Quando li a obra de Iain Reid que da título ao filme ‘Estou pensando em acabar com tudo‘, fiquei por horas me remoendo e tentando absorver tudo aquilo que acabara de ler. Eu pensava o quão incrível, sombrio, significativo e reflexivo era aquela história. Pouco tempo depois era noticiado que a produção viraria filme, me questionei como seria possível… E foi. Obviamente, o original Netflix dirigido por Charlie Kaufman possui diferenças sutis, se comparada a obra original, contudo a tornam ainda mais especial, e porque não poética, de certa forma.

O thriller psicológico tem ganhado grande espaço no cinema e no gosto do público, que cada vez mais, buscam produções que tragam algum tipo de emoção, e porque não, uma reflexão por trás da história apresentada?!

O filme acompanha Jake e sua namorada em uma viagem para que esta conheça seus pais. A namorada tem pensado em terminar com Jake. Ele é bom o suficiente, mas não parece haver muito futuro ali, ou em qualquer lugar. Por todo trajeto, somos levados aos mais profundos anseios e temores dos protagonistas, entre eles: O tempo, relacionamentos, envelhecer e simplesmente existir.

‘Estou pensando em acabar com tudo’, não é um filme de fortes emoções, ou jump scares. Mas sim, uma trama que te leva por uma série de questionamentos existenciais, e principalmente sobre o terror de se estar vivo em meio ao mundo atual.

O longa ainda nem chegou ao público, mas eu sinto que ele dividirá opiniões, pois se trata de um filme extremamente abstrato, onde muitos dos diálogos metafóricos dizem muito sobre tudo que está ali subentendido. Extremamente melancólico, as linhas do roteiro te conduzem aos anseios, as dores, traumas, lamentos dos personagens… E a cada lágrima, a tristeza da existencialidade e da vida passando diante de seus olhos, fica clara.

Uma obra que causa incomodo, desconforto, tédio… Mas essa é intensão de Charlie Kaufman, essas são sensações latentes, e nos fazer sentir como os personagens se sentem é fundamental para se sentir inserido na narrativa como espectador.

Constantemente falamos aqui sobre o como cada diretor tem sua assinatura, e com o Kaufman não é diferente. Ele não se preocupa em te dar respostas; e acredite em mim, muitas perguntas serão feitas ao longo desse filme. No entanto, ‘Estou pensando em acabar com tudo’ é um daqueles filmes que respostas são indiferentes… É uma obra que se conecta com nossa existência.

A cinematografia reflete a melancolia mencionada anteriormente através da forma que a câmera passeia entre as cenas e os personagens. Transitando entre cômodos vazios e os olhares tristes.

Toni Collette e David Thewlis estão fascinantes e a forma que se comportam é inquietante, mas ao mesmo tempo reconfortante de alguma forma, sendo eles então, uma espécie de respiro narrativo. Contudo, Jesse Plemons e Jessie Buckley são impecáveis; Pleamons segue a linha sombria, enquanto Buckley expressa claramente o sentimento de angústia e da não compreensão.

‘Estou pensando em acabar com tudo’ é um filme de gatilhos, o que explica sua classificação etária. Uma obra que foca nos horrores que permeiam a sociedade. Assustador de uma maneira que filmes de terror convencionais realmente não são. É de longe uma das produções mais sombrias que já assisti, mergulhada na ansiedade de forma tão sufocante, que deveria vir com um aviso de saúde mental.

O filme estreia dia 4 de setembro na Netflix.

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