amar?

Sinopse oficial: Haverá um tempo em que os povos verão os dragões como deuses e as criaturas da floresta como demônios. As guerras se espalharão como pragas. Amigos e irmãos irão se reconhecer somente como inimigos. O mundo se dividirá entre aqueles que creem e os que desprezam as criaturas aladas. Adormecer do Fogo é o primeiro livro da saga do Império a Ferro e Fogo. Tem o início nas montanhas devastadas pelo frio congelante. Quando mulheres são obrigadas a ceder seus corpos à libido de homens brutais. Filhos não conhecem seus pais. Crianças são mutiladas. E o amor, inexistente. Quando a chama sagrada se apaga, só o que lhes resta é atirar-se ao desconhecido e encontrar a salvação. Sabendo que tudo dependerá somente de sua interpretação dos escritos antigos, Ri-zir, a escriba da tribo, se vê na difícil tarefa de guiar um grupo de caçadores em busca de uma nova chama. Através de seu olhar, a história se desenrola ao redor e no interior das personagens. Enfrentando perigosas aventuras e situações impossíveis, passam a questionar o sucesso da missão. E mais ainda, sua própria sociedade bárbara. Rodeados pelo medo da extinção, alguns colocam em cheque os antigos costumes. Será aquela, a melhor forma de se viver? As mulheres devem mesmo ser tratadas assim? Estariam certos ao negarem a si próprios a existência do amor? Quais serão os dois irmãos que darão origem aos dois grandes impérios que se enfrentarão em sangrenta guerra através das décadas? A única certeza é que precisarão manter suas forças diante dos perigos e espantar de vez a sombra mortal.

adormecer do fogo imagem

Sempre que começo uma nova leitura, me pego pensando no que espero do livro. Sem parâmetros, sem noção alguma, só pensando no que a capa me transmite. Muitas das vezes ela não corresponde em nada ao livro, mas no caso deste eu acho que não poderia ser mais apropriada. Confesso que o gênero deste livro, leia-se a história em si, não é de um tema que me interesse normalmente, mas fui me rendendo. Recebi o livro ao participar do primeiro Book Tour do mesmo, produzido pelo próprio autor.

Achei estranho o fato de um livro como o de Ben Green mostrar pessoas em pleno estágio de mudanças, de crescimento. Me deparei com tribos, com gente evoluindo e com pessoas muito atrasadas, sem nenhum artefato senão os que os próprios conseguem fazer. É interessante, na verdade, porque a leitura foge do atual, foge de um romance bobo e te leva ao mundo que nossa era só conhece por livros. O foco da história é a tribo Gha-Laad, que venera o fogo, apesar de não saber como gerá-lo. Seus personagens principais, desta tribo, são Ma-Ghaad e Me-Nec, sendo a primeira, a guardiã da chama que é cuidada por eles pra que não se apague e o segundo, o guerreiro esperado, aquele que faz as lanças e constrói ferramentas. Neste sentido, não é difícil entender a razão pela qual eles tentam proteger a chama no inverno, entre cavernas, em lugares nada próximos da tribo. Pra eles, o fogo é sagrado.

Ao longo do livro, as coisas começam a ficar melhores porque as dificuldades do grupo ao proteger a chama sagrada acontecem. E então me deparei com mais nomes estranhos, como Aixians, grupo que luta com quem encontra pela frente, como se fossem perdidos ou buscassem alguma coisa. Ao menos foi a minha primeira impressão. Com o encontro da tribo e o grupo mais uma luta acontece e a história ganha rumo. Sendo assim, alguns membros de Gha-Laad partem em busca de uma possível nova chama sagrada, mas enfrentam cada vez mais desafios durante o caminho. O que achei interessante foi a escolha dos nomes dos personagens, porque realmente significam alguma coisa. Dos mesmos, o que achei mais interessante foram as personagens denominadas Ma-Fi, porque são responsáveis, na tribo, por usar das energias que possuem a partir de seus úteros pra proteger os seus guerreiros. É isso mesmo, através da energia emanada dos úteros. É legal porque a história é em outra era, mas tem um toque de magia, de crenças, melhor dizendo e todas são úteis pro desfecho da história. Eles passam por mudanças de todos os jeitos, inclusive contestando suas vidas por medo de extinção. Existem mais personagens, mas nenhum tão crucial quanto os citados acima, pra mim.

“Das histórias contadas por Sa-Tûr ao povo da Antiga O-lim. Escritas e compiladas por Co, guardadas como legado da família Ci Co por séculos até a subida ao trono do rei Ri Ci Co. O manuscrito original em pergaminho encontra-se desaparecido desde a época da “Caça aos Bruxos” na Cidade Vermelha, onde vários livros e pergaminhos foram sumariamente incinerados.”

É legal o fato de cada capítulo ser precedido de um trecho que explica de onde vem as histórias, pois você fica na dúvida se a ideia era fazer com que pensássemos que o livro em foi descrito por alguém que estudou as tribos ou se até estes detalhes foram criados pra passar essa impressão. Fora que, pela metade do livro, nota-se um segundo livro, na verdade uma página descrevendo O Despertar do Fogo como segundo livro do ciclo do fogo. Talvez eu não tenha captado a função dessa quase divisão, mas é como se reunisse dentro da história uma série de textos que a completa, lendo de maneira normal.

Tecnicamente, é uma história envolvente. Mas acho que o leitor que não está acostumado, ou melhor, nunca leu nada fora de um único gênero, deve abrir o leque e se deixar levar, porque a história flui e não é chata. Agora, até que você entenda o sentido da história, tudo acontece devagar. Ainda assim vale a tentativa e prende pela originalidade, na minha opinião. Recomendo!

Resenha feita pela Entre Livros

Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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