O que eu achei de G.I. Joe – Retaliação

-por , em 30/05 -
O que eu achei de G.I. Joe – Retaliação

Esse post está consideravelmente atrasado. O filme estreou em março e já se passaram bons dois meses e sabe-se lá quantos dias. Se brincar, o filme já está chegando nas locadoras por esses dias. E, olhem só pra mim, mal comecei o post e já estou esculachando meu próprio texto. Por que eu faço isso? Quem sabe? O ponto é, atrasado ou não, hoje vou escrever o que eu achei do Retaliação, o novo filme da franquia G.I. Joe. Eu não gostei do filme e, nesse post, irei explicar os meus motivos.

 

Em 2009, estreou o G.I. Joe, a origem da Cobra. Eu vi esse filme dos cinemas e gostei bastante dele. Achei a história bem elaborada e bem contada, os personagens bem desenvolvidos e o roteiro contendo uma boa mistura de ação e humor. Além disso, o filme termina com um ótimo gancho, dando a certeza de que haveria uma continuação. Quatro anos depois, chega essa continuação. E, na minha opinião, não fez jus ao primeiro filme, que nem foi tão absurdamente bom assim.

 

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Quem me conhece, sabe que estudei roteiro de cinema e que eu sou um roteirista (iniciante, mas ainda assim) e uma das coisas que eu curto muito, como roteirista e escritor de modo geral, são personagens. Acho que, com personagens bem desenvolvidos, com que os expectadores possam de identificar, a história torna-se até algo secundário. Quem nunca acompanhou um seriado com uma história ruim só por que gosta de algum personagem especifico?

 

O primeiro G.I. Joe fez isso de forma sublime. Temos o bromance entre os protagonistas Duke e Ripcord, além da relação entre eles e os antagonistas da história. A equipe dos Joes é bem definida. Um grupo de personagens diferentes, cada um com suas especializações e backstories. A super inteligente Scarlet, o técnico de informática (cujo nome não lembro agora) e Snake Eyes, o especialista em artes marciais. Cada um tem funções especificas e Duke e Ripcord entram nessa equipe e preenchem outras diferentes funções (Duke é mais combatente, enquanto Ripcord é um piloto).

 

Isso cria uma cena envolvente que, mesmo que a história não fosse tão bem desenvolvida assim (como filmes de ação geralmente são), você consegue acompanhar e se entreter. Além disso, tem o fato de Duke ter seu passado intimamente ligado aos vilões, o que torna o conflito muito mais pessoal.

 

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Em Retaliation não tem isso. Simplesmente. Dos personagens do primeiro filme, apenas Duke e Snake Eyes voltam. Duke é morto nos primeiros 20 minutos, assim como todos os Joes do mundo, aparentemente. Entendam: eles matam o protagonista da história! Ok, ok, eu li Game of Thrones e vejo o seriado e sei que matar o protagonista não é uma coisa tão absurda. Mas Duke estava diretamente ligado ao vilão do filme e, se ele já está morto, toda a Vendetta vai por agua abaixo e a gente perde em valor dramático.

 

Mas, o problema não é esse. O que me incomodou, de verdade, é que os personagens não são nem mencionados! Duke e Ripcord eram melhores amigos e, durante o tempo que Duke teve de filme, ele nem menciona seus antigos companheiros. Não há nenhuma referencia. Ninguém fala deles. Eles simplesmente foram ignorados ou deixaram de existir, e isso me incomoda.

 

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E ai temos os novos protagonistas. Em vez de Duke, temos Roadblock, que é interpretado por The Rock. E temos a dupla Jaye e Flint. E, claro, temos Snake Eyes, que voltou por que ele usa uma máscara, então não importa o ator que vá interpretá-lo. Roadblock é um cara grande e forte, especializado em armas pesadas, até ai, tudo bem. Ai temos Jaye, cuja única função é ser gostosa para se infiltrar em uma festa e conseguir informações. Quanto a Flint… Sério, quem é Flint? Ele não faz absolutamente nada no filme e não faz falta alguma.

 

Então nós somos obrigados a acompanhar esse grupo de protagonistas sem o menor carisma. Em certo momento, eu me pego torcendo para os vilões, que são mais envolventes do que os heróis. Storm Shadow, apesar de ter a profundidade de uma toalha molhada (para citar uma certa bruxinha) é mais interessante do que Snake Eyes, até por que ele, pelo menos, fala. Zartan, o mestre de disfarces, volta nesse segundo filme. E temos Firefly, um mercenário que usa pequenos insetos robóticos para explodir coisas e que, dos personagens novos introduzidos no segundo filme, é de longe o mais interessante e bem desenvolvido.

 

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A história mantém mais ou menos o mesmo nível que a do filme anterior (ou seja, é uma desculpa para colocar várias cenas de ação), com uma pequena ressalva. Como eles mataram o protagonista do primeiro, eles perderam o gancho dramático que era a vontade do vilão se vingar. Mas, o que seria de um filme de ação sem uma vendeta? Para resolver essa ausência, eles mexeram na backstory de Snake Eyes e Storm Shadow (backstory que estava devidamente amarrada no primeiro filme) e adicionaram uma virada forçada e colocou os dois ninjas – que eram rivais e que já tentaram se matar múltiplas vezes – para lutarem lado a lado. Eu simplesmente não engoli isso.

 

Mas quem se importa com as histórias e com os personagens? GI Joe é um filme de ação e, se ele tiver brigas de tirar o fôlego, já está bom. E isso o filme tem, correto? Não! Por mais que haja boas cenas de ação, não chegam aos pés das cenas do primeiro filme. Nada do segundo filme pode ser remotamente comparada à cena da perseguição em Paris, em que Duke e Ripcord estão usando roupas fodasticas que fazem eles correrem super rápidos.

 

Não que o segundo devesse copiar coisas do primeiro. Mas, se isso foi feito no primeiro, é por que existe o potencial de algo igualmente (se não mais) foda para o segundo. Eles já introduziram as roupas no primeiro filme, elas já existem na mundo de G.I. Joe, então, pro que não usá-las? Ou usar algum outro mecanismo tecnológico foda.

 

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Eu tinha altas expectativas para esse filme. Em grande parte, por que o trailer estava altamente empolgante, com Snake Eyes lutando pendurado em cordas e escalando uma montanha. Mas, de modo geral, achei que ele ficou alguns níveis abaixo do primeiro filme da franquia.

 

 

Cris Siqueira
por

Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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