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Capítulo 04 – Mudanças em Marte!

No último capítulo: Cris desligou o telefone antes que pudesse ouvir a resposta de seu amigo. Aos poucos a raiva de Motti foi passando, e outros pensamentos invadiram seu cérebro. Sua cabeça estava focada demais na cena que acabara de ver. Eram muitos mistérios, mas ele pretendia resolver todos, seja com a Atomis ou não. Por que um Canavar estava na cidade em plena luz do dia? Por que Henry Borsa e seus amigos do ramo faziam questão de esconder seus negócios? A cada segundo que passava ele conseguia pensar apenas em conseguir o estágio e mostrar para todos lá dentro que ele era capaz de fazer parte dos Nebula. Esse era o futuro que Cris Mendez queria para si mesmo!

Confira agora o capítulo de hoje:

O dia já havia começado diferente na casa de Cris. O barulho de vidro quebrando na cozinha fez com que o garoto levantasse correndo com medo de alguma possível invasão. Suas expectativas fora frustadas quando ele saiu de seu quarto e viu sua mãe catando restos de um copo que havia caído. Ele olhou para o calendário e verificou o dia. Era sábado, por sorte não tinha aula, mas sua mãe deveria estar trabalhando.

– Mãe, por que você está em casa? – Cris perguntou se abaixando para ajuda-la com os cacos.

– O trabalho foi cancelado. – Ela respondeu dando um abraço em seu filho – Um monstro daqueles quebrou a janela e ficou escondido lá dentro do laboratório.

– Era dos grandes? – Os olhos do rapaz se arregalaram de curiosidade.

– Não, esse era pequeno. Marina disse que parecia que estava fugindo, com medo, algo nesse sentido. Foi a segunda vez essa semana.

Após terminar de limpar o chão os dois sentaram a mesa e comiam fatias de pão sem falar muito. Pelo canto do olho Cris viu as cartas sobre a mesa e leu seu nome em uma delas. Rapidamente esticou sua mão e puxou-a para si já tremendo. Um símbolo, que mais parecia um átomo oval, estampava o envelope.

– Quando isso aqui chegou? – Cris perguntou à sua mãe, que tomava de sua xícara de café.

Ontem de noite. Na hora que cheguei em casa. – Ela respondeu.

O garoto rasgou a carta com voracidade na espera de uma boa notícia, e foi isso isso que ele conseguiu:

Caro senhor Cris C. Mendez, a empresa Atomis de tecnologia vem por meio dessa carta informar que foi selecionado para participar do estágio dentro dos laboratórios de estudo e desenvolvimento de armaduras para o projeto Nebula 2. Para prosseguir compareça ao endereço abaixo portando seus documentos de identificação e sua inscrição no estágio.

– Fora boas notícias? – A mãe de Cris perguntou vendo o sorriso tomar conta do rosto do rapaz.

– Claro que sim! Fui aceito no estágio. Isso é… incrível! – Ele respondeu colocando a carta na mesa.

– Estágio? Que ótimo, filho! Que estágio?

– O da Atomis. Me inscrevi na semana passada.

– E você não me disse nada?

– Você mal para em casa! Não tive chance nem de te dar um “oi” direito. – Cris gritou.

O silêncio tomou conta da cozinha. O único som que reinava era o da colher batendo na louça. O garoto puxou sua carta da mesa, entrou em seu quarto e bateu a porta com raiva. Foi trancado lá dentro que ele passou os próximo dia inteiro, esperando que a segunda feira chegasse para ir direto iniciar seu estágio na Atomis. O relógio não avançou a seu favor, e pareceu demorar cada vez mais conforme sua ansiedade ia subindo. Até que o momento chegou.

Cris esperou sua mãe sair de casa pela manhã e vestiu suas roupas habituais. Uma camiseta lisa, uma camisa social aberta por cima e uma calça jeans preta com alguns rasgos. Colocou na bolsa tudo que precisava e seguiu seu caminho o mais rápido que pode. O fato de, finalmente, estar de férias deram uma força extra para o rapaz correr ainda mais. A Atomis era perto de sua casa, apenas alguns minutos de caminhada e mais poucos dentro do ônibus elétrico.

– Bom dia, eu vim para participar do estágio. – Cris disse à recepcionista ao pisar na sede da empresa.

– Preciso do seu documento de identificação e seu número de inscrição para confirmar os dados. – Ela respondeu digitando tudo no computador e verificando a vaga – Tudo certo. Siga o corredor e entre na segunda porta, não tem erro!

– Muito obrigado!

A boca de Cris não conseguia ficar parada, a cada passo que dava a vontade de sorrir aumentava. Pelo caminho ele viu vários pedaços de armaduras sendo carregados por aí. O braço da Gori 16, um capacete da Morsa 8 e uma asa, que não reconheceu o dono. Ao entrar na sala viu um rapaz alto de cabelos curtos e óculos quadrados anotando coisas em um papel enquanto mexia em uma caixa cheia de peças.

– Posso… Posso entrar? – Cris perguntou batendo na porta.

– Pode! Entra aí, Cris. Me chamo Luke. Eu só estou arrumando as coisas aqui para você. Mas vamos conversando enquanto isso. – Ele respondeu enquanto apertava a mão do rapaz sem olhar em seus olhos – Fiquei muito feliz por você ter ganhado esse estágio! Suas notas são incríveis e isso sem falar que seu pai era um homem incrível!

– Ele ainda é…

– Eu sei. Desculpe, eu falo demais. Ele ainda é um grande homem. Nos ajudou a curar um vírus completamente novo para nós.

– Como assim? Eu não soube nada disso.

– Quando os Canavar começaram a aparecer com a pele roxa, não sabíamos qual era o problema, mas sabíamos que aquilo tinha que ser resolvido logo. Então seu pai se voluntariou para coletar uma amostra de um monstro daqueles.

– Ele conseguiu um pedaço da pele ou algo assim?

– Muito melhor! Ele trouxe um braço inteiro! – Luke parecia sentir adrenalina fluir em seu sangue a cada palavra que dizia – Imagine lutar com um Canavar infectado com aquela coisa. São mais rápidos e mais fortes, uma loucura completa!

Os dois seguiram conversando sobre a batalha e sobre os Canavar até que Luke terminou de mexer na caixa de peças e a entregou à Cris. Ele tirou seu jaleco, colocou-o sobre a cadeira e parou na porta da sala.

– Seu primeiro teste vai ser bem simples pra alguém com as suas notas. – Ele pendurou os óculos na gola de sua camisa – Vou te dar 1 hora exata para que você monte a armadura do Lebre inteira. Ele vai voltar daqui a pouco do almoço para mais uma rodada de treino, então é bom que esteja perfeita! Vai nessa garoto!

Luke saiu e deixou Cris com um caixa cheia de peças nas mão sem saber o que fazer. O garoto tirou tudo que estava em cima da bancada e usou ali como sua zona de trabalho. O tempo pareceu voar, fazendo com que ele terminasse tudo com poucos minutos sobrando. O rapaz fez o melhor que conseguiu e decidiu fazer algumas melhorias. Jogou fora algumas peças para reduzir o peso e o atrito da armadura e aumentou a potências dos propulsores das costas para aumentar a velocidade. A aparência estava diferente, parecia incompleta, mas, de acordo com Cris, ela seria muito mais funcional assim. Bastaria um pouco de treino para se acostumar.

Ao entrar na sala Luke estava sorrindo, mas bastou olhar para o que Cris havia feito para que o sorriso sumisse e o desespero tomasse conta de seu rosto. Ao ver a caixa de peças restantes ele começou a balbuciar coisas sem sentido para o garoto, que nem teve chance de se explicar.

– Que porcaria você fez aqui? – Ele gritou colocando os óculos – Eu achei que tinha te dito pra montar a armadura do Lebre, e não desmontar ela inteira.

– Eu só fiz alguns ajustes. – Cris falava baixo e com vergonha – Achei que ficaria melhor assim.

– Olha só. Eu só não te demito desse estágio agora mesmo porque seu pai significou muito para mim. Então saia daqui e volte amanha. Porque agora eu tenho que dar um jeito de consertar essa besteira antes que o Roberto.

Sem dizer nada e apenas com tristeza em sua mente Cris saiu pela porta da frente da Atomis, pegou o ônibus e depois caminhou até em casa. Não sabia como seria o dia seguinte, só sabia que teria que compensar a besteira que havia feito no de hoje. Ele entrou em casa, jogou os sapatos para dentro de seu quarto e ligou a televisão para distrair a cabeça.

Enquanto o rapaz pegava um copo de refrigerante um plantão especial de notícias interrompeu a transmissão de Reação, um programa onde personagens virtuais com inteligência artificial tentavam sobreviver em um mundo apocalíptico. O jornalista que apareceu na tela ainda estava lendo o papel em sua mão quando a transmissão começou.

– Boa noite senhoras e senhores. Sete ataques de Canavar foram registrados nas cidades de Delta e Kilo. Cientistas de Marte e da Terra estão juntos nesse exato momento em uma reunião com líderes da Atomis para tentar achar alguma solução para esse problema que vem piorada. Fique atento para mais informações.

As imagens que se seguiram apenas pioraram a situação de Cris. Uma parede derrubada no chão e diversas pessoas gritando e falando em seus telefones era o cenário atual da porta do escritório da Atomis, lugar do qual o garoto havia saído há poucas horas. A imagem seguinte foi da sede de uma empresa de bebidas, onde alguns vidros estavam quebrados e era possível ver dois Canavar correndo pelo laboratório. Ele se assustou e deixou a garrafa de refrigerante cair no chão. Enquanto isso o telefone tocava ao fundo, e ele se sentiu desesperado ao ver algumas pessoas mortas no chão. A única imagem que passou por sua cabeça foi a da noite em que viu seu pai estirado em uma maca sem conseguir se mover.

Cris já havia entendido que sua vida estava mudando. Não só a sua, mas a de toda a população de Marte. Um enorme onda de monstros estava chegando para acabar com tudo, cabia a Atomis conseguir resolver esse problema, ou seria o fim de uma tentativa de utopia espacial. O rapaz jurou para si mesmo dar a vida por uma chance de participar do projeto Nebula, pois não iria deixar que mais alguém ficasse como seu pai ficou. O planeta vermelho já não era mais o mesmo, Marte estava mudando!

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HERÓIS DAS TERRAS VERMELHAS | UM NOVO HERÓI! – CAPÍTULO 05 DO ORIGINAL COXINHA NERD!

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