A Primeira temporada de Expresso do Amanhã (Snowpiercer), teve -finalmente- todos seus episódios liberados pela Netflix e fomos surpreendidos. Não é mesmo?

Ao longo das semanas fomos conduzidos por esta locomotiva, desde o princípio da revolução até a chegada de novas e antigas pessoas.

Baseada em uma graphic Novel francesa, tem a mente por trás de Parasita, Bong Joon-ho, como produtor executivo e conta que o mundo que conhecemos colapsou, após uma bomba atingir o núcleo e congelar o planeta; um visionário projeta um trem com recursos ilimitados e auto sustentável, que rodaria o mundo inteiro sem parar, mantendo vivos as pessoas que compraram bilhetes; contudo no dia do embarque o trem foi invadido por um grupo, chamados na série de fundistas, que sobrevivem em um único vagão e são impossibilitados de circular, sendo alimentados com sobras e sofrendo as consequências dessa “invasão.

O lançamento de Expresso do Amanhã não poderia ter acontecido em um melhor momento, em uma época onde as pessoas estão em casa e buscando por algo diferenciado, a série chega com algo realmente diferente de tudo que já viu. Não somente pela sua temática, mas por se tratar de pessoas obrigatoriamente confinadas precisando sobreviver dia após dia, em meio a uma disputa social, criada por suas classes, em um planeta onde o dinheiro não significa mais nada.

Os primeiros episódios fornecem uma gama de informações dentro de uma narrativa dinâmica, mas ao mesmo tempo com temas carregados de tensão. Amputação e canibalismo são apenas algumas das menções presentes. Contudo, ao longo dos capítulos, histórias são esquecidas. Isso, foi um dos pontos negativos do show. Na tentativa de expandir o universo criado na Graphic Novel e abordado no filme, tramas com muito potencial não ganharam profundidade se tornando esquecíveis em meio a uma linha do tempo confusa.

A forma que Graeme Manson escolheu para conduzir a narrativa, foi perfeita para distancia-lo o máximo possível. A mesma violência esta presente, mas de uma forma que seja compatível para sua exibição televisiva, mas o melhor dessa nova leitura, é a possibilidade de expandir a história introduzindo novos elementos, e permitindo que todas as “classes” tenham suas histórias contadas.

A primeira temporada nos apresenta a locomotiva de recursos infinitos, mas de peça não tão infinitas assim. O segundo ano, já confirmado, provavelmente nos esclarecerá todo o mistério em torno do Sr. Wilford. Penso que a escolha de uma temporada para lidar com esse elemento em questão, foi de fato assertiva, pois ao que tudo indica esse “mistério” é o que rege toda a história.

O elenco é simplesmente impecável, destacando obviamente Daveed Diggs, o detetive fundista que luta por igualdade e a Jennifer Connelly, que dá vida a Mellanie, responsável pela ordem do trem.

Expresso do Amanhã é essêncial, para analisarmos os mais profundos discursos morais da sociedade e até quando são válidos. Vale muito a maratona.

Expresso do Amanhã já está disponível na Netflix.

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