Quando os primeiros anúncios de O Diabo de Cada Dia chegaram a Netflix, criou-se toda uma expectativa em cima de seu elenco. Estamos falando de um produção que conta com Sebastian Stan, Bill Skarsgard, Tom Holland, Robert Pattinson e muitos outros. Após mais de duas horas de filme, é possível concluir que quem o assistir pelo elenco não irá se decepcionar. A genialidade de cada ator é fundamental para dar forma ao roteiro morno e são eles que impedem o fracasso total do lançamento da Netflix, que de tão longo, cansa.

O thriller é uma adaptação do livro de Donald Ray Pollock, de mesmo nome. Como o título já diz, a história aqui é toda embasada no fanatismo religioso e nos demônios que cada um traz dentro de si. O filme nos mostra algumas versões da atuação “do diabo”, responsável pela criação de um reverendo pedófilo, um casal de assassinos e ainda um policial obcecado por relações sexuais com a própria irmã. Quando o dito diabo começa a atuar na pequena cidade de Knockemstiff, crimes começam a acontecer e vidas inocentes são perdidas. Entre elas está o pequeno cachorro de Arvin (Tom Holland), uma espécie de salvação dentre os “endemoniados”.

O filme

A trama nos leva a uma parte rural do sul de Ohio, por volta dos anos 50. O cenário é a cidade do interior, marcada por pessoas extremamente religiosas que acreditam piamente na vontade de Deus. Willard Russell (Bill Skarsgard) voltou da guerra marcado pelas atrocidades que viu por lá e acredita que isso não o faz mais um homem de fé. Quando sua esposa descobre um câncer terminal, ele atribui a Deus a culpa pela perda da mulher. Obcecado, comete atrocidades buscando voltar a ter o apoio de uma força superior, desde obrigar o filho, Arvin, a rezar compulsivamente mesmo sem querer, até sacrifícios vivos. Ele fica marcado pelo fanatismo religioso do pai e mesmo sendo criado por um casal adorável, se torna um menino violento e desconfiado.

Ao longo dos muitos minutos de filme, conhecemos Carl e Sandy Henderson (Jason Clarke e Riley Keoug), um casal bizarro de serial killers. Eles se passam de boas pessoas ao oferecerem carona para homens no meio da estrada, mas tem como principal objetivo o crime que acontecerá momentos depois. Sandy é irmã de Lee Bodecker (Sebastian Stan), o xerife corrupto da cidade. Além de se aliar ao chefe do crime local, ao apagar das luzes tem relações nada fraternais com sua irmã. Por fim, Knockemstiff nos apresenta a dois reverendos ao longo do filme, interpretados por Robert Pattinson e Harry Melling. Um é um pedófilo, o outro um fanático religioso que acredita ser o enviado de Deus.

O Diabo de Cada Dia

A produção de Jake Gyllenhaal busca evidenciar os diabos que existem dentro de cada um, refletidos nos atos, nas expressões e nas palavras de cada um. Em um cenário tão protagonizado pela fé, ver pessoas cometendo as mais diversas atrocidades, como tirar uma vida, cria a ironia que dá forma ao filme. São várias histórias paralelas, desenvolvidas e destacadas em momentos distintos do filme, mas que culminam em um único ponto ao final da produção. O personagem de Tom Holland é a versão que a sociedade julgaria como um homem fora das leis de Deus, mas que se revera puro e com um bom coração.

O que seria, então, permitido na religião mostrada no filme? Sacrifícios de pessoas ou uma briga na escola? A vontade de Deus não passa de uma justificativa para crimes hediondos que acontecem ali e é impossível não fazer um paralelo com alguns momentos ao longo da história. A ficção beira a realidade e isso é a cereja do bolo de O Diabo de Cada Dia. O verdadeiro pecado aqui está na duração, que se estende mais do que o necessário e o filme chega a cansar. Seria possível reduzir a história em algo com cerca de 90 minutos e o resultado seria outro. Não é ruim, mas a extensão o impede ser ser excelente.

O Diabo de Cada Dia depende completamente de seu elenco, que funciona como o principal chamariz. E a atuação de cada um é aquilo que o filme precisa. Pattinson entrega um reverendo alucinado e a expressão de seus olhos surpreende. Holland não faz muito além do que já conhecemos em produções anteriores, mas sabemos que ele funciona muito bem como herói. O maior destaque fica por conta de Skarsgard, que mais uma vez consegue interpretar um excelente homem perturbado. Não há nada fenomenal, mas cada um entrega um personagem satisfatório para a trama.

O Diabo de Cada Dia já está disponível na Netflix