Se afastando ainda mais daquela primeira premissa maniqueísta e patriótica, Homeland, desde o season finale da primeira temporada comprova que sua trama é muito mais espessa do que qualquer espectador pudesse imaginar. Aliada com um excelente elenco e roteiro, ficou mais do que justificável e merecido todos os prêmios até então recebidos pela série. A personalidade de Carrie é a bola da vez no início da segunda temporada. Depois de ter cometido um suposto grave erro e de ter sido demitida da CIA, a agente agora tenta se recuperar da sua doença psicológica e conviver com a falta de seu vício, o seu trabalho e, especificamente a busca por Abu Nazir.

Do outro lado, Brody agora é congressista e, juntamente com Walden, planejam lançar a sua candidatura pra vice-presidente nas próximas eleições. Nessa fase introdutória da season o que mais impressiona são, sem dúvidas, as boas atuações. Quem iria imaginar que Claire Danes fosse atuar tão bem em um papel tão complicado? Acho que finalmente ela encontrou o gênero para trabalhar e merece todo o respaldo pelas interpretações que tem feito durante a série e é graças a esse e outros adjetivos que o seriado não deixa de ser ruim nem na fase introdutória.

Se esse início de temporada é abarrotado de cenas com uma Carrie apática, ainda se recuperando, ou da politicagem do então atual congressista, não se preocupem. O nível de indignação é tão elevado que te faz querer assistir o próximo episódio para saber até quando isso vai ser sustentado, é uma conversão de repulsa para curiosidade pela excelente qualidade do roteiro e das cenas.

A maior novidade é a inserção do personagem Peter Quinn, interpretado por Rupert Friend, que, para muitos, talvez tenha sido o momento “previsível” da série, isto porque a sua entrada brusca para ocupar o lugar e o trabalho de Carrie na CIA, feita por Estes, soava ser bem estranha até mesmo para os próprios personagens. A questão é acreditar ou não acreditar nessa suposta previsibilidade, que de fato foi majoritária, quando o assunto é Homeland. No decorrer da temporada a série logo trata de tentar te convencer de que Quinn é mesmo um agente da CIA, principalmente, no bem executado episódio que retrata o ataque a Gettysburg. No entanto, quando você pensa que já está convencido sobre alguma coisa na série, eis que os roteiristas aprontam mais uma reviravolta. É impressionante a capacidade que eles têm de criar várias situações específicas de cada personagem e ainda conseguir conectá-las. Mais um ponto para a série, fazendo jus a sua demasiada adjetivação.