Uma das coisas que mais curto quando viajo é ficar imerso em outra cultura, me aprofundar nos hábitos locais e conhecer suas peculiaridades. Porém muitas vezes essa nova cultura nos agarra com tanta força que fica difícil se desvencilhar. Esse é o caso de 9 Horas9 Horas é  uma hq de ficção autobiográfica que conta a história do autor, Magenta King, em sua viagem  muito esperada ao Japão ao lado de sua companheira.

Ao chegarem na terá do sol nascente, o casal se dirige para um hotel em cápsulas, chamado 9 Horas, já que este é o tempo máximo que o cliente pode ficar dentro do cubículo. Dentro deste período estão contemplados o banho e refeição. Por conta da lotação só hotel, só conseguem tomar um banho e seguir seu caminho. Aí que o surrealismo entra em cena! Um tengu (uma criatura fantástica do folclores japonês responsável por causar desordem) coloca um casal num jogo onde eles devem enfrentar inimigos até que o demônio canse e os liberte. O único descanso são as nove horas que podem ficar no hotel.

É muito divertida a forma como magenta usa referências à cultura japonesa ao longo da história. Seu traço solto, de sketch, traz a singeleza e o surrealismo da trama de forma fluida e gostosa de acompanhar. Nas palavras de Rafael Coutinho (Cachalote), Magenta “completa um elo fundamental entre o quadrinho brasileiro e o mangá.” E completa mesmo, com maestria.

9 Horas, apesar de toda a deliciosa loucura colocada no papel, é também uma história de amadurecimento. De encontros e desencontros. De amor. Da vida. Da vida do autor, mas também de qualquer um as que já tenha se visto perdido mas nem assim perdeu a capacidade de sonhar.

9 HORAS DE MAGENTA KING

Ah, e se ainda assim você está com dúvida se 9 Horas é legal, bom, tem o Bill Murray. E tudo que tem o Bill Murray é muito legal. 😉 Para comprar o seu exemplar e conhecer outros trabalhos do autor, clique aqui.

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