Termos como cancelada, renovada e finalizada giram o mundo das séries de televisão. Enquanto algumas encontram a felicidade de ter mais uma temporada confirmada, outras se despedem dos fãs de forma inesperada. Há ainda aquelas cujo final é previsto e aguardado, com sua história convergindo para um desfecho coeso, com as pontas amarradas. Independente do destino que assume, a continuação de séries sempre gerou embates entre os fãs e produtores, em sua maioria com opiniões diferentes.

Recentemente, o cancelamento de O Mundo Sombrio de Sabrina pegou a todos de surpresa. Inicialmente a série foi dada como finalizada, mas um post do criador, Roberto Aguirre, deu a entender que a produção foi cancelada. Afinal, qual a diferença?

Cancelamento

A exibição de uma série depende de inúmeros fatores burocráticos e financeiros, além da aceitação perante o público, que gera audiência, ibope e consequentemente, dinheiro. Toda a produção envolve gastos exorbitantes, que pagam desde o cenário até o salário dos atores. Caso não haja sucesso, não há retorno para a emissora e a série é cancelada. Por trás dos panos, existe uma empresa com imagem a zelar e um showrunner com produto pra vender. Enquanto estão em sincronia, episódios são feitos e a história continua, mas quando a balança começa a pender para um lado, o resultado não é bom.

O cancelamento de uma série acontece, em sua maioria, de forma repentina e sem um aviso prévio. Os atores são pegos de surpresa, o público não entende e questiona e a história não encontra um desfecho coeso. Na maior parte dos casos, não há preparação para a notícia de um cancelamento. Ficamos sabendo que não haverá uma nova leva de episódios e muitas vezes a trama fica em aberto, sem um final. Foi o que aconteceu, por exemplo, com The OA, Daybreak, The Messengers, Ninguém Tá Olhando e Sense8. Essa última, inclusive, gerou tanta polêmica pela ausência de uma conclusão, que um episódio de duas horas foi feito pela Netflix para amarrar as últimas pontas.

Quando há o cancelamento, a produção não se prepara para o fim, apenas o aceita. A história desenvolvida para ter mais temporadas é obrigada a acabar ali, de forma antecipada. A decisão de cancelar uma série parte, em sua maioria, da emissora. Os resultados não trazem retorno financeiro e não há uma razão para seguir com aquilo. Página virada, fãs decepcionados e indignados e uma emissora apenas fazendo seu trabalho.

Finalizada

A principal divergência entre um cancelamento e a finalização de uma série está na escolha. A produção e a emissora decidiram que aquele era o melhor momento para encerrar a história, de forma a torná-la memorável no futuro. Toda trama possui três momentos, um início, meio e fim. Ao finalizar uma série, fatores indicam que chegou a hora de partir para o último momento, resolvendo pontas soltas, completando lacunas em aberto e deixando os fãs saudosos, mas com suas perguntas respondidas.

A decisão de finalizar uma série parte do criador, que em conjunto com a empresa responsável, concluem que chegou a hora de acabar. Nada dura para sempre (só Grey’s Anatomy) e muitas vezes, a decisão de encerrar uma história é sábia. Quantas produções não se tornaram arrastadas e entregaram temporadas desnecessárias por que não se soube a hora de parar? Lost e Glee deixaram sua marca no mundo, mas ao lembrarmos de cada uma, voltamos aos primeiros episódios. Não é preciso criar 10 temporadas para prender os fãs, desde que a história faça sentido e ao final, aplaudamos aquilo que nos foi exibido.

A Netflix exibiu o final de 13 Reasons Why e Dark recentemente, duas de suas maiores produções. A primeira trouxe 4 temporadas, enquanto a segunda acabou na terceira. Não foi preciso muito, mas temos certeza que os fãs lembrarão com carinho de ambas as séries.

Ainda não sabemos o que vai acontecer com Sabrina, mas teremos de esperar para ver.

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