UMA DICA DE LIVRO SOBRE GRACILIANO RAMOS!

Com 12 ensaios, “Graciliano Ramos – Muros sociais e aberturas artísticas” é uma coletânea de textos que pretende pensar a obra do autor de “Vidas secas” a partir da interação de suas narrativas com as literaturas do Brasil, de Portugal e de Cabo Verde, com outras áreas do conhecimento, como política e sociologia, e ainda com relação a outras artes, como cinema, artes plásticas e a própria criação literária. Em dois textos, são analisadas a importância da literatura de Graciliano para crianças. Um deles é assinado pelo escritor Ricardo Ramos Filho, neto do autor.

Os autores são vinculados ao grupo de pesquisa USP/CNPQ Estudos Comparados: Graciliano Ramos – pontes literárias, socioculturais e com outras artes. Um deles, Thiago Mio Salla, cujo texto analisa as representações do carnaval nas crônicas de Graciliano Ramos, é organizador de outras coletâneas do alagoano, como “Garranchos”, “Cangaços” e “Conversas”, as duas últimas em parceria com Ieda Lebensztayn.

Organizada pelo professor e crítico literário Benjamin Abdala Jr., a obra chega às livrarias em março, pela editora Record, que publica toda a obra de Graciliano Ramos.

No ensaio-apresentação, de autoria do organizador deste volume, há referência a um “mundo coberto de penas”, que foi o primeiro título dado por Graciliano Ramos ao seu romance Vidas secas, antes de a narrativa seguir para a impressão. Nesse mundo, extensível ao conjunto de sua obra, narradores e personagens mostram-se, além de “cobertos de penas”, também socialmente emparedados.

E serão os processos enunciativos de suas narrativas que apontarão para a possibilidade de aberturas, pelas suas simbolizações críticas e aberturas artísticas, como aparecem nos ensaios aqui reunidos. Dessa forma, os modos de articulação de sua escrita podem migrar, de acordo com as expectativas de seus leitores, para outros campos, cujo conjunto impregna de criticidade contextos situacionais por eles vivenciados.

Configura-se, assim, em Graciliano Ramos, uma estratégia contra-hegemônica em relação aos modos de articulação socialmente dominantes, que migram dos modos de pensar a realidade provenientes da economia e modelam hábitos cotidianos, além de modos de articulação/de pensar a realidade de outras áreas do conhecimento.

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