BRINCAR NA NEVE | Frozen e Anjo Russo ajudaram a difundir a cultura da Escandinávia!

VEM SE APAIXONAR POR ESSA CULTURA COM A GENTE!

Recentemente publicamos aqui no site sobre a obra Anjo Russo da autora brasileira Zia Stuhaug. A Zia é brasileira e vive na Noruega há 10 anos, nesse tempo ela estudou a cultura viking e da Escandinávia para escrever seu livro romance.

A CULTURA SAMI

O personagem Kristoff foi confirmado por Jennifer Lee, codiretora da animação, como sendo um membro da população indígena da Noruega, os Samis — também conhecidos como Lapões, no Brasil. De fato, a vestimenta, o trenó com design específico e a paixão pelas renas são símbolos dessa antiga cultura, que continua a ser passada de geração em geração pelos Lapões.

Já na obra Anjo Russo, da escritora Zia Stuhaug, o vilão do livro, Mattias Larsen, passou a primeira infância em meio à cultura Sami, pois sua mãe era uma descendente deles. O personagem cresceu com uma forte inclinação a cultuar os deuses nórdicos e a cultivar rituais e tradições do povo Lapão. Adulto, especializou-se em Mitologia Nórdica, tornando-se professor.

Renas

A rena Sven, que realiza o alívio cômico da série, é uma outra representatividade da cultura do povo Sami/Lapão. Sven acompanha Kristoff para todos os lugares e, logo no começo, quando os cortadores de gelo estavam trabalhando, renas puxavam os blocos da carga – incluindo a fofa rena quando ainda era filhote!

Os Lapões utilizam as renas como meio de transporte no gelo, ou consumindo a sua carne. Em Anjo Russo, a personagem Elisa passa algum tempo em meio à cultura Sami e descobre que os Lapões consomem carne do mamífero. “Apaixonada por animais, Elisa quis antes de tudo visitar uma fazenda de renas. Sentia-se agraciada ao acariciar os cervídeos, que eram bem mansos. Só que depois não gostou nada em saber que essas mesmas renas seriam servidas em pratos exóticos para turistas famintos.” (Anjo Russo, p. 164)

Noruega

O país é o cenário por trás da animação da Disney. Entre a arquitetura típica da região, as cidades em meio à floresta de coníferas montanhosas, a Noruega é o local perfeito para isso. Mike Giaimo, o diretor de arte de Frozen, fez uma imersão com sua equipe no país. Ficaram quase dois meses apenas em pesquisa de ideias e inspirações, para ter o suficiente e começarem a desenhar os conceitos.

A autora Zia Stuhaug também não fez diferente. Entretanto, ela passou mais de uma década na Noruega — pois mora lá — e um pouco mais da metade desse período estudando sobre a cultura, costumes e mitologia para poder escrever a obra Anjo Russo.

Saunas

A palavra sauna vem do idioma finlandês e se tornou a mais conhecida da língua finlandesa no mundo.

O filme Frozen não poderia perder esta oportunidade e incluiu a sauna numa das cenas mais importantes do filme, em que Anna e Kristoff se conhecem. A cena inicia com Anna encontrando a loja em meio às montanhas nevadas. Ela toca na placa cheia de neve e, ao caírem os flocos, aparece o nome: Wandering Oaken´s Trading Post, e logo abaixo há uma placa menor escrita: And Sauna. Trata-se de um comércio variado, que também oferece os serviços de sauna, algo bem comun na Finlândia. Elsa entra no comércio porque precisa se aquecer e também está à procura de botas e roupas quentes. Assim que pega um par de botas e duas peças que parecem ser bem quentinhas, Kristoff entra na loja, quase congelado. Depois de discutir sobre o preço dos produtos que Kristoff gostaria de levar mas acha caro, o comerciante oferece os serviços da sauna por menor preço. Esta cena, inclusive, gerou muitos debates na internet. Não por incluir uma sauna no roteiro, mas por dar a entender que a família à qual o comerciante se refere como desfrutando da sauna é a sua própria família, só que ao redor dos filhos aparece a imagem de um homem. Ao ser questionada sobre a não clareza do que o episódio quis passar, a Disney não desmentiu, nem confirmou sobre a sexualidade do personagem (quando perguntada, a empresa simplesmente informou que “sabia o que estava fazendo”). O fato foi comemorado pela comunidade LGBT, que se sentiu incluída, mesmo a cena não esclarecendo o propósito.

O fato é que a sauna na Finlândia é um lugar de convívio importante. A página oficial da Embaixada da Finlândia em São Paulo explica que “a sauna já foi um importante lugar para partos e questões sanitárias. Hoje em dia a função social é sem dúvida a mais importante. Contrariamente aos preconceitos de alguns, a sauna não tem qualquer função erótica. Nos países nórdicos em geral, a nudez não é automaticamente associada ao erotismo. Amigos ou membros da família estão habituados a aparecerem nus entre si, em algumas situações, e a sauna é uma das mais importantes. Ocorrências de sexo numa sauna devem existir, tanto como existem em elevadores, cozinhas, casas de banho e outros espaços menos associados com actividades eróticas.”

A autora Zia Stuhaug não poderia deixar uma parte tão rica da cultura nórdica de fora. Incluiu em uma cena bastante romântica da obra a relação dos finlandeses com a sauna: “Era uma tarde típica na Finlândia, em que os hóspedes dos iglus feitos de vidro, em meio à natureza selvagem e branca, mergulhavam num buraco de águas semicongeladas, após saírem da sauna. Uma placa escrita em finlandês e inglês avisava: Os finlandeses só precisam de duas coisas: da natureza e de uma boa sauna.”

Casas de Gelo

Com um design muito mais atraente que um iglu, o castelo construído por Elsa com certeza é uma obra de arte. A equipe de arte da Disney fez uma viagem ao Hôtel de Glace Québec-Canada, o hotel de gelo em Quebec, no Canadá, para se inspirar no design do castelo construído por Elsa. Já na Escandinávia, as casas de gelo são os iglus, que ganharam uma repaginada e se tornaram luxuosas cabines de vidro.

Zia Stuhuag passou pela experiência e relatou parte dela no livro Anjo Russo, com a personagem Elisa. Enquanto estão no retiro, na Finlândia, Elisa e seu marido estão no iglu de vidro, com aquecimento interno, e um teto bem limpinho para poderem ver a Aurora Boreal, que realiza o espetáculo à noite.

Uma viagem à antiga cultura nórdica

A personagem Elsa e a própria história de Frozen foram inspiradas no antigo conto nórdico da Rainha de Gelo. Os Estúdios Walt Disney haviam se apaixonado pela história, assim como por outros contos, como A Pequena Sereia e A Nova Roupa do Imperador, do autor Hans Christian Andersen. Mas nunca conseguiram dar vida à história — até recentemente.

Muito influenciada pelo catolicismo e a reforma que tomou os países nórdicos, o conto também tem elementos do bem, demônios e anjos. No conto de fadas, há muito tempo, Trolls (seres do mal) produziram um espelho que só reproduzia as coisas ruins e vis da vida. Mas o espelho se quebrou em diversos pedaços, alguns tão pequenos que podiam entrar no coração das pessoas e em seus olhos, tornando-as más e frias, sem ver o que há de bom na vida. Alguns anos se passaram, e agora há duas crianças: um menino chamado Kai e uma menina chamada Gerta. As crianças são vizinhas e muito próximas, mas numa tarde, dois fragmentos do espelho se alojam no coração e olho de Kai, que passa a não reconhecer Gerta e a odiar tudo, menos flocos de neve. Então, a Rainha de Gelo o encontra e o leva para seu palácio. Gerta, sem saber o que aconteceu com o amigo, passa a procurá-lo em diversos cantos. Depois de encontrar muitos seres, pessoas e animais, Gerta é direcionada para o palácio da Rainha, acompanhada de uma mulher finlandesa, outra lapã, e uma rena. Para evitar que a neve que a rainha controla a machuque, Gerta reza, e a neblina de seu hálito se transforma em anjos que a protegem da neve. Ao entrar no castelo, Gerda encontra o seu amigo Kai quase congelado e lhe dá um beijo. Com o carinho, Kai acorda, o fragmento de espelho em seu coração derrete, e o de seu olho é lavado por uma lágrima. Então, o grupo está livre e volta para casa, com Kai e Gerta agora crescidos, pois encontraram o amor.

Do mesmo modo, Zia Stuhaug faz uma extraordinária viagem pela cultura nórdica, entrelaçando a história da Rainha Cristina da Suécia, suas incríveis curiosidades pessoais e de seu reinado; até a cultura do salmão — alimento tão importante para os noruegueses. Tudo isso com um toque de brasilidade, ao eleger a personagem principal como carioca de coração.

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Quem escreveu?

Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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