20 ANOS DEPOIS

Um dos maiores e mais trágicos acidentes naval da história aconteceu em agosto de 2000. O submarino nuclear russo Kursk afundou no Mar de Barents após uma série de explosões. Ambos os governos se mobilizaram para trazer os homens de volta, o que acabou sendo em vão. A história é contada em Kursk – A Última Missão.

Baseado na história do submarino, o dinamarquês Thomas Vinterberg decidiu trazer a trama esquecida da embarcação para os cinemas. O diretor optou por seguir um viés diferente dos tradicionais filmes sobre acidentes no mar. O objetivo de Kursk – A Última Missão é relembrar a vida das famílias impactadas pela tragédia, negligenciadas pelas autoridades russas. Não estamos diante de uma produção de ação, pelo contrário. O foco aqui são histórias e dramas pessoais.

O Filme

O longa alterna entre três ambientes. Temos a visão de dentro do submarino, onde maridos e pais tentam de tudo para voltar para casa. Ao mesmo tempo, o filme nos leva para terra firme, onde esposas e mães imploram por notícias e justificativas do que aconteceu. Por fim, Vinterberg decide nos mostrar a visão daqueles, cujas vidas são influenciadas apenas no bolso. O roteiro introduz todas as discussões de altos cargos no governo, que busca esconder o que está diante dos olhos.

O diretor baseia sua história no livro de Robert Moore, A Time to Die. Assim como no filme, o autor busca dar voz às 118 famílias destroçadas pela perda dos 118 marinheiros. Embora centralize sua trama nos 23 sobreviventes, não há como esquecer aqueles que não resistiram ao impacto das explosões. Os marinheiros partem para uma missão de teste de mísseis nucleares. Graças a condições precárias e total despreparo da tripulação, mal instruída por seus superiores, as armas explodem abordo e levam consigo, milhares de sonhos.

A História

Kursk logo nos revela o cenário do acidente. Os equipamentos usados para o armazenamento de manuseio dos mísseis eram de péssima qualidade. O governo russo, ciente da gravidade e da culpa que tiveram nas explosões, faz o possível para não atrair atenção e ser responsabilizado pelas mortes. Sem condições de resgatar seus marinheiros, são obrigados a recorrer a ajuda internacional. Entra em cena o Comodoro David Russel, liderando a marinha britânica.

O personagem de Colin Firth é a parte humana do filme. Extremamente empático com as famílias e com as situações, Russel está disposto a fazer de tudo para resgatar os homens com vida. E teria conseguido, não fosse a enorme burocracia russa criada para esconder o acidente.

Kursk – A Última Missão

O destaque por parte dos marinheiros fica por conta de Matthias Schoenaerts. Ele interpreta Mikhail, cuja história familiar se torna uma das principais do roteiro. Ele assume a liderança dos 23 sobreviventes, impedindo um surto coletivo a cada novo momento. Ao lado de Oleg (Magnus Millang), conseguem manter o grupo são e esperançoso até os últimos momentos vivos.

As esposas também ganham seu momento de destaque na trama e protagonizam algumas das cenas mais bonitas. Tanya (Léa Seydoux) sofre a ausência de notícias de Mikhail, enquanto carrega o segundo filho do casal na barriga. O pequeno Mikhail quer o pai de volta e a expressão no rosto do menino mexe com as emoções do público. Ao lado de outras mulheres, Tanya move a população contra o silêncio e a negligência do governo.  É a representação do descaso sofrido pelas vítimas e a parte mais delicada do filme.

A produção

Kursk é um filme bonito, carregado de drama e repleto de história. Por ser baseado em eventos reais, torna-se necessário explorar os mínimos detalhes, o que acaba cansando. Há a preocupação de se abordar as três vertentes do acidente e o filme perde muito tempo lidando com a questão governamental. As inúmeras discussões em portas fechadas são repetitivas e o ritmo se torna lento.

.O resultado é positivo, embora sem grandes destaques. Kursk consegue contar a história esquecida pelo tempo, atribuindo uma nova atenção ao acidente. Sem um grande plot twist ou um grande momento na trama, o filme encontra sua cena mais importante nos minutos finais. Fazendo um paralelo entre o interior do submarino e a reação de Russel ao descobrir a ausência de sobreviventes, Kursk encerra sua exibição recheado de emoção.

O filme chegou ao Brasil em 9 de janeiro.


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