Os Prêmios Nobel 2011 estão sendo entregues esta semana. Até agora, o prêmio de Fisiologia ou Medicina foi para um trio de pesquisadores que descobriu vários aspectos da natureza da imunidade, e o prêmio de Física foi para um trio de físicos que descobriu na década de 1990 que a expansão do universo está acelerando. Essas conquistas são de fato incríveis. Esses vencedores juntam-se a uma lista de alguns dos melhores representantes da humanidade; confira uma amostragem de notáveis ganhadores do Prêmio Nobel do passado, e o que eles conquistaram.

1 – Albert Einstein

Quem melhor para começar esta lista do que talvez o cientista mais famoso da história do mundo? Albert Einstein ganhou o Prêmio Nobel de Física em 1921 por descobrir a causa do “efeito fotoelétrico”. Este é um fenômeno desconcertante de átomos que, quando bombardeados com luz, emitem elétrons. Em 1905, Einstein argumentou que a luz era dividida em pacotes discretos (que hoje chamamos de fótons). Ele teorizou que, quando esses pacotes de luz atingiam os átomos, os elétrons nesses átomos os absorviam, e, com energia extra, se desprendiam.

O fato de que a luz é composta de partículas que são absorvidas e emitidas por átomos foi apenas uma das muitas descobertas revolucionárias de Einstein. Ele também fez as teorias da relatividade especial e geral, e descobriu que a matéria e a energia são equivalentes (tal como consagrado na equação E = mc²). Einstein até escreveu um artigo explicando por que a média da relação do comprimento e distância entre a nascente e a foz de um rio em linha reta é igual a pi.

2 – Marie Curie & Co.

Marie Curie foi a primeira pessoa a ganhar dois prêmios Nobel, e é uma das duas únicas pessoas na história do Nobel que ganhou prêmios em dois campos diferentes. Ela e seu marido Pierre, juntamente com Henri Becquerel, receberam o Prêmio de Física em 1903 pela descoberta da radioatividade. Ela, então, ganhou o Prêmio de Química em 1911 pela descoberta dos elementos rádio e polônio e por investigar suas propriedades.

O casal Curie são os queridinhos dos Prêmios Nobel. Além de Marie e Pierre, sua filha Irene Joliot-Curie recebeu o Prêmio de Química em 1935 junto com seu marido, Frédéric. E Henry Labouisse, o marido da segunda filha de Marie Curie, era diretor do Unicef quando a organização internacional ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1965.

flemming

3 – Sir Alexander Fleming & Co.

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1945 foi para o Sir Alexander Fleming, Ernst Chain e Sir Howard Florey pela descoberta da penicilina, um fungo, e seu uso como antibiótico. A sabedoria comum diz que Sir Alexander fez a descoberta acidentalmente quando comeu um pedaço de pão bolorento e se curou de uma doença infecciosa.

O grão de verdade nessa história é que a descoberta foi de fato um acidente. Fleming saiu em férias em agosto de 1928 e retornou ao seu laboratório no início de setembro para descobrir que um fungo se desenvolveu em uma pilha de placas de Petri contendo bactérias. As bactérias tinham morrido nas imediações do fungo, enquanto que as bactérias nos pratos mais longe não foram afetadas. Fleming passou o próximo par de décadas investigando os efeitos antibacterianos do que ele inicialmente chamou de “suco de molde” e, mais tarde, denominou “penicilina” em homenagem ao gênero do fungo (Penicillium).

Chain e Florey contribuíram através da realização de rigorosos estudos clínicos que comprovaram a grande utilidade da penicilina e descobriram como purificar e produzi-la em massa. A penicilina cura infecções por estafilococos, escarlatina, gonorreia, pneumonia, meningite, difteria, sífilis e outras doenças infecciosas graves.

4 – Hermann Muller

Em 1946, um americano chamado Hermann Muller recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pela descoberta de que a radiação causava mutações. Biólogo por formação, ele passou a década de 1920 investigando os efeitos dos raios-X em vários organismos, e em 1926 encontrou uma ligação clara entre a exposição à radiação e mutações letais.

Nos anos seguintes, Muller trabalhou incansavelmente para divulgar os graves perigos da exposição à radiação. Quando seu trabalho foi reconhecido pelo Comitê Nobel, chamou a atenção pública para os efeitos na saúde da precipitação nuclear, especialmente na esteira dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki de 1945. Pelo restante de sua vida, Muller foi uma voz de liderança na campanha contra os testes de armas nucleares, trabalhando para difundir a ameaça da guerra nuclear.

Watson, Crick e Wilkins

5 – Watson, Crick e Wilkins

Francis Crick e James Watson ganharam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1962 pela descoberta de que o DNA tem a forma de uma dupla hélice. Maurice Wilkins dividiu o prêmio com eles pela produção de algumas das primeiras evidências em apoio da descoberta – ele usou uma técnica chamada cristalografia de raios-X para mapear a forma da molécula de DNA.

O prêmio permanece controverso por causa de quem foi deixado de fora da lista de homenageados. Watson e Crick formaram sua hipótese sobre a forma do DNA em 1953, só depois de analisar uma imagem de difração de raios-X de DNA feita pela biofísica Rosalind Franklin no ano anterior. A imagem foi mostrada para Watson e Crick sem o seu conhecimento.

Franklin já havia escrito um rascunho de seu artigo sobre a forma helicoidal de DNA antes de Watson e Crick escrever o deles, mas suas contribuições foram negligenciadas por anos. Franklin nunca foi capaz de fazer o seu caso ao Comitê Nobel. Watson, Crick e Wilkins receberam a honra quatro anos depois que ela morreu.

6 – Cruz Vermelha

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha ganhou mais prêmios Nobel do que qualquer entidade ou pessoa. Ganhou os Prêmios da Paz em 1917 e 1944 por seu trabalho durante as Guerras Mundiais (Primeira e Segunda), e um terceiro Prêmio da Paz em 1963, juntamente com a Liga das Sociedades da Cruz Vermelha, marcando o 100º aniversário de sua fundação. Durante as guerras mundiais, a Cruz Vermelha visitou e acompanhou os campos de prisioneiros de guerra de todas as partes beligerantes, ofereceu ajuda humanitária para as populações civis, e organizou e administrou a troca de mensagens sobre centenas de milhares de prisioneiros e desaparecidos.

Martin Luther King Jr.

7 – Martin Luther King Jr.

Aos 35 anos, o reverendo Martin Luther King Jr. se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, quando seu trabalho para acabar com a discriminação racial nos Estados Unidos através de meios não violentos foi reconhecido em 1964. Seu discurso “Eu tenho um sonho”, feito um ano antes no Memorial Lincoln a uma multidão de 200.000 pessoas, foi apenas um dos muitos discursos famosos e influentes que Martin deu como um líder no movimento pelos direitos civis.

8 – Werner Heisenberg

Heisenberg recebeu o Prêmio de Física em 1932 por descobrir os princípios fundamentais da mecânica quântica, as regras que governam o comportamento das partículas subatômicas. A mecânica quântica mudou completamente a nossa compreensão da realidade. Ela diz que a luz, os elétrons, os átomos e, de fato, todas as coisas agem simultaneamente como partículas e ondas.

O chamado “princípio da incerteza” que decorre da teoria afirma que é impossível saber com exatidão a posição de uma partícula e sua velocidade. Se você sabe onde uma partícula está, não tem ideia para onde está indo, ou o quão rápido. Ainda um outro aspecto curioso da mecânica quântica é que ela mostra que não existe uma realidade – pelo menos não na escala atômica – que existe independentemente de nossas observações dela.

Jean-Paul Sartre

9 – Jean-Paul Sartre

Sartre foi uma das principais figuras do século 20 da filosofia francesa, especialmente graças ao marxismo e existencialismo. Ele foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em1964, mas o recusou, dizendo que não queria ser “transformado” por esse prêmio e que não queria tomar partido numa luta cultural entre Oriente x Ocidente aceitando um prêmio de uma instituição cultural ocidental.

Sartre publicou seu tratado sobre o existencialismo, “O Ser e o Nada”, em 1943. Juntos, ele e o escritor francês Albert Camus (que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1957) popularizaram o movimento existencialista, que destacou a experiência de viver ao invés de focar em verdades universais ou obrigações morais.

10 – Madre Teresa

Madre Teresa, uma freira católica romana de etnia albanesa e cidadania indiana, fundou as Missionárias da Caridade em Calcutá, na Índia, em 1950. Ela passou os próximos 45 anos ministrando aos pobres, doentes, órfãos e moribundos, enquanto supervisionava a expansão das Missionárias da Caridade ao longo de toda a Índia e além.

No momento da sua morte em 1997, já havia 610 missões em 123 países, incluindo hospícios e lares para pessoas com HIV, hanseníase e tuberculose; cozinhas para dar comida aos pobres; programas de aconselhamento familiar, orfanatos e escolas. Madre Teresa ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1979. Após sua morte, ela foi beatificada pelo Papa João Paulo II – feita uma santa – e ganhou o título de Beata Teresa de Calcutá.

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