Faroeste Caboclo: Uma compreensão além de modismo!

-por , em 14/06 -
Faroeste Caboclo: Uma compreensão além de modismo!

Olá pessoal! Guardei meu coração e meu cérebro para escrever este post com muita calma e sabedoria. Na última semana fomos assistir ao filme nacional Faroeste Caboclo, inspirado na música (de mesmo nome) de Renato Russo. Fiquei abobalhada (não existe termo mais real) depois de assistir ao filme, de relembrar tudo o que esta música significa e significou para mim. Ansiava pelo momento que iria escrever para vocês e este momento, finalmente, chegou.

 

Faroeste Caboclo foi lançada oficialmente em 1987. Nesta época, eu nem sonhava em ser apaixonada por Legião, por Renato Russo ou por qualquer história que refletisse a verdadeira situação do nosso país. Poucos anos mais tarde, mais ou menos quando eu tinha 9 anos, conheci Renato Russo e sua banda através desta música. Foi a primeira que ouvi, apesentada por uma prima pseudo-roqueirinha que, na época, cismava em fazer teatrinhos com a história tão bem contada pelo nosso cantor-poeta. A música espantava pelo seu tamanho (9’03), sua letra era desafiadora e inteligente, decorá-la era uma conquista.

 

atores faroeste caboclo

 

Quando fiquei sabendo que a música inspiraria um filme, fiquei apreensiva, assustada e literalmente com medo de estragarem minha obra de arte de infância. João de Santo Cristo, Maria Lúcia e Jeremias povoavam a minha mente muito mais do que qualquer Chapeuzinho Vermelho que pulasse pelos campos floridos. No dia que conheci a música, lembro de ter refletido por alguns minutos sobre: amor, história, Brasil, política, Brasília, Drogas e Violência. Gente, eu tinha 9 anos.

 

Ao sentar na sala do cinema para assistir o filme, eu estava nervosa, com medo de não gostar, com medo de estragarem tudo. E de repente tudo começou. Melodia de início de música, cenas do interior sofrido do nordeste brasileiro e um João de Santo Cristo com olhar de João de Santo Cristo mesmo. As cenas iniciais traçaram a delicadeza do filme e a sutileza dos assuntos abordados na música. O tema era forte, isso eu já sabia. Não estamos mais na época da repressão, isso todo mundo sabe. Mas nosso “politicamente correto” é hipócrita e isso, devido à própria hipocrisia, todo mundo nega.

 

santo cristo brasilia

 

Como uma verdadeira fã da música, chorei em inúmeros pontos do filme. Não sou hipócrita e sei reconhecer as diferenças óbvias entre os dois meios de comunicação – música e filme. Mas também não sou burra e sei associar a diferença ritmada dos roteiros, a necessidade de adaptação, de cortes, seleção de cenas, de história, enfim, tudo aquilo que precisa ser modificado para o filme. Santo Cristo chegando em Brasília, na minha opinião, foi lindo. Exatamente como eu imaginava – exatamente como eu sonhava – exatamente como Renato descreveu.

 

Os pontos do filme que me fizeram chorar foram aqueles sutis, que só um fã pôde reconhecer. Sabe aquele tipo de detalhe que nos faz relembrar momentos  bons da vida? Tipo cheirinho de café e bolo que nos lembra a casa da avó, pipoca na rua que nos lembra a porta do colégio na hora da saída… Essas coisas. A música continha pequenos detalhes que já haviam sido responsáveis, há muitos anos, por traçar a história em minha imaginação. A frase “Meu Deus, mas que cidade linda” ao chegar em Brasília, o fato de que “Maria Lúcia era uma menina linda e o coração dele pra ela, o Santo Cristo prometeu”, o sofrimento ao saber que ele “iria ao inferno pela primeira vez” e que depois “foi ao inferno pela segunda vez”, o momento exato em que “o sol cegou seus olhos e então Maria Lúcia ele reconheceu” e a parte em que “Santo Cristo deu cinco tiros no bandido traidor”. Tudo isso, para um fã, é digno de lágrimas sim.

 

santo cristo e maria lucia

 

Não quero dar muitos spoilers – por mais que eu saiba que a maioria conhece a letra e já sabe começo, meio e fim da história. Por isso pararei por aqui. Preciso apenas dizer que é lamentável perceber que somos um país de gente sofrida, de milhões de ‘João de Santo Cristo’, de lindas ‘Maria Lúcia’s que sofrem por amar demais e ter que se sujeitar a seguir a regra de sua sociedade para não ser julgada, de ‘Jeremias’ que estragam a vida de muitos jovens só para se dar bem. É lamentável saber que hoje, quase 30 anos depois do lançamento da música libertadora de Renato Russo, ainda somos o mesmo país que privilegia os ricos, ignora e assassina os pobres e não faz nada “por essa gente que só faz…..sofrer”!

 

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Cris Siqueira

Nerd, administradora, RPGista, apaixonada por gastronomia, curiosa sobre todos os assuntos e acha que Darth Vader é Deus. Gasta seus “bons tempos” escrevendo, lendo, vendo seriados e viajando. Reza todos os dias para tirar sempre 20 nos dados e nunca morrer no meio de uma batalha!

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