No meio de uma gama de produções incríveis que chegaram à Netflix no último dia 1, Dias sem fim caiu no esquecimento… Mas, não deveria.

O drama que tem Ashton Sanders e Jeffrey Wright, aborda a reflexão de um jovem, na prisão, ponderando todos os motivos que o fizeram chegar até ali.

O roteiro de Joe Robert Cole, se divide em três linhas temporais, muito bem estruturadas. Uma, acompanhando a infância de Jahkor sendo abusado físico e emocionalmente por seu pai viciado; a segunda, onde vemos o personagem lutando contra o meio para não se inserir no crime, sem sucesso; e a terceira, quando o personagem já está no presídio, cumprindo prisão perpétua.

Não espere um filme de ação ao assistir, Dias sem fim. Além de ser extremamente sensível, seu título também nos leva à reflexão, quando pensamos em todo trajeto que levou Jahkor até sua condenação, em meio a todo pré conceito, toda violência, toda omissão. Não há romantização dos crimes, há explicações, mas sem desculpas.

A proposta narrativa de Cole fica clara, quando vemos que Jahkor já era preso, antes mesmo de seu crime, através de rótulos sociais. Os personagens são responsáveis por suas escolhas, estas, limitadas.

Sanders, que já havia mostrado seu potencial em “Moonlight“, em Dias sem fim, transcende. Sem muitos diálogos, o ator consegue nos deixar transparecer que sente, somente com o olhar… E isso demonstra sua sensibilidade, mais do que necessária nessa produção que fala muito sobre escolhas -impostas- e sentimentos.

Um drama denso, necessário e reflexivo sobre causa e consequência, em meio a uma sociedade de oportunidades limitadas, digno de qualquer premiação.

Dias sem fim já está disponível na Netflix.

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