Popcorn Time ligado e ninguém sabe o que assistir, o que um quer os outros dois não querem. Cansei de tentar enxergar os nomes dos filmes por causa da minha teimosia, então apenas assisti as discussões engraçadas dos irmãos Navarro. Até que Leonardo botou ordem na bagaça e colocou o filme A Cela que, por sinal, eles já haviam assistido quando criança. Será que eu era a única pessoa que não tinha assistido? Por que não era muito conhecido? Será que é bom?

E aos poucos fui entrando em um dos filmes mais hipnotizantes que já assisti na vida. Entenda.

Para pegar um assassino, é necessário “entrar na mente” dele – e é claro que esse conceito de sondar a mente de serial killers tem sido tema de uma multidão de filmes. Porém, em A Cela, a abordagem é muito mais literal a esta ideia, levando para o surreal, para a beleza e principalmente para a perturbação imensa que tal mente pode abrigar. A Cela com notáveis efeitos visuais e uma nova abordagem ao gênero, é um filme inesquecível.

Com a história original de Mark Protosevich, que também escreveu os roteiros para Eu Sou a Lenda (2007) e o remake americano de Oldboy (2013), A Cela foi um sucesso de bilheteria, em última análise, mais de três vezes o seu orçamento original de US $ 33 milhões. A Cela foi o primeiro filme de longa-metragem para o diretor formado em Harvard, Tarsem Singh. Antes disso, Singh tinha trabalhado principalmente em comerciais e vídeos musicais, incluindo o vídeo premiado de “Losing My Religion” do R.E.M.

A Cela

Apesar de seu sucesso financeiro e aprovação de críticos respeitados como Roger Ebert e Peter Travers, A Cela nunca garantiu completamente um lugar entre a vasta coleção de filmes modernos que são consideradas grandes (vai ver é por isso que eu nunca tinha ouvido falar sobre a obra).  Para alguns fãs o filme é um pouco alienante – muito estranho para aqueles que procuram um thriller clássico e com “ciência” e é implausível e vago demais para os fãs de Sci-Fi.  Os fãs de horror reclamaram pela escolha dos atores, por acreditar que Jennifer Lopez era pop demais para o papel principal (haters gonna hate). No entanto, houve aqueles que amaram e que consideram o filme subestimado para sua época, e eu concordo com eles.

O enredo de A Cela é a de um Drama Crime / Suspense. O filme lembra um pouco O Siêncio dos Inocentes pelo fato de ter uma protagonista feminina e um serial killer que tem que ser desvendado. Na cela, Jennifer Lopez interpreta Catherine Deane, uma psicóloga infantil, que é especializada em trabalhar com pacientes em coma. Um elemento de ficção científica é introduzido com a técnica que Deane usa, que envolve um procedimento que lhe permite entrar na mente subconsciente de seus pacientes comatosos.

O Agente Peter Novak (Vince Vaughan) do F.B.I. pede a ajuda para Deane para encontrar a mais recente vítima do serial killer Carl Stargher (Vincent D’Onofrio), com a finalidade de encontrar pistas do paradeiro da jovem que ainda se encontra na câmara de tortura, Deane deve entrar na mente perturbada do assassino em coma.

A Cela

O modus operandi de Stargher é colocar suas vítimas em uma caixa de vidro e lentamente preenchê-la com água. Uma vez que a vítima tenha se afogado, Stargher “limpa” o corpo e exibe-o como se fosse uma boneca. Deane deve explorar a mente subconsciente de Stargher e descobrir onde a vítima está localizada antes da caixa se encher completamente. Deane busca respostas com grande risco de perder sua própria sanidade: quanto mais tempo se gasta em uma mente perturbada, mais é arriscado em ficar preso lá. Previsivelmente, Deane, de fato, fica presa, e Novak também deve penetrar na mente de Stargher para ajudá-la.

As cenas que ocorrem na mente de Stargher são o gatilho que muda o filme de Suspense para Horror. As imagens não são apenas violentas, mas também poeticamente bizarras.

A Cela

Não tem como discutir o fato de que A Cela é visualmente deslumbrante, muitos criticaram o filme por ser “todo o estilo e nenhuma substância.” No entanto, mesmo que fosse para eliminar o imaginário surreal, a trama ainda seria atraente, embora um pouco familiar, especialmente agora. Talvez o elemento mais desafiador do filme é e que ao fornecer uma narrativa visual da educação angustiante de Stargher, o filme pede a empatia dos telespectadores para com um serial killer. A implicação é que, embora Stargher é de fato diabólico a pessoa responsável pelo cultivo desse ódio é pai abusivo de Stargher. Claramente, Stargher era uma criança inocente que foi corrompida pelos atos desumanos de seu pai. Deane tenta apelar para a versão jovem de Stargher por socorro, mas, sua versão adulta Stargher o Demon King, com vestes fluindo envolvendo um corpo imponente musculoso, reina neste mundo. Afinal, enquanto ele mantém essa forma, ninguém nunca vai prejudicar Carl Stargher novamente.

O filme é intrigante, hipnotizante e visualmente muito belo, mas devo avisar que não agrada a todos os gostos.

A Cela

OBRIGADÍSSIMA PELA IDEIA DE FAZER UM POST SOBRE O FILME JEFFERSON NAVARRO – O CORVINO!

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