Desde o lançamento do Persona 3, em 2006, eu me tornei um fã e tenho acompanhado não só a série Persona, como os jogos da Shin Megami Tensei (pelo menos todos os que eu tenho sido capaz de jogar sem ter que comprar múltiplos consoles). Desde então, eu joguei – além do próprio Persona 3 – o Persona 4 e o Persona 2. Nessa ordem. Persona 2 foi, na verdade, o verdadeiro motivo para eu comprar um PSP em 2013 e acho que foi o único jogo do aparelho que eu joguei até o final.

Em 2010, começou a surgir os boatos de que Persona 5 estaria sendo produzido e que sairia para o PS3. O jogo serviu como um dos principais estímulos para eu comprar o console em 2011. Em 2013 vieram as confirmações dos boatos, e o jogo recebeu uma data oficial de lançamento em 2014. A data sofreu diversos adiamentos, para o sofrimento dos fãs, mas o jogo finalmente chegou ao mercado americano dia 04/04/2017. Para o PS3 e PS4.

Eu me apressei para conseguir uma cópia virtual do jogo (ainda não consegui uma mídia física) e, com quase 20 horas jogo adentro, eu tenho apenas uma coisa para afirmar: O jogo valeu totalmente a espera. Se você fizer uma busca  sobre o jogo, você verá que os diversos sites de jogos estão o chamando de “último grande jogo do PS3” ou e “é JRPG em seu melhor”.

Segue a minha lista dos motivos pelo qual você deve parar tudo o que você está fazendo e jogar Persona 5 AGORA.

A Trilha Sonora

Se você estiver pegando um jogo da série Persona e colocando ele no seu videogame pela primeira vez, o primeiro contato que você vai ter é com uma música de abertura. Um clipe musical animado, que mostra os personagens e que fala um pouco sobre o tema que o jogo irá abordar. Isso não novo desse jogo, mas ocorre em jogos anteriores também.

É uma baita de uma primeira impressão. A música de abertura tem um ritmo absurdamente contagiante, com uma letra incrivelmente profunda e significativa para os dois minutos e poucos no qual ela toca (isso na abertura do jogo, se você buscar pela música completa, ela tem quase 5 minutos). Essa música inicial não só seta o tom do jogo, mas se torna parte da identidade dele. Ao ouvir a música, a sua mente será levada, automaticamente, para o jogo e as boas lembranças que você vai criar no jogo.

Ela é bem composta, bem executada e simplesmente fenomenal. Eu sou pego assobiando ou murmurando o ritmo da música em quase todos os momentos do dia. É sério, podem perguntar pra minha esposa. Imagino que ela esteja até se irritando com isso.

Mas nem só de música de abertura é feito um jogo. E eu só posso dizer que toda a trilha sonora, composta em sua maioria pelo Shoji Meguro, que trabalha na Atlus desde 1995, é simplesmente fantástica. Durante todo o jogo (ou, pelo menos, todo o jogo até onde eu joguei no momento) a música está em perfeita sintonia com a história, criando a ambientação perfeita para as ações que se passam.

Eu acredito que a cópia física do jogo deva vir com um CD com a trilha sonora. E eu entendo por que. Totalmente vale a pena.

E, saindo um pouco do assunto de trilha sonora (mas permanecendo no assunto de sons), eu tenho que dizer que a dublagem é fantástica. Eu estou jogando a versão dublada em inglês e, por mais que não seja o original em japonês, as vozes estão surpreendentemente boas.

A Apresentação

Persona 5 é um jogo que tem estilo vazando por todos os orifícios. Tudo do jogo é apresentado de forma estilosa e chamativa. Seja o design dos personagens, os menus de pausa e combate, o design dos Personas, as telas de loading (sério, eu nem faço questão de esperar o jogo carregar, é tudo muito estiloso), o cenário, as dungeons.

Enfim, deu pra entender. Tudo – TUDO MESMO – foi feito com muito esmero e carinho. Sério, até as partes de baixo e de cima da tela, que aparecem durante as animações, são animadas de forma detalhada e cheia de estilo. O uso do preto e do vermelho dão ao jogo um tom mais sombrio e urgente do que os títulos anteriores da série.

Se eu tivesse que apontar um defeito em todo o jogo, seria, porém, o design dos personagens que não são o protagonista, os confidantes (falarei deles mais adiante na lista) e os vilões. O NPCs, que andam pelas ruas de Tokyo e que não são mais do que simples coadjuvantes no jogo. Eles são, estranhos. Andam sempre curvados, com rostos sem expressão e não parecem ter forma física. Se você andar até eles (ou, mais provavelmente, eles andarem até você em seu percurso pré-determinado) eles vão, simplesmente, atravessar o protagonista, como que se estivessem encenando uma cena de Ghost.

Isso me ficou um pouco estranho. Mas é uma decisão que faz sentido. Quando você está guiando o seu protagonista pelos Metrôs da vida, seria terrível de você tivesse que ficar parado na escada rolante, esperando ela chegar até o final, por que o NPC sem nome e rosto não vai se mover mais rápido. Personagens sem importância ficam no caminho e atrapalhando em diversos jogos, e você poder atravessá-lo é, na verdade, uma ótima ideia. A postura curvada e os rostos sem expressão foram uma escolha visual arriscada, mas ela se tornou parte do jogo e, apesar de causar um certo estranhamento, não é o suficiente para prejudicar, de forma alguma, a sua apresentação.

A História

Quem já jogou qualquer jogo da série Persona (ou de Shin Megami Tensei, por falar nisso), sabe que não vai ser um jogo de RPG normal, que segue os esteriótipos e clichés tradicionais. Os jogos da Shin Megami tensei são algo diferente. Tem uma história estranha, peculiar e própria que, apesar de não ser exatamente para todos os tipos de jogadores, tem muito charme e uma profundidade que vai muito além do que tradicionalmente se esperaria de um jogo de video-game.

Em Persona 5, você começa controlando um protagonista (que é chamado de protagonista, pelo fato de você poder escolher o nome dele no começo do jogo), que é obrigado a se mudar de cidade e de escola por causa de um desentendimento que ele teve com a polícia. A natureza desse desentendimento é, no inicio do jogo, um mistério, mas vai sendo explicado a medida em que vamos jogando.

O protagonista chega no Le Blanc, um café cujo dono é amigo de seus pais e onde ele ficará hospedado durante o jogo. Ele, então, segue normalmente com a sua vida de estudante, indo se matricular na sua nova escola e ouvindo o discurso de que “se você se meter em encrenca, está fora”.

Logo o protagonista descobre que a vida não é tão normal assim, quando ele entra acidentalmente em uma universo paralelo. Ele – e outro garoto do colégio – vão parar em um castelo estranho e cheio de criaturas hostis. Lá, o professor de educação física da escola é rei e faz o que quer.

Depois de fugir do castelo, com a ajuda de um gato (mas não o chame de gato, ele odeia isso) chamado Mona, o protagonista descobre que esses locais são chamados de “Palácio” e que é o lugar onde os desejos mais perversos e deturpados das pessoas más se torna realidade. Além disso, ele descobre que, com a ajuda de seus Personas, ele é capaz de infiltrar nesses palácios e roubar o “tesouro” do palácio. O tesouro é uma espécie de item que personifica a natureza desprezível do dono do palácio e, se roubado, faz com que o palácio se desfaça. Isso, por sua vez, faz com que o senhor do palácio tenha uma chamada “mudança de coração”, onde ele se arrepende e confessa todos os seus crimes.

Fez sentido? Parece complicado? Pode até ser um pouco, mas o ritmo do jogo e sua narrativa é tão bem contada, que você não vai ficar com dor de cabeça nem nada do tipo. A história é excelente, abordando o tema de culpa, pecado e perdão. É um tanto mais sombrio do que os demais títulos da série, fazendo com que o 5 seja o Persona mais maduro até o momento.

A Jogabilidade

Esse é, discutivelmente, o ponto mais importante de qualquer jogo. O jogo pode ter uma ótima história e apresentação, mas se a jogabilidade não for boa, ele não pode ser considerado um jogo bom. Quem conhece os outros jogos da série Persona (principalmente o 3 e o 4) já vai estar familiarizado com alguns dos elementos do jogo.

Para quem não conhece a série, vou começar explicando alguns dos elementos que já estavam presentes nos outros jogos do título.

Na maior parte das vezes, Persona 5 parece um simulador de vida. Você controla o protagonista enquanto ele vai para a escola, estuda, responde perguntas e realiza diversas outras tarefas. O dia é dividido em diversos intervalos de tempos menores (manhã, almoço, tarde, depois da escola, noite) e você decide o que seu personagem faz em cada espaço de tempo. Na maior parte das vezes, existem obrigações que você deve realizar (como ir a escola), mas, depois disso, você tem total liberdade para fazer o que quiser. Quer sair com seu amigo? Pode. Quer ir pro café e testar a sua coragem tomando um liquido misterioso? Também pode. Quer alugar um DVD e ficar em casa? É uma possibilidade.

Pode parecer meu tedioso, mas eu garanto que não é. Primeiro pela simples quantidade de coisas que você pode fazer. As escolhas são inúmeras. Você tem total liberdade, e isso faz com que você nunca fique entediado. O protagonista conta com 5 atributos que podem ser aumentados, são eles: Coragem, Bondade, Charme, Conhecimento e Proficiência. A maioria das ações que você realiza, aumenta um pouco esse atributo (você pode estudar para aumentar Conhecimento, ou cuidar de sua planta para aumentar Bondade). Esses atributos são importantes, pois afetam a sua relação com os demais personagens e, com isso, cada atividade – por menor que seja – tem importância e você sente que está fazendo algo significativo.

Além dessas atividades, você pode escolher passar um tempo com o seu amigo, que me trás à outra mecânica do jogo: os Confidentes. O jogo é cheio de personagens com os quais você pode integarir e cada um deles tem um grau de relacionamento com você que vai do 0 a 10. Quanto mais tempo você passa com um Confidente, mais o seu relacionamento vai aumentando. Isso é importante, pois o relacionamento com o membro da sua party pode afetar os eu combate, destrancando novas habilidades para ser usadas em combate. Não só isso, mas outros relacionamentos, com pessoas que não sejam, necessariamente, membros da sua party, também destrancam habilidades úteis. Se você tiver um bom nível de relacionamento com a médica gótica do bairro, por exemplo, você terá acesso à melhores remédios que poderá comprar e levar para as suas explorações.

Não só isso. Mas cada Confidente está ligado a uma carta de tarô. Para que isso faça sentido, vou explicar outro elemento do jogo: Os Personas. Personas são uns tipos de criaturas que personificam o ego do protagonista e, ao invocá-las, o protagonista pode usar poderes especiais, como ataques de fogo, magia de cura, etc. Cada persona tem um tipo, que é uma das cartas de tarô e, quando você cria um Persona (através de um sistema de fusão, onde você sacrifica dois ou mais Personas para criar um mais forte), ele vai receber um bônus de XP dependendo do nível do seu relacionamento com o Confidente em questão. Você só pode criar Personas do mesmo nível de seu protagonista e, por isso, ter boas  relações com os confidentes é importante, pois, dependendo do bônus de XP, você pode ir explorar a masmorra com criaturas de até 2 ou 3 níveis mais altos que o seu.

Todos esses elementos já estavam presentes nos títulos anteriores, mas Persona 5 não é só mais do mesmo. Ele adiciona diversos elementos que melhoram muito a jogabilidade e fazem com que ele seja o melhor Persona até então.

A primeira melhora é o fato das dungeons não serem aleatórias, como era o caso nos títulos anteriores. Dessa vez, cada uma das dungeons é especialmente desenhada e criada de modo e refletir os pensamentos deturpados dos donos dos palácios. Ainda existem as masmorras criadas de forma aleatória, onde você pode ir ganhar alguns níveis, se quiser. Ela é chamada de Mementos e eu não vou entrar em detalhes pois o post está correndo o risco de ficar grande demais.

Além disso, o jogo adicionar duas mecânicas que não estavam presentes nos títulos anteriores. A primeira mecânica é a de furtividade. Tendo em vista que os personagens do jogo são “ladrões” que buscam infiltrar e roubar tesouro dos palácios de seus alvos, a mecânica de furtividade faz sentido e, apesar de ser um tanto rudimentar – com uma barra de percepção geral que se aplica a todos os inimigos – é uma mecânica que adiciona muito ao jogo, dando ao jogador vantagens se ele atacar um inimigo sem ser visto.

A segunda mecânica não é nova nos jogos da Shin Megami Tensei, mas era uma que, até então, não era vista na série Persona: a negociação com os inimigos. Se você deixar os inimigos vulneráveis, você tem a opção de negociar com eles para receber itens, dinheiro ou até adicionar o inimigo ao seu repertório de Personas.

De modo geral, a jogabilidade de Persona 5 é bem robusta. Pode parecer que tem muita coisa, ou que é muito complicado, mas, bem como a história, essas mecânicas nos são apresentadas aos poucos, com o desenrolar do jogo. Isso faz com que o jogo fique sempre novo e empolgante. De fato, eu já tenho quase 20 horas de jogo e sempre aparece algum novo elemento da jogabilidade que me faz pensar: “wut! Que massa!”

Os Personagens

Como disse no item anterior, o jogo tem uma mecânica de Confidente, onde você pode fazer amizades e criar relacionamento com outros personagens do jogo. Isso é importante por que lhe dá novas habilidades e afeta diretamente o combate.

Inicialmente, isso pode soar como alguma mecânica inventada com o objetivo de ser criativo ou inovador. E, sim, a mecânica é tudo isso. Mas ela não é só isso. Os personagens não são apenas uma desculpa para adicionar diálogos ou tempo de jogo. Cada personagem é extremamente bem desenvolvido, com seus medos, gostos, certezas, etc. Cada relacionamento se torna importância, pois você passa a se importar com aqueles personagens. Eles são seus amigos, e não só personagens em um jogo eletrônico.

Um dos meus elementos favoritos em um jogo são os personagens. Eu gosto de conhecê-los e de criar vínculos com eles. Acho que, como em todo meio de entretenimento, são os personagens que dão vida a história. E, se você for como eu, você vai adorar esse elemento de Persona 5. Os personagens são sensacionais (como tudo nesse jogo).