Getúlio: Uma pena que não foi minissérie!

-por , em 15/05 -
Getúlio: Uma pena que não foi minissérie!

Eis que resolvemos ir ao cinema assistir ao filme Getúlio! Eu sou completamente apaixonada por história e não sou perfeccionista com relação a exatidão dos fatos, sei dividir bem a visão historiadora da visão apaixonada por história. 😉 O clima do filme já foi bem criado quando sentamos, na sala do cinema, bem em frente a dois casais de velhinhos que viveram na época em que Getúlio terminou seus dias. Uma parte da história bem ali, sentadinhos atrás de nós. Como sabíamos disso? Um dos senhores dos casais começou a relatar diversos fatos da época em paralelo ao filme, inclusive o horário que foi avisado da morte do maior ditador brasileiro: 17h35. Acho que eu nunca mais esquecerei disso.

Grandes aplausos para João Jardim (diretor do filme), que, com sua diferente proposta de recorte da história, conseguiu nos transportar por alguns minutos para 1954, mais precisamente, para dentro do Palácio do Catete. Ao invés de apresentar toda a trajetória de Getúlio Vargas (longos 15 anos e mais uns quebrados), Jardim concentra a atenção em torno dos 19 dias que antecederam o famoso suicídio, em 24 de agosto de 1954. O público é colocado diante da crescente pressão sofrida pelo então presidente para renunciar após a tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda, seu opositor político.

O episódio, conhecido como o Atentado da Rua Toneleiro, terminou com Gregório Fortunato, chefe da guarda de confiança do presidente, acusado, Lacerda ferido, e Rubens Vaz, major da Aeronáutica, morto. Apesar dessa base bem sintética, o filme evidencia acúmulos no decorrer da projeção: transita por diferentes gêneros e entrelaça o painel dos agitados bastidores do poder com o destaque ao vínculo inquebrantável entre Getúlio e a filha, Alzira (lindamente interpretada por Drica Moraes). (Rio Show)

toni ramos como getulio

Em 24 de agosto de 1954, o menino observava a avó materna preparar o bolo de seu sexto aniversário, que seria completado no dia seguinte. Até que uma notícia ouvida no rádio a fez parar. Alguém havia morrido. “Quem morreu, vovó?”, perguntou. “O presidente do Brasil”, ela respondeu. E o menino começou a chorar. Sessenta anos mais tarde, esse mesmo garoto, hoje um senhor de quase 66, encarna o tal presidente com propriedade e respeito. “Sei quem foi Getúlio. Nacionalista, homem extremado, um ditador que foi, contraditoriamente, eleito pelas mãos do povo. Que adorava Schopenhauer, mas que ao mesmo tempo era simples. Era um político no palco, mas não no cotidiano”, afirma Tony Ramos, protagonista de ‘Getúlio’, primeiro longa-metragem de ficção de João Jardim, que estreia em todo o país em 1º de maio.

Recomendo demais o filme, é uma verdadeira viagem no tempo ao Rio de Janeiro antigo, em sua época de ouro, quando ainda era o principal centro político de nosso país. Um brinde ao senhor que estava sentado atrás de nós na sala de cinema que, ao ver uma cena em quem Getúlio e sua filha almoçam e cortam um grande pedaço de bife, diz em alto e bom tom: “achei que era Friboi”. O que é a modernidade quando invadida pela antiguidade? Amo essa vida que mescla arte, história e tecnologia! 😉 Vá aos cinemas assistir Getúlio e prestigie a cultura do nosso país!

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Cris Siqueira
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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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