Olá, pessoas… Se vocês me permitem, vim fazer uma pequena reflexão (para não dizer que é um grande desabafo) e vou falar o porque de eu gostar tanto das animações da Disney. Eu já cansei de ouvir um monte de blá-blá-blás sobre as princesas e, também, de ouvir de algumas pessoas que eu sou muito infantil por gostar deste tipo de filme. Mas, será que se eu emprestar um pouco da minha visão, realmente os filmes são tão infantis assim e não tem nada a mais para apreciar?! Será que, de repente, o modo como vemos as coisas, não podem atrapalhar o que realmente acontece?! Vocês me acompanham então nesta reflexão para ver se alguma coisa muda?! Então, sigam-me…

As animações da Disney são infantis?

Sinceramente?! Não acho… Tudo bem que vemos vários elementos que tentam infantilizar as animações (afinal de contas, estamos falando de Disney, e, afinal de contas 2, são as crianças que mantêm o Império, vejam o tanto de produtos que elas consomem!), mas, se formos analisar todos os elementos apresentados nas histórias, existem poucos elementos infantis nos filmes. Tudo bem, uma coisa eu vou admitir… Tem filmes um pouco mais infantilizados do que os outros, mas não quer dizer que eles não mereçam ser apreciados tanto quanto os demais. A questão do quão infantil é o filme está simplesmente no foco que se dá à história.

Claro que vocês podem interferir e opinar sobre, acho que até aí que está a graça, mas no meu ver, um dos filmes mais infantis da Disney (não, não é o Alice no país das maravilhas, apesar de se tratar de uma criança como personagem central) é Cinderela. Tudo bem, tem a história da Gata Borralheira em si, mas, parece que eles preferiram dar um foco maior na dinâmica dos animais da casa do que propriamente nas pessoas, mas, pegue a Bela e a Fera ou o Corcunda de Notre-Dame, por exemplo, (e daqui a pouco vou falar um pouco mais dele), não são nada infantis, apesar das gárgulas e objetos falantes.

Então, o que tem tanto para analisar aí?

Sei que ainda não comecei a ser clara, e agora, começarei a ser. A primeira coisa que muito me incomoda quando falam dessas animações, é o fato de falarem “ah, as princesas sempre estão dependendo de homens para salvá-la e blá-blá-blá…”, e é evidente que seja assim. Associem os enredos com a linha do tempo, histórica mesmo, começando por Branca de Neve, que foi lançado em 1929 e avaliem os valores da época. Peguem agora a Bela (que já era bem mais independente e no meu ver, foi ela que salvou a Fera) de 1991 ou Pocahontas de 1995 ou Aladdin (1992) e a Pequena Sereia (1989), sim, houve o casamento (afinal de contas, não acho pecado nenhum casar), mas já eram princesas que não se conformavam a ficar paradas no lugar esperando a vida acontecer.

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Sem falar do traço, o desenho mesmo, não sei bem como se pode designar isso, porque eu não entendo dos termos técnicos. Até nisso os filmes acompanham a linha do tempo histórica, pegue o desenho da Branca de Neve, de cabelo curtinho, bem característico dos anos 20, com traços delicados, como mandava a época, e a Bela, com traços bem mais modernos, olhos bem arredondados, acompanhando o estilo dos anos 90. Sem falar nos desenhos das paisagens, cenários e tudo mais, que, sinceramente, são lindos demais. Só aí, já dá para perceber que se usam muitas coisas, que as crianças ainda não conseguiriam enxergar, por conta de sua pouca maturidade e experiência de vida.

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Não se convenceu? Falemos de enredos!

Bom, pode-se que a Disney ousa bastante em seus conteúdos. Aí me perguntam: “Mas o que tem de ousado em falar de Contos de Fadas?”. Mas aí sou eu que pergunto: “E quem disse que só são Contos de Fadas?”. Mulan e Pocahontas não são princesas e muito menos contos de fadas inventados. Como se sabe, Mulan é uma figura lendária da China e Pocahontas realmente existiu (embora eu já tenha lido por aí que a tribo dela, que existe até hoje, não ficou muito contente, porque eles modificaram a história real). Alice no país das Maravilhas é um romance, assim como o Corcunda de Notre-Dame, e bem, falemos melhor disso. Ah, e Peter Pan, também.

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Alice no país das Maravilhas, a animação de 1951, na verdade, é uma mescla na história contida de dois livros, Alice no país das Maravilhas e Alice através do espelho e o que ela encontrou por lá, e eu já li muito sobre (meus livros favoritos, minha personagem favorita para sempre <3) e vi que, quando foi lançado, a animação não foi muito aceita, eu não me lembro bem o motivo, mas, acredito que deve ter sido por conta da mistura de ambas as histórias. Trocaram-se falas de personagens (como a parte do desaniversário que na animação é abordado pelo Chapeleiro Maluco e a Lebre de Março e no livro, aparece no Através do Espelho e é abordado pelo Humpty Dumpty) e, admitamos, é um conteúdo imenso (e muito louco) para resumir em uma animação de 1 hora e meia (e não, não me desagradou).

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E o Corcunda, né?! Eles simplesmente fizeram uma animação de um romance (romântico que, quem manja de literatura, sabe que é uma das escolas literárias mais pesadas que existiram, ainda mais o francês) de Victor Hugo, que já fora destinada desde sua criação para ser uma história pesada. A história é muito cruel, e aborda demais os aspectos mais íntimos humanos, que, para o meu ver, é difícil demais para crianças sacarem, além da paixão descontrolada, para não dizer uma lascívia desmesurada de Frollo por Esmeralda, que já apresenta uma carga muito forte para se mostrar para crianças (vide a música que ele canta para ela), além da maldade que ele possui.

A figura de Frollo como um todo, é uma coisa que mexe demais, e sinceramente, quando o Victor Hugo escreveu, era esse o intuito, pelo menos do meu ver, porque todo mundo sabe o que leva muita gente a praticar literatura, dentre os vários usos, não deixa de ser um meio de denúncia, de questionamento, e sabe-se do papel controverso que a Igreja sempre apresentou, que se percebe claramente na postura de Frollo… Eu acho isso tão complexo, que gera uma discussão própria sobre este filme, é muita coisa a se dizer. Mas, com certeza, é muito impressionante a obsessão e luxuria que ele tem. Não só por Esmeralda, mas com relação ao povo cigano, que se parar para analisar, é exatamente o que demonstra o ápice da paixão e o descontrole, coisa que ele sempre tenta suprimir nele próprio.

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Uma outra coisa de que se pode falar também (e sim, é uma análise interessantíssima e bem profunda), é de como a história do Rei Leão se assemelha com o enredo de Hamlet. Estamos falando de Shakespeare, meu povo. Se me deixarem, dou motivos de o porque não acho essas animações infantis e o motivo pelos quais as adoro, o desenho, muitas vezes o enredo, as músicas (afinal, são muito boas composições, vozes, coros e tudo mais), remontagem de histórias que se adequam sim, conforme o tempo passa, além de não só se basearem nos Contos (vide as animações que não levam tanto destaque, como Planeta do Tesouro, O caldeirão mágico, dentre outros). Acho que tem muito esmero para se dizer que é somente infantil, sabendo analisar, tira-se muito dessas obras… Concordam? Discordam? Querem saber mais?! Comentem e discutam comigo… Até a próxima!!!