ALÉM DO ARCO-ÍRIS

Cinéfilos ou não, todos já ouviram falar no nome de Judy Garland. Seja por sua eterna performance como Dorothy, em O Mágico de Oz, ou por suas diversas apresentações em palcos ao redor do mundo, ela tornou-se uma estrela. Garland foi uma das atrizes mais jovens a alcançar a fama em Hollywood no século XX.

Após inúmeras biografias adaptadas para o cinema, Rupert Goold achou que estava na hora de contar a história de Judy Garland. O diretor desenvolveu sua trama baseada na peça Rainbow’s End, de 2012, cujo enredo conta os últimos anos da atriz. E Goold não poderia ter acertado mais. O filme é não apenas um sucesso, como sua protagonista entrega a melhor versão de Garland que poderíamos ter.

A atriz

Judy Garland chamou a atenção com apenas 13 anos, quando estreou na comédia musical. Ali, a menina mostrou sua voz ao mundo e rapidamente destacou-se pelo timbre único e extensão vocal altíssima. Ainda em 1937, Garland já havia interpretado Esther Blodgett na primeira versão de Nasce Uma Estrela. O longa fez sucesso recentemente, com Lady Gaga no papel da protagonista.

Dois anos depois, Garland ficaria conhecida como Dorothy Gale. Em 1939, a então jovem deu voz a um dos maiores clássicos da música. Somewhere Over the Rainbow foi regrava inúmeras vezes, mas é impossível esquecer a versão de Judy Garland. Em Judy, é com essa música que Renée Zellweger protagoniza o momento mais bonito da produção. Ele chega apenas no final, mas a espera é compensada.

O filme

Judy destaca o abusivo e intenso universo da indústria do cinema da época. Muitos elementos ainda permanecem até os dias de hoje e percebemos quais no desenvolver do filme. Garland viveu uma era triste do cinema falado, onde apenas beleza e lucro eram valorizados. A jovem menina cresceu e se transformou em uma mulher amargurada, viciada em substâncias e nem um pouco preocupada com sua própria vida.

A família

Ao longo dos anos, Judy foi casada várias vezes e deu a luz a três filhos. Liza Minelli seguiu os passos da mãe no entretenimento, tornando-se mundialmente conhecida. Explorada pelos diretores machistas da época, a mulher não conseguia participar efetivamente da criação dos próprios filhos e perdeu a guarda dos mesmos ainda crianças.

Anos depois, a cantora tentou retomar o tempo perdido. O relacionamento com os filhos é destacado no filme e são alguns dos momentos mais emocionantes. Vemos  o desespero e o arrependimento estampado no rosto de uma mãe, que valorizou o público sua vida inteira. Judy deu importância a pessoas erradas e descobriu isso tarde demais.

Renée

Renée Zellweger é a alma que dá vida a Judy. Todo o sucesso do filme deve ser atribuído a atriz norte-americana. Renée vive o melhor papel de sua carreira e provavelmente o mais importante. Acostumada a papeis bobos, em comédias de besteirol, a atriz encara o desafio do protagonismo de uma personagem delicada, cuja história perturbada marcou gerações.

Zellweger consegue arrancar sorrisos e lágrimas do público em uma performance sublime. Basta fecharmos os olhos para imaginar Judy Garland diante dos olhos. Não apenas a aparência física surpreende, como as expressões, os trejeitos e vícios da cantora em cima do palco.

O que temos ali é uma interpretação orgânica e bem estudada de uma das maiores figuras do entretenimento e Renée dá um show a parte. A atriz é forte candidata ao Oscar e não poderia estar em melhores mãos.

Judy

Judy não é uma biografia qualquer. O objetivo do longa é mostrar o caminho obscuro e perigoso seguido pela atriz, que acabou culminando em uma morte precoce. Aos 47 anos, Judy Garland deixava o mundo para se tornar uma estrela no céu. Vemos a decadência de uma mulher que tinha tudo e através do olhar cansado de Zellweger, o filme constrói todas as fases da vida da personagem.

Judy: Muito Além do Arco-Íris estreia no dia 16 de Janeiro de 2020 .


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