Vamos falar sobre Jessica Jones? A série acabou de estrear na Netflix, mas já está dando muito o que falar! Resolvi traçar uma linha que conecta a série e diversos assuntos polêmicos da nossa vida real. Que tal começar com o tema que anda ganhando muito as páginas das redes sociais: Relacionamentos abusivos/possessivos e suas consequências para quem abusa e para quem é abusado, claro! Esqueça um pouquinho a realidade fantástica do mundo dos super heróis e conheça a história dura, através de uma realidade bem chocante de Jessica Jones!

Nota da revisão final: Em breve a Cris vai fazer uma resenha completa sobre a primeira temporada – porque precisa de um tempinho para ser digerida. Mas já adiantamos que a Netflix acertaram muito em cheio na ambientação, na escolha dos atores, no clima do roteiro, nas cores da série, nos figurinos, nos olhares, nas pegadas de câmera, em tudo! Achamos fantástica essa criação do universo e lado obscuro da Marvel.  Mas, calma, não se trata de uma resenha aqui, então, continuemos com o texto da Arthecia! 🙂

Jessica Jones (interpretada por Krysten Ritter), é uma investigadora particular que ganhou seus poderes de foça sobre-humana, após um acidente de carro, quando era adolescente. Seis meses antes da história inicial do seriado, ela conheceu pelas ruas de NY, Kilgrave (interpretado por David Tennant), um homem com poderes especialmente diferentes. Ele pode manipular ações de outras pessoas através do que lhes comanda fazer. Jessica passou seis meses ao lado de Kilgrave, seguindo suas ordens até que, se libertou das amarras e hoje, no tempo da primeira temporada, tenta se recuperar desse período.

Kilgrave não é apenas um vilão com superpoderes, ele é uma metáfora amplificada do que um homem abusivo é, em um relacionamento. Na verdade, se ele não tivesse poderes, ainda assim, seria capaz de causar muitos danos: ele é sedutor, manipula pessoas naturalmente, usa violência e ameaças, chantageia e estupra. Kilgrave também faz vítimas se sentirem culpadas pelo que as obriga fazer. Ou seja, vemos muito disso por aí né?

Jessica Jones

Não é a toa que Jessica sofre de estresse pós-traumático e não consegue confiar em outras pessoas. Isso é super comum para qualquer um que tenha sofrido qualquer tipo de abuso na vida real. A série levanta um assunto que atinge de forma diferenciada os fãs dos quadrinhos e cultura pop. Não é todo dia que uma série nos faz pensar sobre como é difícil lidar com nossos traumas e demônios internos e nos lembra, claro, do quanto – mesmo tendo superpoderes -, podemos ser vulneráveis!

Jessica é uma personagem complexa, que foge de todos os clichês de super heróis que conhecemos. Ela não é fofa, pelo contrário, é braba e cheia dos defeitos! Mesmo citando os abusos e os estupros a todo momento, não vemos isso de forma explícita nos episódios e isso é muito legal, porque podemos lidar com o fato do pós-trauma de uma forma bem angustiante, como a própria Jessica – e os outros abusados por Kilgrave. Se você ainda não fez um maratona de Jessica Jones na Netflix, comece agora mesmo! 🙂 Você não irá se arrepender!