Muitas mulheres, com o passar do tempo, sofrem preconceito e pressão da sociedade sobre seus relacionamentos e metas de vida. Especialmente quando já se aproximam da casa dos trinta e ainda estão solteiras,  pois a sociedade espera que a mulher siga o ciclo padrão: namorar, casar, ser mãe. Foi por causa dessa pressão em sua própria vida, que a fotografa americana, Suzanne Heintz, criou um projeto de fotografia pessoal sobre o que seria, essencialmente… Ser uma solteirona!

Tudo começou por causa de perguntas como “Você é uma garota encantadora. Por que não está casada?” Depois de muitas vezes ouvindo esta pergunta, Suzanne decidiu comprar uma família de plástico! Dois manequins que se transformaram respectivamente em seus “marido e filha”.

Suzanne explica: a idéia desse projeto fotográfico tão inusitado surgiu depois de uma conversa em que mãe a aconselhou a “escolher alguém e sossegar”. Ela respondeu que não há como sair pela rua para “comprar uma família”. Mas isso a inspirou, como fotografa que é, para um projeto artístico: o de formar uma família com manequins!

Assim nasceu o projeto Life Once Removed (“Quase como a Vida”, em tradução livre), em que ela retrata os momentos de sua vida com a família de plástico, lançando uma crítica às expectativas que a sociedade tem em relação à vida das pessoas e ao papel da mulher, questionando os conceitos vigentes de uma vida plena e realizada.

Ela começou a fazer as fotos primeiro em sua casa, há mais de uma década. Depois o projeto se estendeu para as ruas e para outras cidades. O acervo hoje inclui fotos que fazem sátira aos típicos cartões postais que as famílias americanas tradicionalmente fazem em viagens e ocasiões especiais, as cenas cotidianas da rotina em família, entre outros.

 

Suzanne declara que as pessoas amam obedecer a imagem formatada do que seria uma vida bem vivida. Que isso está tão profundamente arraigado, que automaticamente sorrimos diante de uma câmera, fazendo parecer que o momento nos faz plenos, razão pela qual ela nos pergunta: será que vivemos nossas vidas com uma consciência aguda de como os outros a vêem, ou apenas do que ela parece? Ela ainda diz que pode muito bem ser feliz sem ver o conteúdo de uma caixa com um anel de casamento ou verificando dentro de um carrinho de bebê. Que só porque ela não está fazendo um álbum de momentos como esses (o que não é o ponto aqui, ela pode muito bem fazer esses álbuns com sua família comprada), isso não significa que ela esteja perdendo alguma coisa ou aproveitando menos a vida. E, que quando as pessoas a vêem tirando suas fotos e perguntam o porque dela estar fazendo isso, chegam mais perto de compreender isso também.

Será que seguir os padrões tem de ter mesmo tanta importância assim?

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