Lembra que eu havia comentado aqui há algum tempo atrás sobre a série que estava para estrear na GNT – Sessão de Terapia? Pois então, muito aconteceu e não conseguimos acompanhar direitinho na TV, mas não abstraímos de jeito nenhum e demos nosso jeitinho tabajara para assistir. o/

 

Gente, o que é este seriado? Você fica maluco junto com todos os pacientes e inclusive, junto com o terapeuta, que não tem como ser uma pessoa normal passando por todos aqueles dramas e problemas de todo mundo né? Uma coisa é certa, para ser terapeuta, o cara precisa se limpar espiritualmente toda semana, senão, nem sei como termina. Complicado demais lidar com os problemas das pessoas. Uma coisa que eu percebi neste seriado é que o ser humano, independente do problema que esteja habitando suas vidas, tem o hábito de se colocar em posição de vítima sendo atacado a qualquer momento. O que ativa o modo defesa e torna qualquer conversa mais íntima numa guerra super agressiva. Confesso que me acalmo vendo esta série. [rssss]

 

Só consigo visualizar pontos positivos para essa encantadora série. A direção de Selton Melo, como sempre, está dando um banho de perfeição e dedicação. As histórias estão super bem sincronizadas, bem montadas e com conteúdo infindável. Impressionante mesmo. O terapeuta nem se fala, o ator está dando um show de “apatia terapêutica”. Os personagens dos pacientes, bom, vou falar um pouquinho de cada um aqui embaixo, melhor assim…

 

 

Júlia [Segunda feira] – A paciente Júlia já começa o seriado com força total. A personagem de Maria Fernanda possui um caso típico de transferência erótica com seu terapeuta – Theo. Todos os problemas pessoais, profissionais, emocionais, espirituais e todos os “ais” possíveis são justificados pela insana paixão que Júlia desenvolveu por Theo. Um caso a parte é a interpretação de Maria Fernanda, que atriz maravilhosa ela é. Acostumada a ser colocada como mocinha sofredora de contos românticos da globo, Maria Fernanda está se mostrando uma atriz que entra de cabeça quando o assunto é dramático e com bastante complexo de realidade. Não há quem deixe de torcer para chegar segunda feira e ver se desta vez Júlia irá ou não dar em cima de modo “agressive” de Theo. esse joguete está ficando alucinante.

 

 

Breno [Terça feira] – Genteee, o que é o Breno? Um atirador de elite da cidade de São Paulo, afastado do serviço há mais ou menos três meses depois de uma traumática operação em que tinha um dos maiores bandidos da cidade em sua mira. Infelizmente Breno, além de matar o bandido, matou uma criança que estava escondida por perto também. De lá para cá a vida de Breno teve muitas reviravoltas, ele se escondeu atrás de seu trabalho para justificar o erro, enfartou, ficou morto por 48 horas, sobreviveu, retornou à sua vida, entrou na terapia e como primeira solução de seus problemas: se separou da esposa. A personalidade do paciente é o mais engraçado de suas sessões, agressivo, impositor, ditador quase. Breno tem um temperamento típico de militar, machista e extremamente perfeccionista. As sessões dele assustavam até mesmo o terapeuta no começo, mas agora, já conseguimos ver Theo sorrindo de algumas atitudes de Breno. Muito bom mesmo!

 

 

Nina [Quarta feira] – Nina é uma adolescente extremamente perturbada com muitos fatos que ocorreram em sua vida. Para algumas pessoas, podem ser problemas banais, mas para ela, mudou o rumo de sua história. Filha de pais separados, Nina se entregou de corpo e alma aos treinos (ela é ginasta), lá, treinando com um casal amigo da família, Nina foi levada (pelo rumo que sua vida tomou) a se apaixonar por seu treinador. Sua relação com a família do treinador era tão profunda que em uma viagem de seis meses da esposa dele, Nina praticamente se mudou para a casa deles e passou a ajudar com a criação da filha do casal. Logo após o retorno da esposa, Nina teve que sair da casa, passou a ficar no alojamento da escola de ginastas, passou a ser falada e detestada pelas amigas e sofreu um acidente do qual ela não se lembra. Hoje, Nina está com os dois braços quebrados e precisa de uma avaliação psicológica positiva a seu favor para conseguir a indenização da empresa do carro que a atropelou. Por isso, ela está com Theo na terapia. As sessões de Nina nos despertam lembranças de uma adolescência distante para alguns e recém saída para outros. Uma menina despeitada, cheia de si e de vontades e “quereres”. Nina consegue trazer para dentro de nós uma revolta muito grande com toda a imaturidade que sua idade permite ter. Confesso que estou doida para saber os progressos que esta paciente terá!

 

 

Ana e João [Quinta feira] – Na minha opinião, um dos casos mais complexos. A sessão aqui é diferente, trata-se de terapia de casal. Depois de cinco anos tentando, Ana finalmente consegue engravidar mas parece não estar muito feliz com a novidade. João, seu marido, fica simplesmente alucinado com a idéia de abortar, mas Ana está praticamente decidida. Médicos estão sendo consultados e, no pacote, a terapia de casal é uma opção para ter o aconselhamento que eles julgam necessário. O temperamento dos dois é agressivo, eles brigam o tempo inteiro e parece que o neném é o menor dos problemas do casal. Ana trabalha demais e é bem sucedida em sua carreira. João está desempregado, fuma maconha o dia inteiro e não ajuda Ana em absolutamente nada; além e todo esse cenário, João é, ainda, um homem ciumento e teimoso. Ele acha que Ana tem casos amorosos com seu chefe e qualquer outro homem que passe por seu caminho. O caso progride de acordo com a situação do casal com o bebê, Theo se envolve a tal ponto que fica louco, precisando retornar urgentemente para sua sessão de terapia de supervisão.

 

 

Dora [Sexta feira] – Aqui os papéis se invertem. Depois de aceitar novos pacientes e passar por todos os dramas descritos acima, Theo sente que precisa retornar para a supervisão, abandonada por ele mesmo há mais ou menos 8 anos. Dora parece ser uma amiga da família, seu marido morreu há poucos anos e eles comentam sobre filhos, esposa, o falecimento, enfim, se atualizam de forma pessoal antes de iniciar a sessão. Theo tem postura agressiva na supervisão, agride verbalmente a sua terapeuta inúmeras vezes e, confesso, é capaz de nos assustar. Geralmente colocamos o terapeuta em um pedestal, como se ele fosse perfeito e entendesse de tudo do mundo, mas esquecemos que ele é tão humano quanto nós e que também tem muitos problemas pessoais. Não tem como deixar de assistir as sessões com a Dora – são simplesmente fantásticas.

 

Mais uma vez, parabenizo Selton Melo pela brilhante direção, a GNT por colocar um tema tão evidente e comum no ar de uma forma simples, direta e objetiva. Sessão de Terapia já conquistou o espaço entre minhas séries favoritas. São muitos ensinamentos que, nem Freud explica! Não deixe de assistir você também!

Compartilhe: