Como todo bom livro ou filme, um bom jogo de videogame tem, como função principal (na minha opinião), contar uma história. Ele pode ter outros objetivos – alguns até muito profundos – mas, no fim das contas, o jogo está nos contando uma história e, se o jogo for bom, a história vai nos comover e ficará nas nossas memórias por muito tempo. games

E, também não diferente dos livros e filmes, os jogos de videogame são considerados uma forma de arte. Tanto que existem museus e exposições de videogame por todo o mundo. Não só por causa dos seus visuais (que, hoje em dia, alcançaram níveis espantosos de beleza e realismo), mas por causa de sua composição, como um todo. Narrativa, trilha sonora, uso de vozes e, claro, os gráficos, fazem com que o produto final seja – desejavelmente – mais do que a soma de suas partes.

A seguir, segue uma pequena lista de jogos que são verdadeiras obras de arte. (Vale salientar que isso é a minha opinião pessoal, que os jogos não estão em nenhuma ordem específica e que eu parei no tempo no PS3, então quaisquer jogos da nova geração que mereceriam aparecer nessa lista, provavelmente não vão estar).

Eternal Sonata

Criado pela tri-Crescendo em 2007, Eternal Sonata conta-nos a história de Frédéric Chopin. Quer dizer, conta-nos mais ou menos a sua história. Chopin foi um compositor e pianista polonês frances que morreu de tuberculose aos 39 anos (em 1849). Durante os ultimos momentos de sua vida, Chopin ficara inconsciente em sua cama, lutando por sua vida.

E é ai que nossa história começa. Enquanto dormia, afetado pela doença, Chopin sonha com um mundo incrível, cheio de vida e personagens coloridos. A história do game, em si, é totalmente fictícia (pelo menos nada nos leva a crer que ele tenha, de fato, sonhado aquilo tudo), mas em diversos momentos nós recebemos algumas informações a respeito da vida de Chopin e de suas obras.

O jogo é visualmente de tirar o fôlego. Tudo é muito colorido e fofo, o que ajuda a dar vida aos personagens. E, falando em personagens, são todos bem desenvolvidos, com personalidades e estilos distintos. E todos eles (com exceção do próprio Chopin, que é um personagem jogável) têm nome ligado à música. São nomes como Salsa, Allegretto ou Polka.

E, como era de se esperar de um jogo baseado nos sonhos alucinados de um compositor morto em 1849 (tá ai uma frase que eu nunca achei que fosse escrever), a trilha sonora do jogo é simplesmente esplendida. Composto, majoritariamente de músicas clássicas, a trilha sonora conta com cinco composições de Chopin, tocadas por Stanislav Bunin.

Valkyria Chronicles

2008 pode não parecer há tanto tempo, mas no mundo das tecnologias (onde tudo evolui e muda a uma velocidade espantosa), 2008 – ano em que a SEGA lançou o jogo Valkyria Chronicles – pode parecer ter sido há uma vida atrás. Mas Valkyria Chronicles não parece mostrar sinal da sua “idade avançada”. De fato, o jogo continua tão relevante e impecável, que lançaram – ano passado – uma versão remasterizada para PS4 e PC.

Com uma história bem contada, jogabilidade excelente, trilha sonora empolgante e uma lista infindável de personagens que irão esquentar o seu coração, esse jogo é uma verdadeira obra de arte. E não para por ai não: o ponto de maior destaque do jogo é, sem sombre de dúvida, os seus gráficos. Feito todo em aquarela, Valkyria Chronicles tem um visual de tirar o fôlego.

Dragon’s Crown

Um dos jogos mais novos da lista, Dragon’s Crown foi lançado em 2013 por uma empresa chamada Vanillaware – que vai aparecer de novo nessa lista. Apesar de sua natureza claramente apelativa (deem uma olhada na feiticeira ou na amazona) é inegável que o jogo tem um estilo visual próprio. Sua jogabilidade em 2D chega a ser limitada e fica repetitiva. Mas os cenários são tão bonitos e bem desenhados que o jogador não se importa de voltar para as mesmas fases várias vezes, nem que seja só para apreciar a paisagem.

Muramasa: The Demon Blade

Criado pela mesma empresa de Dragon’s Crown – dirigida por George Kamitami, que também dirigiu Dragon’s Crown – não é difícil perceber as semelhanças entre os dois jogos. Ambos são RPGs de ação em 2D, com um estilo beat ‘em up. A principal diferença gira em torno da história. Enquanto Dragon’s Crown se passa em um mundo medieval de espadas e magias, Muramasa se passa no japão, no período Edo, e tem uma pegada muito mais oriental, explorando as lendas japonesas.

Outra inegável semelhança entre os dois jogos é a sua arte gráfica. Como todo jogo dessa lista, ele é visualmente lindo.

Puppeteer

Esse jogo é uma verdadeira pérola escondida do PS3. Eu mesmo nunca tinha ouvido falar desse jogo e só comprei por que estava em uma promoção muito boa em uma loja (que não me paga patrocínio, então não vou dizer seu nome aqui). O que é uma pena, pois o jogo é muito divertido e charmoso.

O jogo tem uma pegada mais de teatro de marionetes, com direito a narrador, aplausos do público e cortinas que descem e sobem entre cena. O seu ponto forte é, sem dúvida, a sua história. Então vou tentar dar uma resumida aqui. Nele, controlamos Kutaru, um garoto que foi sequestrado e transformado em uma marionete pelo urso mal. Esse urso costumava a ser o servo da deusa da lua, mas a traiu e tomou seu poder para si. Ele sequestrou Kutaru para poder roubar sua alma e o trancou na masmorra de seu castelo.

É nessa masmorra que o gato da deusa da lua, Ying Yang, encontra Kutaru e o ajuda a fugir. Logo Kutaru encontra Calibrus, uma tesoura mágica capaz de cortar praticamente qualquer coisa. É com essa tesoura que Kutaru deve derrotar os generais do urso e devolver o poder para a deusa da lua. Ah! E Kutaru também perdeu a cabeça e é forçado a sair por ai procurando cabeças alternativas para substituir a sua. Supostamente, cada cabeça tem poderes diferentes, mas eu achei as diferenças sutis demais para justificar isso. As cabeças são apenas “colecionáveis coletáveis” para forçar o jogador complecionista a voltar ao jogo múltiplas vezes.

O jogo é muito bonito. Tudo parece ser de madeira, ou de pano, ou de qualquer coisa usada em teatro de marionetes. O uso da Calibrus deixa a jogabilidade muito interessante e desafiadora. Sua história, lúdica e bem humorada, faz com que Puppeteer mereça um lugar nessa lista.

Ni No Kuni – Wrath of the White Witch

Todos os jogos da série Ni No Kuni são belíssimos, mas irei me focar no Wrath of The White Witch, para o PS3, pois foi o único que eu tive o prazer de realmente jogar. Criado pela Level-5 (responsável pelos jogos do Professor Layton) as sequencias de animações foram feitas pelo Estúdio Ghibli.

Sabe, o Estúdio Ghibli? Eles são só responsáveis – nada mais, nada menos – por filmes como A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro, O Castelo Animado… A lista continua. Enfim, se você não conhece, dá uma pesquisada e assista algumas das animações deles. E, se você já conhece.. Ai você sabe bem do que eu estou falando quando digo que Ni No Kuni é uma obra de arte. Tudo produzido pela Estúdio Ghibli é lindo. Tanto em seus visuais, quanto com a sua história, com todas as informações contidas e na forma como ela é apresentada.

Eu imagino a equipe da Ghibli tomando todo o cuidado e analisando todos os detalhes de tudo que eles fazem, a fim de nos entregar uma experiência bela e marcante. E com Ni No Kuni não poderia ser diferente.

Journey

Esse jogo, lançado em 2012 na Playstation Network, é uma verdadeira homenagem ao minimalismo. Sabe aquela escola da arte que afirma que menos é mais? Pois é, é isso aí. Eu não tive a oportunidade de jogá-lo ainda, mas eu li muito sobre o jogo e vi imagens o suficiente para saber que ele merece sim estar nessa lista.

Nele nós controlamos uma figura encapuzada que vaga por um deserto em direção a uma montanha. Quem é essa figura encapuzada? O que há na montanha? E o que devemos fazer para chegar lá? Nada disso nos é dito. Puts! Nada nos é dito, nunca. A gente até encontra outro jogador no meio do caminho, para nos ajudar a resolver os puzzles em nossa jornada. Mas não temos como saber nada sobre essa pessoa, uma vez que não há forma de comunicação possível entre jogadores.

Recebemos o mínimo de informação possível. Tanto visual, quanto em questão de história e narrativa. Mas o que recebemos fica muito mais belo e marcante por causa disso. Afinal, é disso que se trata o minimalismo. Como já disse, não joguei ele (ainda), mas se o que li for referência, é um jogo que vale muito a pena.

Teslagrad

Outro jogo minimalista, Teslagrad foi lançado no finalzinho de 2013 na Steam e, em 2014, para os consoles. Foi produzido pela Rain Games. É um jogo de plataforma em 2D que, como o nome sugere, foi inspirado pelo inventor Croácio Nikola Tesla. O jogo utiliza de elementos muito presentes nos estudos de Telsa – como a eletricidade e o magnetismo – para solucionar puzzles que permitam o jogador a seguir em frente.

A arte do jogo é belíssima, com ambientes todos desenhados a mão. O enredo e simples, sem ser simplista. O foco principal é na jogabilidade, com puzzles crescentemente complexos que lembram o bom e velho Braid. (Quem aqui se lembra de Braid?)

Beyond Eyes

Esse jogo eu não só não joguei, como estou quebrando a minha regra de ter parado no PS3 e não falar de nada da nova geração de games. Mas o conceito de Beyond Eyes, lançado em 2015 para as Xbox One e Playstation 4, simplesmente me fascinou. De tal modo que eu não poderia deixar de incluir esse jogo na lista.

A protagonista de Beyond Eyes é uma garota de 10 anos chamada Rae. Ela perdeu, recentemente, a visão por causa de um acidente envolvendo fogos de artifício. Nosso objetivo é controlar Rae enquanto ela interage com o ambiente ao seu redor.

E,como ela é cega, o mundo é praticamente todo branco no inicio do jogo. Ela não vê nada, logo nós também não vemos. É preciso prestar atenção nos sons ao nosso redor para podermos realizar as tarefas mais simples (como, por exemplo, atravessar a rua). A medida em que Rae explora o mundo ao seu redor, os objetos vão aparecendo e o mundo vai tomando forma.

Enfim, esse é um conceito tão belo, tão simples, tão incrível, que eu não tenho nem como falar dele direito.

Okami

Sei que disse que essa lista não está em nenhum ordem específica. E, de fato, todos os itens anteriores não estavam. Mas Okami tinha que ter sido deixado por último. Okami é, na minha opinião, a peça artística por excelência.

Completando 10 anos em Abril do ano passado, Okami foi lançado para Playstation 2 e Nintendo Wii. Em 2012, houve um lançamento em alta definição para o Playstation 3.

Como muitos dos jogos da lista, ele é todo em aquarela, mas há 11 anos. A sua trilha sonora é impecável, sua história emocionante e a jogabilidade (com usos de elementos novos, como o Pincel Celestial, que funcionou muito bem com o controle do Wii), faz com que esse jogo seja, na minha opinião, a maior peça de arte já produzida para videogame.

Sério, deem uma olhada em algumas das screenshots do jogo. É embasbacante.

E aí, o que achou da minha lista? Você tem alguma peça de arte que deveria estar aqui e eu esqueci?Deixe sua opinião nos comentários.

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