Era uma vez… Sempre que vemos tais palavras, vem às nossas lembranças aqueles contos de fadas, para muitos de nós, bobinhos, aquela coisa enjoada, que termina com “e foram felizes para sempre”. Mas sabemos que nem sempre foram assim. Se pegássemos os contos de fadas nos séculos XVIII ou XIX, veríamos que as tramas eram bem mais violentas do que os nossos contos de fadas atuais, fazendo até pessoas dizerem que não eram contos infantis.

Poderiam até ser, mas, como a realidade era outra, eles tinham outras preocupações e outras coisas a serem alertados, não faria muito sentido escrever sobre coisas que nos assustam hoje, eles, nesta época, tendo que se preocuparem com fome, doenças, animais selvagens e pessoas desconhecidas, não era de se esperar que contassem histórias para preparar as pessoas, principalmente as crianças, com contos que dessem medo que fizessem com que obedecessem aos pais.

Porém, antes de serem modificados, com o intuito de ensinar as crianças sobre os perigos do mundo, tais contos faziam muito sucesso nas reuniões de adultos, contendo teor, como já dito, violento e podíamos ouvir coisas sobre tortura, estupro e até mesmo canibalismo. Dizem que, a Madrasta da Branca de Neve fora condenada a dançar em brasa até morrer, que a Bela Adormecida fora estuprada (há versões que dizem ter sido pelo príncipe e há versões que diz que fora pelo próprio pai) e que acordou com dois filhos, pois um deles, ao sentir fome, sugou seu dedo, tirando o que a fazia dormir e até a Chapeuzinho Vermelho que fez strip-tease antes de ir para a cama com o Lobo (é para acabar com a infância de qualquer um, não?).

Assim, devido à influência das culturas regionais e contextos históricos (e muitos vão dizer, “por causa da Disney”), os contos de fadas foram se transformando e assumindo mais o formato que conhecemos hoje em dia, histórias românticas, que, por mais que se tenha que passar por vários empecilhos, tudo, ao final, dá certo, e essa trajetória, é o que dá as lições de moral, que, por mais que tenham se modificado, os contos de fadas não perderam.

Agora, por que falar de contos de fadas? Percebe-se que recentemente, os contos de fadas voltaram à tona, e com muita força, afinal foram vários filmes, releituras e seriados que surgiram em torno deste tema, além de vários contos de fadas modernos como, por exemplo, Edward mãos de tesoura, conto de fadas às avessas, o Fabuloso destino de Amelie Poulain, dentre outros vários filmes que merecem a nossa atenção.

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De seriados, podemos citar dois ótimos que estão nas paradas do momento, Once Upon a Time e Grimm, que vem reviver, mais uma vez, os contos de fadas, que pelo visto, nunca irão morrer. O curioso é que, todas as releituras que se faz de Contos de fadas ultimamente, assim como os seriados, nos traz uma versão, totalmente inédita, do que já foram os contos. Por exemplo, conseguiria você enxerga as personagens de contos de fadas vivendo sobre nós? Se sim, o que eles seriam?

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Once Upon a Time nos responde, pois é exatamente do que se trata, devido a uma maldição, muitos dos nossos personagens (favoritos ou não) de contos de fadas, vem para aqui, neste mundo, esquecendo quem eram anteriormente, e assumindo personalidades um pouco diferentes do que costumavam ter no seu mundo de origem, como o Grilo Falante que assume um psicólogo, a Rainha Má, que agora é a prefeita da cidade, Branca de Neve é uma professora, e por aí vai, fazendo um adendo de que, mesmo na sua terra de origem, as personagens não são como imaginávamos, pois Branca de Neve é uma guerreira, o Charming, um filho ilegítimo, Mulan anda com a Bela Adormecida e Rumplestiltskin é ao mesmo tempo a Fera e o Crocodilo do Capitão Gancho, nem todos tão bonzinhos como pensávamos.

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E mais além foi o Grimm, retomando sim os contistas do século XVIII como uma linhagem capaz de identificar dentre a população os chamados “Wesen”, que seriam mais ou menos seres híbridos, humanos, que tem a capacidade se transformar em seres que deram origem às diversas histórias que existem, e que, muitas vezes, dependendo do tipo que fosse, podendo causar danos às pessoas que não o são, cabendo ao descendente dos Grimm acabar com isso, e salvar o mundo.

A questão é, por que houve a necessidade de se remontar mais uma vez os contos de fadas? Se hoje, já temos informações e concepções de como devemos ser e agir no mundo, por que retomar, e dessa maneira os contos de fadas? Seria resgate de valores, voltar acreditar em algo mais puro, mais simples?